2006-02-09

ARCO'06



Abre hoje a ARCO Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid
Até 13 de Fevereiro, Feria de Madrid

usa e getta



"Usa e Getta" é a tradução italiana de “Use e deite fora”. UEG, uma marca polaca com mote italiano, joga com este conceito, usando símbolos e ícones. A dupla por detrás da marca é a designer de moda Anna Kuczynska e o designer gráfico Michal Lojewski. As suas originais criações brancas são desenhadas para usar e deteriorar. As peças são feitas em tyvec, um material similar a papel, e impressas com o manifesto e regras do projecto.


Fonte: ModaLisboa

2006-02-08

Democracia x Dogma V


Assiti ontem à noite a um interessante debate na SKYnews. Por causa da sentença ao clérigo muçulmano aqui mostrado na primeira página do Guardian, Abu Hamza al-Masr, personagem terrífica (tem uma prótese em garra metálica a substituir uma mão perdida algures) condenado num tribunal londrino a sete anos de cadeia por incitamento a assassinatos e ao ódio racial. Ora no debate tínhamos num lado um membro da congregação de Hamza, vestido como um religioso, de língua afiada e viperina, de conduta intelectual radical e anti-democrática, de idealismo dogmático e intolerante. Do outro, um cidadão, igual a qualquer um de nós, igualmente muçulmano, defensor dos ideais democráticos e da livre expressão, contra o radicalismo e defensor da setença proferida contra Hamza. O muçulmano radical insurgia-se contra tudo e todos, calando-se poucas vezes, tão cego naquilo que acreditava, vociferando que Allah isto e o Profeta aquilo; que o Al-Quran dizia que o primeiro ser humano na Terra foi muçulmano - Adão - logo nenhuma outra religião tinha direito a existir; que não obedecia às leis do Estado Britânico, apenas a Allah e ao Profeta. O muçulmano cidadão democraticamente calava-se - mas nem é só uma questão de democracia, é de boas maneiras primeiro - e na sua vez, interrompido diversas vezes, explanava a sua opinião, verdadeira, justa e livre, em palavras semelhantes às aqui e em tanto outros locais defendidas.


Alguns excertos dos discursos de Hamza:
"We ask Muslims to do that, to be capable to do that, to be capable to bleed the enemies of Allah anywhere, by any means."
"You can't do it by nuclear weapon, you do it by the kitchen knife, no other solution. You cannot do it by chemical weapons, you have to do it by mice poison."

2006-02-07

cartoons


Democracia x Dogma IV

O islamismo vive hoje, e em particular o Médio Oriente, tempos tão difíceis que a argumentação da vitimização e da bárbarie se afirmam sobre a racionalidade e tolerância. A encruzilhada em que mergulharam tem-nos arrastado cada vez mais fundo, e as reacções dos últimos dias são sintomáticas de quão volátil pode ser qualquer rastilho.

Nos editoriais e comentários de hoje selecciono as seguintes linhas:

"Primeiro, uma parte do mundo muçulmano está a travar uma guerra de civilizações, gostemos ou não desse facto. Segundo, o Ocidente ainda não decidiu se deve lidar prioritariamente com essa parte do mundo muçulmano ou com os que se comportam pacificamente."
Christhopher Caldwell, Financial Times

"Quando se queimam bandeiras dinamarquesas nas ruas de Gaza ou de Beirute não é por causa da maldade de Israel ou dos pecados do "Grande Satã" americano: é porque nessas ruas o que não se aceita é que a liberdade de expressão implica, como explicaram os grandes pensadores liberais desde o Iluminismo, que por vezes temos de suportar ofensas. De as tolerar, se preferirmos. A única coisa que não pode ser tolerada é a limitação da própria liberdade, é a destruição dos seus fundamentos."
José Manuel Fernandes, Público

"Haverá melhor forma de alimentar a islamofobia no Ocidente do que considerar justificáveis os actos dementes e de violência contra o Ocidente? É preciso mudar os termos da discussão e pôr fim de uma vez por todas ao politicamente correcto. (...) Mas é fácil de admitir que, depois dos atentados terroristas cometidos em solo europeu em nome de Alá e do seu profeta, estas imagens alimentem a islamofobia na opinião pública europeia. A questão excede, em muito, o debate sob a liberdade de imprensa."
Teresa de Sousa, Público

"Quando os caricaturistas dinamarqueses deformam a imagem de Maomé estão, em primeiro lugar, a pôs em causa a dimensão do sagrado. Independentemente do facto de ser Maomé, devemos pôs a questão: é legítimo caricaturar o sagrado? (...) a reacção muçulmana faz parte do confronto entre a cultura muçulmana e a cultura ocidental."
Eduardo Prado Coelho, Público

"Se alguma coisa tornou evidente o caso dos cartoons publicados pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten foi a reduzida visibilidade, margem de manobra e peso político dos chamados "muçulmanos moderados" não só nos países de maioria muçulmana, mas também nas diásporas dos países ocidentais.
(...) O que ficámos a saber foi que um número elevado de governantes, líderes religiosos, responsáveis políticos e órgãos de imprensa muçulmanos considera que os preceitos religiosos da sua religião devem ser impostos em todo o mundo e a todas as pessoas - mesmo àquelas que não professam a sua religião - com a força de uma lei universal e sancionados com penas de rigor medieval. (...) Estamos muito, muito longe de Voltaire.
(...) Tal como aos muçulmanos, vale a pena explicar aos políticos europeus que a liberdade de imprensa não se deita para o lixo, quando acontece estar ao serviço de ideias que não nos agradam."
José Vítor Malheiros, Público


Nota:
em comentário encontram-se textos retirados de jornais estrangeiros

Democracia x Dogma III

Durante séculos edificámos na Europa, e no Ocidente em geral, particularmente após as revoluções Francesa e Americana, uma sociedade assente na triáde liberdade-fraternidade-igualdade e na herança greco-romana. Árdua e conflituosa foi a construção de uma comunidade que se pretende designar como moderna e civilizada, onde o direito de cidadania, da liberdade de expressão, de imprensa, de culto, de reunião sejam tão intrínsecamente consagrados que o ódio, a vingança e a violência sejam considerados crime, julgados na imparcialidade da lei, evitados no paradigma da convivência e da paz. É isso que não existe no mundo árabe. O sentido e a compreensão destes ideais ainda não atingiu na verdade o pleno nesta imensa comunidade. São factores complexos e variados que não nos permitem estabelecer soluções imediatas ou tão pouco, acções e reacções injustificadas. Vejamos as comunidades residentes no nosso território ocidental - à parte o crescente fundamentalismo que se alimenta da ignorância - houve algum tipo de reacção semelhante ao Líbano, Síria ou Indonésia? Não. Porque os muçulmanos que vivem entre nós entendem e vivem a democracia e a liberdade, e é isso que os diferencia: não a cor da pele, não a língua.

No entanto o nosso legado civilizacional é ainda imperfeito, mas disfuncional e dilacerante são os estados e as sociedades de alguns países onde a religião islâmica é maioritária. Na Europa temos três países muçulmanos que muitos esqueçem e outros evitam inserir - a Bósnia, o Kosovo e a Turquia - onde a crescente influência democrática os tem colocado longe das confusões fundamentalistas. Porque o Estado e a Religião constituem-se como factores separados e independentes. O dogma religioso quando exponenciado à condição de orientação estratégica de um Estado condiciona a visão, a conduta e a vida das pessoas. E que tem levado a formas tão diferentes de interpretar o Al-Khoran, desde a loucura Taliban no Afeganistão até às ditaduras no Iraque ou no Sudão. Estas visões tem colocado no poder homens (nunca mulheres) que ostracizam o povo que é usado para odiar o Ocidente, colocando-os no prisma de cá como uma religião do ódio e da violência. Então, como conceber que no Paquistão e noutros países do Sudoeste Asiático, tenham havido condutas democráticas e mesmo mulheres como primeira-ministras e presidentes?

Sendo a religião uma forma de viver a vida, não é em si mesma a melhor maneira de fazer viver o Estado e uma comunidade, condicionando-a tanto na sua liberdade individual como no seu todo. O choque que presenciamos, é na sua essência óbvia uma questão (vasta) de liberdade, e com isso um ideal de civilização multicultural, e acima de tudo a paz.

2006-02-06

Democracia x Dogma II



A perigosidade destes eventos colocam-nos, europeus, sob a condição de xenófobos. O que é certo é que a "rua europeia" (em contraponto à "rua árabe") ou seja, o comum europeu, apenas verá estas colisões como mais razões para o ostracismo, o desprezo e em último lugar ao xenofobismo. O que nos diferencia hoje é o meio no qual vivemos, nós em liberdade e democracia, eles sob um jugo dogmático onde religião e política se (con)fundem perigosamente. Falta-lhes passar por processos de reforma e renovação como aconteceu por cá desde o séc.XV até o séc.XIX. Dos paradigmas da fé até aos conceitos de Estado e política.

Mas o que muita gente esquece (ou ignora) e que nos faz julgar mais que os outros é que a conflitualidade e o paradigma absoluta da fé colocou durante séculos os europeus em guerra e em actos de imperialismo. Também a Europa, enfrentou momentos infelizes na sua história e que o mundo muçulmano foi durante séculos a civilzação mais avançada do mundo. O que muita gente desconhece é que o desprezo e o isolacionismo, a incorrecta orientação política baseada na fé empurrou o mundo árabe-islâmico para onde hoje se encontra. Mas este mundo fascinante não é imune à liberdade e à democracia - vejam-se os exemplos da Turquia e o Iraque, e apesar da vitória do Hamas, do exemplo da Palestina. A ocorrência destes paradigmas que potenciam a paz e a concórdia são elementos primordiais para colocar esta região do mundo no centro das atenções. O fenómeno da globalização, no seu contexto sócio-cultural, não é recente, mas no seu contexto político-económico tem produzido diversos factores de desestabilização e inquietude.

Democracia x Dogma I



Onde existe democracia e liberdade existem comportamentos civilizados. Onde a religião é a âncora do Estado, esta é exacerbada para caminhos onde o dogma significa mais que o respeito pelo Homem, onde o fundamentalismo se pode alimentar da miséria e da ignorância provocados por essa mesma orientação teológico-política, e ser caminho aberto, com estas razões, no incitamento ao ódio e à intolerância, colocando dois mundos cada vez mais afastados. Quando a aproximação em tudo beneficiaria os povos em questão e o mundo em geral. Os cartoons foram uma acha para a fogueira, cuja cíclica e eterna incerteza no Médio Oriente seriam em tudo indesejáveis.

Tal como Luis Salgado de Matos afirma hoje no Público "Alguns dos outros desenhos dinamarqueses só não são ofensivos para os europeus. Como o resto do mundo é religioso, os europeus correm o risco de ofender sem repararem. Aliás, os europeus só repararam no que tinham feito depois da ameaça de boicote comercial" e acrescenta "O mundo islâmico protesta sem ter visto os bonecos, cuja reprodução é proibida. A rua árabe protesta porque tem sentimentos de inferioridade, porque se julga discriminada - pois os europeus, julga, proíbem ofensas ao Deus judeu, e por outras razões, menos honrosas. Os manipuladores da rua árabe querem fazer vergar os não islamitas."
As reacções são exageradas e injustificadas, alicerçadas na intolerância, na ignorância, na exploração maldosa destes factores, na falta de cultura democrática.

Sendo, acima de tudo, a liberdade de expressão um direito a defender, a reedição dos cartoons foi uma provocação desnecessária. Uma parte do problema coloca-se aqui: deveriam ou não ser mostrados as caricatituras de Maomé? Sim. Mas a gravidade da situção ultrapassa em muito isto: a reacção demonstra como o conflito civilizacional pode ser mais grave a cada rastilho, e para nós ocidentais injustificável e inqualificável o modo violento das reacções por todo o mundo islâmico.



2006-02-05

trip: Madeira





2006-01-31

we will overcome


Como dizia Serafim Saudade "o mundo está dividido em duas partes", a parte A são os utilizadores Apple, a parte B os utilizadores Microsoft. Hegemónico, a parte B com toda a evolução que tem permitido, todo o desenvolvimento, com todos os sistemas nele contidos e que permitem que o nosso mundo actual funcione, é em certa medida, para nós os da parte A, uma realidade tão complicada e restritiva, tão impessoal e tão fria.
O desenvolvimento rápido e audaz encetado pela Apple, exponenciado agora com a "aliança" Intel, é um motor imenso para a renovação global de como deve a informática e os seus sistemas interagir para o bem comum, desde a economia à comunicação. E o avanço da parte A é muito mais aquilo do que serão os computadores do futuro do que a parte B dissimuladamente engana. Ao longo dos próximos anos, veremos os sistemas PC aproximarem-se mais do conceito Apple, sem no entanto possuirem aquilo que nós macusers vivemos como um culto, uma paixão, um desejo.

A vinda de Bill Gates a Portugal reveste-se de diversas importâncias, para o país e para a Microsoft. Permitirá que o Plano Tecnológico avance sustentado na maior empresa do mundo. Permitirá, obviamente tratando-se de um negócio, que a Microsoft fique a ganhar.
Talvez um dia Steve Jobs receba uma condecoração, e a Apple seja também um agente de desenvolvimento do próximo Plano Tecnológico.

E que tem a Apple a ver com isto? É um campeonato, que por agora não consegue competir, tratam-se de sistemas e aplicações, que embora na maioria existentes em Mac, não trariam vantagem devemos ser francos. A luta pelo mercado tem sido, desde há muito, por nichos - nas actividades do design, da música, do cinema - e com estes chegado aos consumidores domésticos. A imensa quota de mercado possibilitado pelo iPod e o iTunes, tem vindo a transformar mais a realidade informática global, do que a própria filosofia Apple, pois desde sempre foi o que com muito maior sucesso a nível global está a ser: simples, funcional e criativo. Um dia todos os computadores serão assim.

2006-01-29

Neve nas Caldas


Caldas da Rainha, 13h

2006-01-28

iD Presidência Áustria



The logo for the 2006 Austrian Presidency of the Council of the EU is the work of the Dutch architect and designer Rem Koolhaas. He and his think-tank OMA originally came up with the idea of reassembling the colours of the EU countries’ flags in a “bar code” during a brainstorming session in 2001. Theme of the brainstorming: representing Europe’s diversity and unique identity in visual form. The bar code unites the EU Member States in a single symbol.
The European Union is characterised by ongoing development, dynamism and movement. This is reflected in the design of the bar code. The original 2001 design representing the flags of the then 15 Member States was thus adapted in 2004 to incorporate the flags of the 10 new countries joining. The bar code as the Austrian Presidency logo now depicts the flags of the EU-25, arranged according to the geographical location of the Member States from West (left) to East (right). It is a symbol not only of the European Union and its Member States, but also represents Europe’s diverse, colourful character.
Koolhaas’ bar code has not been used officially since its conception. This colourful symbol of Europe now has its official premiere as the logo of the Austrian Presidency of the Council of the EU in 2006.

http://www.eu2006.at/en/The_Council_Presidency/Logo.html

2006-01-27

Hamas, o diabo no poder?


A vitória, retumbante, da maior força radical da Palestina, nas eleições legislativas, parece ser o primeiro passo daquilo que escrevia em "The fall of Falcon-Sharon ou a Terra da Instabilidade". As incógnitas nesta terra são o pão nosso de cada dia. Diz-se que quando acontecem estes terramotos políticos nos momentos em que se está à beira de uma nova etapa de paz, que Deus não é judeu. Ora nem judeu, nem muçulmano, nem cristão, Deus não é guerra, são os Homens que a fazem, e compete a eles impedi-la.

Agora que o Hamas é o governo legítimo, poderá o terrorismo de uma organização tornar-se na actividade governamental, em guerra aberta com Israel? Como poderá reagir o presidente palestiniano, da Fatah, face a um Executivo liderado por um "partido político" que ninguém reconhece e se recusa a negociar? Entrará a Autoridade Palestiniana em colapso (final) com a radicalização das políticas agressivas e libertárias (legítimas, mas não deste modo)? Mas, dentro deste processo democrático que foram as eleições e a consequente prática, poderá haver lugar a uma transformação do Hamas numa entidade que progressivamente abandone a via guerreira, e reconheça por fim Israel de modo a conseguir um acordo de paz? Como reagirá Israel com o seu maior inimigo com maior poder?

Zine: Box

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2006-01-26

iD: novo BES



O BES apresenta a sua nova identidade com óbvios objectivos de se apresentar aos clientes mais jovens.
Um trabalho de autoria BBDO e RMAC.
Estou muito curioso para ver mais peças da marca.

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“É mais uma evolução da imagem do que uma mudança profunda”. Foi desta forma que Ricardo Salgado, presidente da comissão executiva do BES, resumiu a nova imagem do banco. Uma das alterações mais visíveis é ao nível da cor que se mantém verde, mas passa a ter vários tons de verde, denominando-se “verde futuro”. “É mais fresca, mais jovem e quer aproximar-se mais dos clientes", referiu Ricardo Salgado, ontem, em conferência de imprensa.

Além da cor, a nova identidade do BES abrange também o logotipo e o tipo de letra. As mudanças sentir-se-ão ao nível dos balcões, cartões de crédito, publicidade e estacionário do banco. Com esta evolução o BES pretende reforçar as dimensões de proximidade, juventude, vitalidade e modernidade da marca.

Outro aspecto que muda na comunicação é a assinatura que deixa de ser “Quem sabe, sabe e o BES sabe”, passando a ser “Quem sabe, sabe e o Joaquim sabe”. O nome que assinará na campanha estará de acordo com os destinatários da comunicação e com o produto que está a ser promovido. João, Maria, Joaquim, Manuela são algumas das possibilidades.
A inspiração criativa para a nova identidade corporativa é da autoria conjunta da BBDO e da Ricardo Mealha e Ana Cunha Design.
Entre a campanha, o estacionário e a mudança nas fachadas o banco terá investido cerca de seis milhões de euros.
A fase revelação da campanha arranca a 28 de Janeiro e prolonga-se até 5 de Fevereiro."
in Meios e Publicidade


os logos reprovados:

2006-01-23

Foi à tangente

Por 0,6%. Nunca uma margem tão pequena permitiu eleger um Presidente da República.
Foi apenas por décimas que não houve segunda volta, o que levaria Manuel Alegre a disputá-la com Cavaco.

Retrato
Os resultados demonstram com particular interesse como cada um dos candidatos se representa de facto no eleitorado. A vitória de Cavaco foi tangencial (ao contrário do que se tentava impôr desde há meses), importante a todos os níveis sem dúvida.

Cidadania
A percentagem obtida por Manuel Alegre foi expressivamente positiva. Segundo em todos menos um distrito, mais de um milhão de votos em Alegre prova como um movimento de cidadania, um projecto político de ideais justos, fraternos e livres têm uma expressão significativa no espectro nacional, e como há lugar para outra visão e maneiras de pensar e fazer a política que de forma tão importante urge aplicar-se.

Derrotado número 1
O resultado de Soares - apenas 778.389 - é bastante curiosa (no mínimo) e quase humilhante diria.

Os comunistas
Os restantes são, outro campeonato, considerando que o grande derrotado é Francisco Louçã, pela sua posição obtida nas Legislativas, pela sua postura nesta campanha.

Sujeira
À espera estava, tal como tanta gente, do discurso de Manuel Alegre, e um minuto depois de começar acontece o momento mais triste da noite, profundamente deselgante e grosseiro diria também. É que viu-se tão bem que foi de propósito. A sobreposição do discurso de Sócrates deixou-me profundamente indignado. O PM foi de uma falta de educação enorme, fosse qual o candidato que fosse que estivesse a falar, mas o simples facto de ter sido Manuel Alegre demonstra um frio acto de vingança perante a campanha e os resultados eleitorais.
Excertos do que Pacheco Pereira escreveu no seu blog à medida que os acontecimentos se sucediam:

22:01 (JPP)
ISTO ESTÁ BONITO!
Sócrates a interromper Manuel Alegre que vergonha!
Se fosse Alegre repetia a declaração.
Se fosse a televisão dava o PM em diferido, porque Sócrates não é candidato.
(António Lobo Xavier assina por baixo).
Há alguma revolta aqui na SIC vinda de vários lados.

22:06 (JPP)
SÓCRATES
pensa que pode fazer tudo. E fez uma asneira revelando um dos seus aspectos mais negativos, prepotência e arrogância. Ao interromper Alegre, foi o que pior se portou nesta noite.

22:43 (JPP)
SÓCRATES QUER-NOS CONVENCER
que ninguém na campanha de Mário Soares estava a ver a televisão e não se apercebeu que Alegre, o arqui-adversário, começava a falar...
A questão é outra. É que lhe correu mal a cena.

e hoje acrescentou:
"A interrupção do discurso de Alegre por Sócrates gerou, na pequena multidão que estava dentro da SIC, imediatas e sonoras manifestações de protesto, que ultrapassaram partidos e amizades políticas. Eu protestei alto e bom som na minha mesa, Helena Roseta na dela e, atrás de mim, no grupo a que a SIC chamou da "sociedade civil" ouviam-se também protestos. Os jornalistas que conduziam a emissão ficaram também perplexos e incomodados pela evidente e grosseira manobra de ocultação de Alegre, mas não era fácil não dar a prioridade ao discurso de Sócrates,no tempo real em que estas emissões se fazem. Sócrates é o Primeiro-Ministro e um dos responsáveis pelo desastre do PS e forçou ser ouvido. Justiça seja feita neste caso à SIC que se apercebeu de imediato que tinha que encontrar uma forma de reparar Alegre, que denunciou de imediato a malfeitoria e anunciou a repetição da declaração de Alegre. Não sei o que fizerem as outras televisões, mas tenho curiosidade em saber."

Abstenção
É impressionante como 3.301.589 de pessoas não foram votar, 37,39% dos portugueses optaram por não contribuir com a sua escolha/opinião. É muita gente, mais que os votos em Cavaco, quase tantos como juntando os de Alegre.

2006-01-22

Bluff francês



A ameaça proferida por Chirac do uso de resposta nuclear a ataques, é claramente uma tentativa de afirmar o poderio e a importância da França. Mas estará a França ainda num patamar que a leve a ser respeitada/temida? Historicamente sempre à parte e do contra no plano internacional, a defesa dos seus interesses franceses não é mais que uma versão da defesa dos interesses americanos. Logo, se fosse Bush a dizer o que disse, ou mesmo Putin, seria o Carmo e a Trindade! E com razão. Acontece que, vindo de Chirac e da França, esta ameaça acaba menorizada, pela real importância do país, que a todo o custo tenta esconder. O poder das nações, neste caso europeus, não pode passar por tomadas de posição deste género, unilaterais e egoístas, próprios para consumo interno, que no entanto se revela como um precedente perigoso. E o inimigo - seja ele qual fôr, Al-Qaeda e o Irão - ficará com um apetite mais aguçado por haver alguém que possa dar luta. Não que defenda a submissão, pelo contrário, a luta ao terrorismo e ao despotismo deve ser estruturadamente eficaz e decisiva, mas as palavras têm muito poder. Tal como o presidente do Irão profere aqueles ignomínias verbais, do lado de cá há que ter muita cautela com o que se diz. A afirmação do poder, existente na base da democracia e da civilização, deve ocorrer segundo regras bem diferentes. O bluff francês, tal como o iraniano, revela-se perigoso e nada animador para o futuro.

Vasco Pulido Valente afirma "A bomba de Chirac vem de uma nova França, humilhada, frustrada e sem destino. E a fraqueza ameaça. Como o desespero." Público, 22 Janeiro.
No Expresso deste fim-de-semana, Miguel Sousa Tavares enfatiza o real perigo vindo do Irão acrescentando que "a perspectiva de um Irão nuclear e agressivo existe e representa o pior pesadelo de um "Estado-pária", desligado da obediência à lei internacional e dotado das armas capazes de transformar em factor de desestabilização e terror permanentes", finalizando "Vem aí o ano de todos os perigos".

2006-01-18

Presidenciais-4



Um Presidente Alegre

Não um crispado. Não um bon-vivant. Por todas as razões já enunciadas, e muito mais que muitos outros têm dito, e pelo próprio conteudo do Contrato Presidencial, a minha confiança, convicção e voto é em Manuel Alegre. Para mim, representa aquilo que deve ser Portugal, tal como nos dois slogans da candidatura: "Livre, Justo, Fraterno" e "O poder dos cidadãos". É isto que a nossa sociedade deve ser. Para lutar contra a desigualdade, renovando e enaltecendo os valores e orgulho nacionais (um assunto também lançado no Reino Unido este fim-de-semana) com a promoção da língua, da cultura, da formação e da identidade.

Quem teve coragem foi o poeta e não o "pai" do regime democrático. Quem avançou com convicções claras e honestas, num inovador movimento de cidadania (afinal é assim que a política deve ser) foi o livre Alegre.
Quem avançou no seu "Contrato Presidencial" com estratégias, proximidades e exigência foi Manuel Alegre. Quem abertamente renova um discurso político, contrapondo a crispação cavaquista e a boémia soarista, é o deputado de Coimbra. Manuel Alegre tem uma posição clara, sendo (e quase único) quem primeiro avançou com ideias concretas do que um PR e Portugal devem ser, perante o país, a Europa, a Lusofonia e o mundo.


Valor presidencial
Mas afinal o que queremos que seja um Presidente da República? Alguém que possa representar o Estado Português com transparência e liberdade? Que colabore com o governo? Tudo isto? O que acima de tudo um PR deve fazer é respeitar a Constituição, e não ir além disso sob pena de criar instabilidade institucional e política. O titular do mais alto cargo do Estado deve ser alguém íntegro e de espírito aberto, de convicções e livre, abrangente e fraterno, justo e patriótico. Para mim é também alguém que seja simbólico do Estado mas acima de tudo da cidadania, da nacionalidade, capaz de representar todos dentro e fora do país com igual competência, serenidade e valor. Transmitir e invocar uma mensagem universalista e democrática, moderna e mobilizadora, os valores intrínsecos da nacionalidade e do respeito por todos, positivo e inovador.

Sendo um cargo político alcançado através da regras da política, necessita de alguém que sinta a mesma como o maior serviço público aos cidadãos e ao país, que tenha no instinto a pureza e os valores da polis, afirmando-se sempre independente, com coragem, pelos seus ideais, pelo futuro e por Portugal. O garante das liberdades, direitos e deveres da cidadania - qualquer que seja a sua origem e cultura - e da República, um provedor da democracia, um árbitro do sistema vigente, um elemento de exigência mobilizadora, capaz de promover o país para uma estratégia de desenvolvimento sustentado.

Que veja a Europa como uma espaço de afirmação do país e do conjunto da UE, no caminho de uma união inovadora e democrática feita pelos cidadãos para os cidadãos. Que impulsione o espaço lusófono como uma comunidade forte, no intercâmbio cultural, económico e social, promovendo a língua portuguesa dentro e fora da CPLP, potenciando uma cidadania lusófona livre e justa.

Tudo isto é o que eu vejo na candidatura de Manuel Alegre, que não é de protesto, nem contra ninguém. É pela cidadania, pela fraternidade, pelos portugueses, por Portugal. Por aquilo que acredito. Por tudo isto voto Manuel Alegre para Presidente da República Portuguesa.



Sugiro a leitura dos seguintes textos:

"Para que serve um Presidente?", António Barreto
"Um homem sem opiniões", Vasco Pulido Valente
Ambos do Público. Disponíveis em comentário.

"Uma candidatura que revitaliza a política e a cidadania", José Jorge Letria
"Uma candidatura inovadora", Helena Roseta
e
"Contrato Presidencial", Manuel Alegre
a partir do site da candidatura.