2007-07-11

The Brand Gap, Marty Neumeier



www.neutronllc.com

The forgotten art of handwriting

Para quem como eu, sempre se pautou por trabalhar a letra e o prazer de, com uma caneta na mão, escrever, o uso do computador tem desvalorizado imenso esta habilidade.
Foi com muita curiosidade que li este excelente (mais um) texto de Robert Fisk, correspondente de guerra no Líbano, ao serviço do The Independent.

De facto, onde existirão hoje escritas elegantes e compostas, quando já nem cartas de amor resistem ao email? Lembramo-nos de ver as caligrafias de ilustres escritores, de escriturários, dos velhos professores e outras pessoas que cruzaram os nossos caminhos e invejávamos a refinada qualidade artística no acto de colocar palavras no papel.



Recordo-me do filme The Pillow Book de Peter Greenaway no qual a personagem principal Nagiko (Vivan Wu) inspirada na autora, Sei Shônagon, daquele famoso manuscrito medieval japonês, percorria o mundo à procura da escrita bela e extasiante - textos importantes nos alfabetos japonês, chinês, indiano eram escritos sobre o seu corpo num ritual erótico original, mas onde o alfabeto latino, em nada trabalhado como os outros, nunca lhe seduzira até encontrar Jerome (Ewan McGregor). A delicadeza e a profundidade dos nossos desejos mais íntimos, a descoberta da nossa identidade interior com a escrita como veículo, como Arte.

2007-07-04

Lusofonia

A Lusofonia tem tanto de comum como de diverso, elementos apaixonantes que nos transformam numa comunidade única no mundo e onde todo o potencial não foi ainda explorado, nem tão pouco institucionalizado de forma coerente e forte (como a Commonwealth inglesa) através da CPLP. O elo comum é a língua, matriz para uma cultura suis generis que, na sua multiplicidade é um território de identificação invulgar. Restrito temos estado ao trinómio Portugal-Brasil-África, sinónimo de uma certa estranheza geral, apenas vivida por cada um, e quando mais abrangente, é-o pelo lado mais comercial vulgo menos criativo/qualitativo.

O século XXI tem permitido uma maior fusão de ideias, maior cruzamento de elementos, crescente actividade entre três territórios com muito mais ligação que o oceano que os separa. Vemos alguns escritores - destacando José Eduardo Agualusa e Mia Couto, entre muitos outros - e principalmente na música (lista imensa) e na dança, iniciado primeiro entre Brasil e África, depois Portugal com África, e finalmente Portugal com Brasil. Aos poucos vai havendo consciência de algo maior que a distância, onde "a língua é a minha pátria" é um valor imenso e inexplorado. Cabe aos agentes culturais fomentar o evoluir de uma identidade lusófona, onde a utopia política tem falhado. Esta espantosa diversidade com imensas bases comuns, tem muito mais que os signos sol, calor, cor, exotismo. Tem o idioma, a riqueza cultural, a mestiçagem, a alegria, um projecto novo, modernidade e cidadania, urbanidade e tradição, tem pessoas, uma ideia de irmandade.

WOW Russia

2007-07-02

Threat within


O longo e atribulado fim-de-semana no Reino Unido demonstra - ao público em geral - como o inimigo não dorme. Apesar de que esses "inimigos" serem muitas vezes parte integrante da sociedade. E não há que espantar quando se descobre que alguns deles são médicos, apesar da verdaderia função que lhes incumbe - salvar vidas, não terminá-as. O ressentimento ignóbil e atroz atravessa tudo tornando-se ideologia cada vez mais inteligente e sarcástica. Todos os movimentos terroristas europeus dos anos 60 e 70 eram liderados por intelectuais, bem cientes da sua posição, bem claro quanto aos seus objectivos, onde qualquer meio se justificava para atingi-los. Terror é medo, e o medo instala-se sejam os atentados cumpridos ou falhados, o medo mantém-se cruel quando a ameaça não tem rosto, mas esse rosto vive entre nós.

Gordon Brown é herdeiro (involuntário?) desta luta. Blair legou-lhe muitas coisas, mas a ameaça sobre Britain é a maior. O início do seu governo foi "baptizado" por uma estratégia, não de todo surpreendente, mas por si só revelador de quão perigoso vivemos sob terrorismo do séc.XXI. São duros reveses na estabilidade da sociedade, podem ser o (re)início de fatais pregos para a democracia em nome da segurança. E isso é uma das vitórias dos radicais. Mas o falhanço destes atentados é uma vitória nossa, e sê-lo-á enquanto a preserverança dos valores democráticos e humanos forem as guidelines da civilização.

2007-07-01

Pour Dieu et Mon Droit: a new alliance


2007-06-29

Romã+Canela

Romã+Canela, sabor imenso
Restaurante em Leiria, com especialidade em crepes.



Conceito
Sedução, diversidade, qualidade
Elegância, simplicidade

Projecto
Identidade e assinatura
Comunicação e adminstrativo
Identificação exterior, decoração interior
Avental, individuais de mesa, menu



2007-06-28

Day One






2007-06-27

The end

2007-06-26

Mayra Andrade



Somos construídos por culturas mas também construtores de cruzamentos. A mestiçagem é o acto mais belo para a diversidade, raiz para a criação livre e pura da natureza humana.
A minha mais recente descoberta musical chama-se Mayra Andrade, cidadã do mundo o suficiente para me apaixonar. O seu albúm de estreia a solo - Navega - é contagiante: sentimos a magia crioula, a intensidade africana, a contemporaneidade dos sons afro-brasileiros, a síntese do jazz, a paixão do ritmo, a urbanidade da mestiçagem, o encanto de Cabo Verde.
Mayra vem este fim-de-semana ao AfricaFestival.

As canções podem ser ouvidas e lidas no site, também no MySpace
e vistas no YouTube



Entrevista

E aqui Parte 2, Parte 3 e Parte 4

África Festival

2007-06-21

Ordem nisto

Sim, é necessário regulamentar. Sim, é imperativo unir. Sim, é imprescindível criar normas deontológicas e éticas. Falta pôr tudo isto em ordem. Falta criar uma Ordem. Ao longo de anos os designers portugueses têm laborado de costas voltadas uns para os outros, mais no receio da concorrência do que na frontalidade de defender a sua profissão; e cada vez mais na sobrevivência num mercado a cada ano mais feroz e deprimente, do que na união de esforços para vencer as batalhas da competitividade. O 1º Encontro de Empresas de Design veio abertamente colocar em cima da mesa aspectos importantes da nossa actividade profissional - os concursos, a concorrência desleal, a natureza do mercado - que todos os dias enfrentamos e suamos, sem muitas vezes obter o devido valor e reconhecimento. Vendemos ideias, trabalhamos conceitos, propomos estratégias, muito para além do nosso ego (o que erradas vezes é sugerido), mas com toda a dedicação, envolvimento e energia ao serviço do nosso cliente, por conseguinte do mercado, para a sociedade, para o ambiente, para a funcionalidade, e last but not least para o bem da economia e do desenvolvimento. Todo o tempo dispendido é valor, todo o processo criativo é valor, toda a estratégia desenvolvida é valor. Mesmo hoje, quando finalmente se olha para o design como elemento potenciador da economia, e com o boom do branding, da melhor compreensão da imagem e da cultura, mesmo assim ainda observamos que o nosso trabalho não é devidamente dignificado. E porquê? Podemos retomar a velha questão dos défices de cultura visual e educacional, dos défices de cultura e visão empresariais, do défice da nossa economia. Sim, são factores muito importantes, condicionantes e irritantes. Mas existem meios ao nosso alcance para, no mínimo contornar estes problemas. Com legislação, normas, preceitos, e objectivos que defendam a profissão do designer e o trabalho de design e branding. No fim de contas é disso que se trata, aprovar e constituir de vez o que tantas outras profissões têm: uma Ordem. Num país que sofre de desorganização crónica, que tanto nós designers combatemos, até nisso temos vindo a ser, não vítimas, mas sim prevaricadores. Lutar pelos nossos direitos é tão legítimo como para qualquer outro trabalhador. Não defendo sindicatos ou corporativismos, longe disso. É assumir que é urgente discutir - para avançar - o que as associações de designers nacionais ainda não fizeram valer em quatro décadas desta actividade em Portugal. É também construir pontes credíveis entre o mercado e as universidades, é dignificar e regulamentar o exercício desta profissão, é assumir com coragem que o design é uma ferramenta estratégica para o bem da economia e da nação. Só então poderemos trabalhar em igualdade, dignidade e respeito.

2007-06-20

Simbologias


Quando se elabora uma identidade existem inúmeros factores a considerar. A construção de uma marca pressupõe avaliar os aspectos conceptuais, visuais, económicos, culturais e históricos até, tentando evitar semelhanças ou problemas, mas acima de tudo criar uma simbologia representativa da empresa ou de um produto numa forma única e original. Acontece que o imprevisto pode suceder - e neste caso, negativamente imprevisto. O Barclays está há alguns meses em negociação para a compra do banco ABN Amro que tornará a centenária instituição bancária inglesa na maior da Europa e numa das maiores do mundo. Mas surgiram agora pressões dentro da congénere holandesa para alterar (eliminar) a águia do logotipo do Barclays, isto porque se assemelha à águia Nazi, ocupante dos Países Baixos durante cinco longos anos na Segunda Guerra Mundial.
A notícia aqui.

2007-06-19

Novo livro de José Eduardo Agualusa: As Mulheres do Meu Pai



Excertos do novo romance de José Eduardo Agualusa
em pré-publicação na Origem das Espécies

Mais uma óptima capa de Henrique Cayatte

2007-06-18

Onde está a Esquerda e a Direita?

2007-06-15

Magna Carta


Surgiu como um tratado de paz entre o rei João, a aristocracia britânica e a Igreja Católica, de forma a garantir que o monarca respeitaria os privilégios feudais e apoiaria a liberdade religiosa.
Mas os princípios estabelecidos na Magna Carta, assinada em 1215, acabariam por assumir, muito mais tarde, um papel fundamental no desenvolvimento da história da democracia - a sua influência alcançou a Constituição dos EUA.
Com um preâmbulo e 63 cláusulas, o documento prevenia, por exemplo, qualquer ambição futura de implantar uma monarquia absolutista na Grã-Bretanha. Contudo, a assinatura desta espécie de cessar-fogo entre o rei e a aristocracia, apoiada pela Igreja, não evitou a eclosão de uma guerra civil, levando o rei João a praticamente ignorar as normas da Magna Carta.
Depois da morte do monarca, em 1216, foi o seu filho, Henrique III, quem decidiu recuperar o documento, acrescentando algumas alterações. Em 1217, o rei fez mais algumas mudanças na Magna Carta e conseguiu derrotar a rebelião dos nobres ingleses, pondo fim à guerra civil. Só em 1225, Henrique III determinou que as cláusulas (já revistas e alteradas) seriam introduzidas formalmente nos quadros legais do país.
Para as gerações posteriores, o maior legado da Magna Carta foi a constituição da figura do habeas corpus, uma garantia constitucional utilizada nos dias de hoje em todas as democracias modernas. Na Grã-Bretanha, porém, são ainda aplicadas três normas da versão de 1297 da Magna Carta: a liberdade religiosa; a garantia das "antigas liberdades" da cidade de Londres; e, finalmente, o direito de todos os cidadãos acederem a uma administração da justiça de acordo com as regras e os princípios estabelecidos.

in PÚBLICO 15.06.2007

2007-06-13

Rivalidade



Cartaz publicitário para os preservativos argentinos Tulipán.
Campeonato do Mundo de Futebol 2006.

2007-06-11

Leopard