


Al Gore was born to be the most powerful man on Earth, but fell just short of his political destiny. Can the former law-maker now win his place in history as the man who helped save the planet?

Designing Obama from mas / menos on Vimeo.
"Selling change isn’t easy in a world that tends to prefer the comfort of the familiar. We all know what a revolution looks like: handmade signs, scrawled graffiti, the voice of the people. But Obama’s campaign was the opposite. Reportedly, the candidate resisted at first. “He did not initially like the campaign’s blue and white logo — intended to appear like a horizon, symbolizing hope and opportunity — saying he found it too polished and corporate,” reported the New York Times. But David Axelrod and his team prevailed. They must have known that the revolution, when it finally came, would have to be wrapped up in the most comprehensive corporate identity program the 21st century has yet seen. And it worked, as Designing Obama, the new book from Scott Thomas, Design Director of New Media for Obama for America, reveals."
Inspired by Nigerian history and tragedies all but forgotten by recent generations of westerners, Chimamanda Ngozi Adichie’s novels and stories are jewels in the crown of diasporan literature.
http://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html
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Because Tony Blair has an eternal ghost called Iraq. Because even as the most european prime-minister in decades the UK had, he did not stregthen the ties of Britain within the european project. Because the job wasn't made for him. Because Tony Blair is no longer the star in international politics.
Because the European Union is not a federation, nor a uniform and one-voice political project. Because the path of the european build-up is long and the Lisbon Treaty, not being perfect, is stil the best common stage to move forward. Because the President is not elected by the citizens. Because Europe needs a european vision.
All the respect and admiration for Tony Blair (not excluding the disapointments) are not enough to support his bid to the job. I've said it before (here and here).
However, there is no other person in Europe with the "grandeur" of Blair. And the illusion of an american-style presidency helped to maintain the wish of many. Tony Blair included. The usual "guerrilla" among big and small countries will dictate who will get the job. Getting it is an eternal european-style negotiation.
Teresa de Sousa perfectly summarizes a concern I share:
"You can feel the outcome. A small Europe. And a lost opportunity. The opposite will occur within the order of miracles. For example, if the presidents can be from the same party, then they can also be from the same region. At least Felipe González would be something. A good thing."
Copyright © Martin Rowson 2009
Blair não é o Escolhido
Porque Tony Blair tem uma bagagem eterna chamada Iraque. Porque mesmo sendo o Primeiro-Ministro britânico mais europeu das últimas décadas, não aprofundou a integração do Reino Unido no projecto europeu. Porque este posto não foi feito para ele. Porque Tony Blair não tem mais lugar cimeiro na política internacional.
Porque a União Europeia não é uma federação, nem um projecto político uniforme e uníssono. Porque o caminho da construção europeia é longo e o Tratado de Lisboa não sendo uma etapa perfeita ainda é o melhor caminho consensual de avanço. Porque o Presidente não é eleito pelos cidadãos. Porque a Europa precisa de uma visão europeia.
Todo o respeito e admiração por Tony Blair (sem excluír as delisusões) não chegam para eu apoiar sequer a sua candidatura. Já o disse em vezes anteriores (aqui e aqui).
Contudo, a grandiloquência de outra personagem como Blair é inexistente. E a ilusão de uma presidência à americana contribuiu para acalentar o desejo de vários. Tony Blair incluído. A costumeira "guerrilha" entre países grandes e pequenos ditará quem deverá ficar com o lugar. A atribuição do posto é uma negociação eterna à europeia.
Teresa de Sousa resume no essencial e na perfeição uma preocupação que partilho:
"Já se pressente o resultado. Uma Europa pequena. E uma oportunidade perdida. O contrário será da ordem dos milagres. Por exemplo, se os presidentes podem ser do mesmo partido, então também pode ser da mesma região. Ao menos Felipe González já era alguma coisa. Era uma boa coisa."
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Tudo é questionável. Dificilmente existem verdades absolutas, frequentemente elas se revelam absolutamente falsas. O que poderá existir sim são factos absolutos, tal como o dia se segue à noite, e a Lua orbita a Terra. Questionar não é denegrir, cair na agressão. Pode por-se em causa, argumentar e demonstrar com outra visão, outra leitura, outras provas. Foi assim que fez Richard Dawkins com a sua tese "The God Delusion", não isenta de polémica claro, porque tocar na religião é assunto delicado.
Eu gosto de José Saramago. Aprecio a escrita, louvo-lhe a frontalidade. "O Ensaio sobre a Cegueira" e "Ensaio sobre a Lucidez" são romances pertinentes e escrutinadoras das fraquezas, dissonâncias e direitos do ser humano numa sociedade estranhamente menos comunitária do que (pr)entende ser. Até hoje "O Evangelho de Jesus Cristo" se mantém como uma das obras que mais gostei de ler. Entrar numa outra realidade, confrontarmo-nos com outras possibilidades não nos comete contra isto ou aquilo, apenas nos potencia enquanto humanos ao direito e ao dever da dúvida e da busca do entendimento. É do conhecimento geral a condição de ateu de Saramago, que não advém necessariamente por ser comunista. Contudo, quando afirma "posso ser ateu, mas não sou tolo" ao justificar o conhecimento da Bíblia para escrever esta obra e o mais recente "Caim", a sua análise verbal nos últimos dias assenta sobre considerações polémicas desnecessárias e algumas delas falaciosas roçando uma visão tão anti-religiosamente fundamentalista quanto o religioso mais fundamentalista. Dizer que Deus desde o sétimo dia de descanso nada fez é uma ideia tão disruptiva como engraçada. "Isto tem algum sentido?" indicia que os crentes são idiotas. Com "a Bíblia é um "manual de maus costumes" e um "catálogo de crueldades" Saramago está a confundir a árvore com a floresta. Primeiro, o Deus castigador a que se refere pertence somente ao Antigo Testamento, e sim está repleto de regras e atitudes ignóbeis. Segundo, não é essa a leitura essencial dessa obra magnífica, e digo-o não por razão religiosa, mas pela imensa força cultural que teve e tem ao longo de milhares de anos e milhões de crentes em todo o mundo, sendo comum a cristanismo, judaísmo e islamismo. Mesmo que matar em nome de Deus tenha sido o maior erro da Humanidade.
José Saramago não foi intelectualmente sério, e ele sabe-o. A Bíblia é um conjunto de histórias diversas, algumas factuais, muitas delas simbólicas onde, como diz Carlos Fiolhais no Público "tão errado é levar a Bíblia à letra, aceitando o que lá está" como "recusando o que lá está". Cada um acredita no que quer, e entende como lhe aprouver. A nossa liberdade individual permite-nos isso. E questionar a fé não deverá sê-lo com palavras menos honrosas e desrespeitadoras. "Lê a Bíblia e perde a fé!" não é necessariamente ofensivo, mas demonstra novamente com laivos de intolerância que quem acredita está tão profundamente errado como dois mais dois serem igual a três.
As reacções mais loucas vêm de quem pode não merecer crédito, como Sousa Lara, o famoso "censor" que faria novamente o mesmo e com esta obra também, e que no fim Saramago terá o seu castigo adequado, e um eurodeputado do PSD que insta Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa. Quanto menos humorados e mais fechados na sua fé, mais a afronta sentida, o que não abona a favor dos próprios nem para a discussão.
No fundo andámos estes dias a discutir patetices, como na crónica de Vasco Pulido Valente que arrasa Saramago ("...tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara") - que discordo - e todos aqueles que se escandalizaram com um farsa ("extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória").
"O Homem inventou Deus e escravizou-se dele" não é novidade nem exclusivo de José Saramago mas, ao aparentar de tempos a tempos estar contra Deus no fundo está a aceitá-lo mais do que a negá-lo. Somos todos frutos de uma realidade social e cultural judaico-cristã, que o próprio autor não o nega, eu próprio com conhecimento sobre a matéria tenho muitas dúvidas. Mas quando 95% da população mundial se afirma crente, podem os restantes 5% bradar que a maioria está errada? Mais aceitável será o ser humano poder viver sem religião mas que não pode viver sem espiritualidade.
O livro não deverá ser tão polémico como as palavras proferidas pelo autor. Li o primeiro capítulo em pré-publicação e achei-o fresco, livre, engraçado e pertinente, ficando com muita vontade de ler o resto. E com a técnica "falem bem ou mal, desde que falem" a promoção extra do livro está garantida, e no fim ver-se-à que, nas palavras de Shakespeare, foi muito barulho para nada.
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Há cidades que definham há vários anos. Mas em eleições autárquicas sucessivas não sei se ignorância, desleixo ou simples não visão de uma maioria de eleitores, os mesmos ganham sempre. Não se pode afirmar que nada fizeram - fazem o básico, o quase indispensável, entre algumas "glórias" graças a comparticipações extras via Estado ou União Europeia. Contudo em várias cidades com as quais tenho contacto directo não se vislumbra um rumo, uma ideia global. Não há um plano. Não se vislumbra um projecto. Não se entende que ideia têm autarcas e, por vezes até a oposição, para as suas cidades e concelhos. Não há harmonia, nem equilíbrio. Muito se tem feito sem nexo, onde cada solução aplicada nunca se insere num todo coerente. As cidades tornam-se incoerentes.
Bairros que surgem quase como cogumelos. Estradas que abrem caminhos sem contornos globais de uma eficaz rede viária e definidora de mais um futuro bloco habitacional sem vida nem graça, sem espaço verde (que, existindo, nunca vai para além de centímetros de relva) nem espaço vivencial. Equipamentos públicos edificados ao sabor de dinheiros comunitários, ou rivalidades com municípios vizinhos, ou pela proximidade de festividades, ou actos eleitorais. Esses mesmos equipamentos implantados sem eficaz leitura do local, sem consistência com o meio que o rodeia - seja pelo deficiente estacionamento, seja pelo enquadramento urbanístico e arquitectónico, sempre tudo fora de um contexto mais global que, repito, não existe. Intervenções localizadas, desconexas ou inconsequentes, dão uma imagem confusa ou mesmo inexistente da cidade.
Isto aplica-se a Leiria e Caldas da Rainha, como por ventura a tantas outras cidades e vilas de Portugal.
Não se entendem ideias de desenvolvimento. Não há uma imagem, uma Marca. Perde-se o glamour de outrora, perde-se o encanto que as tornavam especialmente únicas no país.
Caldas não tem espaços de fruição e valorização, não existem locais aprazíveis e convidativos. Caldas não tem qualidade urbanística, arquitectónica e, por conseguinte, não tem coesão na estrutura da utilização social da cidade.
Leiria graças ao Polis viu a beira-rio tornar-se num local fabuloso. Mas tem um Centro Histórico fantástico que continua parado à espera de rejuvenescer. E Leiria adiou de novo uma oportunidade de uma revolução urbana, com o fim dos projectos MaisLeiria e FórumLeiria. O "malfadado" Estádio continua a onerar demasiado.
Há "empecilhos" fora da responsabilidade das Câmaras que impedem e condicionam projectos ou ideias de revalorização. Em Leiria temos por exemplo a N1/IC2. Nas Caldas há um "Vaticano" chamado Centro Hospitalar que detém esse ex-líbris fabuloso que é a Mata e o Parque D. Carlos e o Hospital Termal.
Ambas não têm clarividência de pensar a cidade para o futuro. Não têm conseguido demonstrar atitudes renovadoras e alternativas, sejam estratégicas, sejam políticas.
De novo Óbidos regressa como um exemplo claro (e fácil) de como tirar partido das virtudes que a compõem. Mas Leiria tem um potencial de revitalização enorme, muito mais que Caldas.
Acredito que uma "revolução" urbana e estrutural em ambas as cidades, sobre esses elementos, são pontos-chave para renovar e melhorar. Claro que tais mudanças nunca se farão sem a vontade das diversas entidades envolvidas. Mas até agora, carece também a clarividência de todos de pensar a cidade para o futuro.
O essencial é isso - pensar a cidade - o que queremos e o que devemos ter e ser. As cidades são formas vivas. Não se socorrem apenas de um equipamento que há muito faltava. As cidades são compostas por pessoas, cidadãos. Funcionam como um todo e para funcionarem bem necessitam obviamente de bons acessos, equipamentos técnicos, sociais e culturais, espaços públicos e espaços verdes de usufruto verdadeiro. Condições materiais e imateriais que ofereçam boas razões para morar, trabalhar e visitar.
O legado histórico de ambos, seja a fundação, o século XIX e a décadas de 1940 e 1950 não merecem o menosprezo que têm sofrido. O respeito pelo passado passa por preservar para o futuro com ideias consistentes que tragam retorno e valorização.
O trabalho não é mostrar o que uma cidade pode ser não o sendo.
Repito o que anteriormente escrevi:
As cidades do futuro não são projecções futuristas, irrealistas ou utópicas. A cidade de amanhã deve ser fundada sobre os valores que dela fizeram algo especial - a história, a cultura, a economia - em conjugação com o equilíbrio e a originalidade; na inclusão da diferença e o respeito pela natureza; numa reestruturação urbana e arquitectónica combinada com verdadeiros espaços verdes, vias de comunicação e equipamento habitacional e público em concordância com o espaço que a rodeia, eliminado a ocupação desordenada do território; reduzir elementos factores de poluição. Ou seja, pensada e trabalhada por técnicos e políticos, com profissionalismo, dignidade e ética, empenhados em contribuir para a comunidade.
Uma cidade tem uma imagem a defender, a preservar, a projectar. As novas urbes do século XXI não sobreviverão sem um plano estratégico que não seja atractivo, de desenvolvimento, e coerência sustentáveis. Necessita de uma identidade própria que a defina - encontrar boas razões para que as pessoas tenham um sentimento de pertença e orgulho; evidenciar nos planos social, económico, cultural e regional a construção de um conceito de Place Branding - ou Marca Local. Este pressupõe analisar factos e problemas existentes, pensar soluções de desenvolvimento, elaborar conceitos alternativos e criativos que, assente na realidade dessa mesma cidade ou região, possam dotar o local com factores e eventos de competitividade e appeal, para habitantes, negócio e turismo, assente em valores de confiança, prestígio, cidadania e solidariedade. A cidade deve evidenciar as suas potencialidades e solucionar as suas debilidades. Promover a participação dos cidadãos nos aspectos político e social, de discussão pública, de responsabilização colectiva.
Por isso, em ambas as cidades - Leiria e Caldas da Rainha - para começar a mudança, o voto é nas candidaturas PS.
E o mesmo se aplica a Lisboa (António Costa + Helena Roseta + José Sá Fernandes) e Porto (Elisa Ferreira).
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Pedro Bidarra
Vice-presidente e Director Criativo da BBDO Portugal
Pedro Pina
Presidente da McCann Eriksson Portugal o vice-presidente ibérico
"Quero saber o que as pessoas pensam, a que sítios vão"
Guta Moura Guedes
Presidente da Experimenta Design
"O design é muito mais do que os objectos"
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Chegou a hora da verdade. Para todos.
A era de responsabilidade começou.
PS
A vitória é em síntese, óbvia. Apesar das "reclamações" os últimos anos trouxeram um certo sentido de estabilidade e rumo para o país. Podem estar algumas estratégias erradas ou disvirtuadas mas no fundo uma maioria de portugueses acha que o melhor é nos mantermos como estamos. Mesmo que o PM seja um pouco autoritário, afinal se a Itália tem um bon-vivant e gostam, nós por cá...
A maioria relativa conseguida, mesmo sendo uma derrota, transforma-se numa vitória sobre todos os que vaticinavam o fim. Mas Sócrates deverá provar se é capaz de governar em minoria socorrendo-se de compromissos parlamentares onde o interesse geral do país seja bem definido e defendido.
PSD
Alguém conseguiria conceber um novo governo nesta altura do campeonato, ainda para mais com Manuela Ferreira Leite à cabeça? O PSD perdeu justamente pelo seu passado e não conseguir explicar um futuro plausível. A ânsia de derrubar fê-lo cair estatelado sem qualquer vislumbre de, nas presentes condições encontrar meios que o façam levantar de novo. A hora da verdade chegou e da forma mais rude que podiam imaginar.
A actual liderança tentou fugir ao "malfadado" marketing político, mas foi a sua ausência exposta em anacronismos de outros tempos e falta de boa comunicação que também contribuiram para a derrota. Não pode ser apenas por intenções que se conquista, tem de se seduzir com ideias e conteudos bem explanados. Nem populismos, nem meter medo, nem à espera que o outro caia para conseguir o lugar, são métodos para vencer. Artifícios destes têm sido a face de um PSD irreconhecível, retrógado, desfasado da realidade social e política actuais. A hora da verdade para o PSD é esta. Após as autárquicas veremos de novo que o PSD é nada mais que um saco de gatos.
CDS-PP
O "one-party-man" é, como se diz na gíria política americana um "comeback kid". Quando tantos querem o seu fim, eis que regressa mais forte que antes. O que já foi o partido do táxi é agora um petisco não reconhecido para o PS passar algumas leis no Parlamento. E o CDS tudo tem a ganhar com isso.
Ter mais votos que o BE foi a cereja no cimo do bolo.
Apesar da imagem gráfica deprimente, valeu-lhes a força das ideias, mas particularmente a transferência de votos vindos do PSD. O CDS reassume um lugar de destaque na direita, área tão desfalcada de partidos consistentes e credíveis.
BE
Outro grande vencedor. A duplicação de deputados dá-lhes uma sensação de força inédita, que talvez não saibam como melhor utilizá-la. Num claro oposto do CDS, será paradoxalmente a outra muleta para o PS no parlamento. A contribuição do Bloco de Esquerda para uma governação estável será mais decisiva que de qualquer outro partido. O partido do contra terá de mostrar uma outra intransigência se quiser manter-se na mó de cima.
CDU
Uma estranha vitória. Quem passa de terceiro para quinto, mesmo que aumente um deputado, não poderá estar inteiramente contente. A fuga de votos para o BE tem sido constante e a simpatia e simplicidade do camarada Jerónimo não tem força perante a dinâmica do "irmão inimigo".
O desprezo dos Media aos pequenos
Continua a comunicação social a dar importância reduzida aos partidos não presentes na Assembleia da República. Não fosse o debate no "Prós e Contras" e quase que não passariam na TV. A força visual do MEP nas eleições europeias deveu-se à conhecida Laurinda Alves. A visibilidade do PCTP é graças à dinâmica de Garcia Pereira. Obviamente que cabe aos partidos pequenos encontrar soluções de comunicação originais e fortes, mas a contínua política de quem detém o poder de não as transmitir é inaceitável.
PCTP
O eterno Garcia Pereira demonstrou mais uma vez a força das suas convicções. Mas pode bem agradecer aos Gato Fedorento.
MEP
A prova de que as sondagens são cada vez mais enganadoras. Quando havia a possibilidade de eleger 1 a 3 deputados eis que se acaba com menos de metade do obtido nas eleições europeias: apenas 25.338 votos. As variáveis numa eleição são muitas, mas este resultado é inesperado. E, pessoalmente, muito injusto.
O efeito Gato Fedorento pode ter algo a ver com isto. Errado achei apenas convidarem representantes dos cinco partidos no parlamento. A crítica dos outros foi pertinente mas apenas útil para o único que conseguiu lá ir - Garcia Pereira. "Esmiuça os Sufrágios" tem sido um êxito de audiência. Mas se o programa é baseado no "The Daily Show" de Jon Stewart (que também vejo) então deveriam ter estudado melhor a lição.
Marketing e Design ausentes
À excepção da campanha do PS (profissional) e do MEP (cuidada) - todos os outros partidos pecaram por uma confragedora imagem, própria de tempos passados. Se o argumento com gastos foi usado, é notório que o dinheiro mal gasto fez mossa. O barato sai caro, meus caros. Quem sabe, sabe...
Porque insiste o PCP numa apresentação conservadora? Fraca de anos, a comunicação desta coligação não faz transparecer a força que afirma ter. Com um site em absoluta cópia da campanha de Obama, assumir-se é algo que me parece fundamental. PCP e PEV são de cores diferentes sim. Mas são ambos comunistas, cuja cor é vermelha. Falando como designer a comunicação do PCP tem tanto potencial (que o BE usou bem no seu início mas que também se perdeu) que é um desperdício ver como se arrasta com uma imagem embaraçada e enganadora.
Abstenção
Não entendo. Vi tanta gente votar. Até à hora de almoço havia mais que nas mesmas eleições anteriores. Afinal a quantidade de abstencionistas aumentou. É certo que é difícil acompanhar a política, pode ser enfadonha, desinteressante, provocar desilusão, revolta mas, não aceito que tanta gente não contribua com o seu voto para a democracia, para o país! De cerca de 9,3 milhões de eleitores houve um terço (3.196.674) que não votou, ou seja, mais que os votos no PS, quase tantos como a soma dos dois mais votados. A nenhum destes três milhões (excepto os doentes, ou incapacitados de alguma forma) terá autoridade moral e democrática para criticar ou exigir seja o que for do Governo ou do Parlamento. Quem perde será sempre o país.
O modo mais correcto de demonstrarem o seu protesto seria votarem em branco. Os brancos foram 98.967 e os nulos 74.234. Mais que o votos de qualquer partido "pequeno".
Se mais força houver para que manifestem o seu desagrado se os próximos tempos forem demasiado conturbados, aconselho todos a lerem o "Ensaio sobre a Lucidez" de José Saramago. A narrativa conta como 80% dos eleitores votaram em branco, causando uma crise política - esclarecedora - sem precedentes.
E agora?
O caminho daqui em diante não será fácil e é uma etapa ideal para provar o que Sócrates é capaz nesta posição minoritária. Um governo de coligação parece-me inviável. Ao PS seria, neste novo panorama, assumir uma posição quase contra-natura. Um "orgulhosamente só" manifesta-se mais alto, tanto pelas razões pragmáticas que o definem actualmente, como por razões ideológicas e de combate político. Quanto ao CDS, adoraria, mas o pudor fá-lo retrair-se. O BE podia, mas o orgulho impede-o.
A nova AR será um palco de compromissos e de diálogo que em princípio trará mais benefícios para todos. Nem a arrogância absoluta, nem a mesquinhez reaccionária. A todos os partidos caberá uma quota parte de responsabilidade e cooperação neste novo teatro. Nenhum poderá correr o risco de apresentar uma face que o diminua perante o eleitorado. Todos se prestarão construtivos mesmo na sua divergência de ideias, e deverão dizer "não" somente pelas suas convicções.
Diz-se que será um governo para durar dois anos, ou seja, até depois das eleições presidenciais. Discordo por razões de legitimidade e de jogada política. Mas isso depende tanto do que acontecer até lá e, acima de tudo, de quem as vencer. O certo é que o caminho está aberto para uma potencial candidatura de esquerda unida à volta de Manuel Alegre. Mas isso são contas de outro rosário.
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Pouca discussão sobre o futuro. Ou o medo do amanhã como arma de arremesso. Disparates, broncas, casos. Quase todos os partidos gritam e quase todos são contra uns e outros. Para além das naturais clivagens esquerda-direita, impressiona-me o modo como este "ser do contra" se processa. Contrapôr os erros do actual governo é essencial, mas quando nenhuma outra ideia dos adversários consegue passar para a opinião pública isso é degradar o combate político. O processo político não é só um debate em que se refuta o outro. É uma oportunidade constante de apresentar projectos, ideias, vontades. Nos debates televisivos vimos o costumeiro discurso do passado e nada sobre o futuro. Podem ter tudo exposto num "programa eleitoral" que ninguém lê - daí que não seja integralmente cumprido - mas as contas far-se-ão quando lá chegarem. Tudo pode ser sempre pior que se imagina.
Quando o PSD insiste em "falar verdade", está a chamar mentiroso a outro. Chamar nomes é fácil, e o inverso já nós vimos diversas vezes. Não prometer o que não pode fazer é música para os ouvidos, mas a oportunidade (de ouro) de Manuela Ferreira Leite perdeu-se quando ela não avançou em Junho de 2004, dando lugar ao descalabro Pedro Santana Lopes.
Passaram quatro anos e meio e, para além de diversas mudanças substanciais no país, a governação PS não trouxe aquilo que necessitaríamos. Atiram-nos com as conquistas das Novas Oportunidades (o modo como adultos obtém maior qualificação apenas os fará ficar bem consigo próprios - o que é bom- mas não lhes trará competências para melhorar as suas vidas); com o Magalhães, o computador minúsculo que adensa ainda mais a dependência em tecnologia não inteiramente adequada para os meninos, afastando-os de outros modos importantes de desenvolvimento intelectual e manual como escrever com lápis, ler em livros, fazer contas num papel e de cabeça. Para além de se tratar de um objecto ergonomicamente errado - ecran, teclado, dimensão. TGV, aeroporto e terceira ponte de Lisboa não são mais que laivos de novo-riquismo, como estradas, estradas, estradas, sem pensar como sempre, no longo prazo. Projectos imediatistas e mediáticos que comportam diversas dúvidas e com isso muito dinheiro. O que seria útil era renovar os serviços actuais da CP, oferecendo melhores serviços e alternativas ao transporte rodoviário. O confronto com as corporações - sim porque Portugal mantém-se corporativista, paradoxo democrático de tempos idos - apenas vingou contras as farmácias. Os professores e médicos tiveram um tratamento oblíquo que trouxe mais dissabores para todos, alunos, pais e pacientes incluídos. Trazer inglês, desporto e música foi boa política.
Mas no fim somos todos alvos de estatisticas, algo que este governo gosta muito. Recordam-se da campanha de António Guterres às legislativas de 1995 (que ganhou) onde afirmava que os "portugueses não são números" contra o último governo de Cavaco?
E é nisto que andamos. Pelo avanço (PS) ou pelo medo (PSD). A verdade contra a mentira. De pior em pior. Friamente podemos analisar a actual situação como um avanço incerto, com alguns recuos, mas todos alicerçados na falta endémica nacional de bases estruturais. Há muito para alterar que demora anos. Há demasiado em jogo para experiências.
E sempre contra algo. O PSD contra o PS. O CDS contra PS e BE. A CDU contra PS e BE. O BE contra todos, assim como a extrema-direita. Não se encontra algo a favor. Podem depois afirmar que são por Portugal. Mas falta demonstrarem ser a favor de Portugal.
Situo-me do lado da esquerda, democrática sublinhe-se. Mas não me revejo neste PS, como em textos anteriores já referi. A governação socrática perde-se na arrogância que se confunde com a proclamada determinação - necessária sim, mas por vezes sem objectivos claramente decisivos e correctos para o país.
É por isso que no novo espectro político nacional, poucos há que têm esta atitude: Construtiva e positiva. Realista mas optimista. Inclusiva e abrangente. Daí que o meu voto vá para o MEP, cujo presidente é Rui Marques (da missão Lusitânia Expresso a Timor, e ex-comissário para as minorias). O nome diz tudo - Movimento Esperança Portugal. Não é partido é movimento. Esperança, porque pela positividade nos devemos posicionar na vida. Encarar a política como missão a favor dos outros e de todos, com idealismo e pragmatismo, princípios, prioridades e solidariedade, uma cultura de pontes e diálogo, por um desenvolvimento humano sustentável, uma democracia mais próxima dos cidadãos. Portugal porque, para o bem e para o mal é onde vivemos, e todos os esforços devem ser envidados para fazê-lo melhor. Porque Melhor é Possível.
