Os candidatos:
Mário Soares
Sabido por todos da candidatura do Prof. Cavaco Silva, os avanços incertos por parte da área socialista fragilizaram-na em contraponto ao reforço da área da direita. Mas a reviravolta no PS, com a contra-candidatura de Mário Soares (sim, porque ele lança-se à corrida contra um homem e não pelo país, que com o seu killer instinct tanto massacrou Cavaco de forma grosseira e, deselegantemente Alegre, nos debates televisivos) demonstrou de novo, apesar do seu imenso gosto pela luta política, que passa por cima de quem entende. Há vinte anos foi com Zenha, em 2005 com Alegre. O acto de deslealdade faz parte da sua conduta,
e foi isso o golpe final para a sua mui nobre e histórica prestação política. Tenho os dois primeiros livros da entrevista biográfica com Maria João Avillez, sempre olhei Soares como um património vivo, que a par de Salazar e Cunhal, marcaram grande parte do séc.XX. A primeira vez que votei numa eleição presidencial, votei nele. Mas apesar disto, mesmo assim, entendo que a sua recandidatura, embora legítima e possível, não deveria ter lugar. A ideia de renovação deve prevalecer, a idade para mim não é transtorno, mas - mesmo sem coragem de figuras novas - Soares não deveria surgir de novo. O tempo é outro, tal como não pertecence ao de Cavaco. Conhecendo todos a suas posições sobre política nacional e internacional, a actividade na sua Fundação, todo o historial, o surgimento dele é, afinal, tão providencial como de Cavaco: "sempre presente nos momentos difíceis".
Cavaco Silva
O Prof. Cavaco demonstrou novamente o guião que tem, e quão frágil é quando colocado fora do alinhamento.
Mas o que conhecemos sobre homem? Apenas que tem uma visão economicista. Qual a sua opinião quanto à Europa e o Tratado Constitucional? Qual a sua posição quanto à guerra no Iraque? Como pensa sobre a luta contra o terrorismo e a Al-Qaeda? De que modo coloca Portugal e a Lusofonia no mundo? Nada. Não sabemos nada. Os dez anos de intervalo entre uma candidatura e outra foram, como afirma, de distanciamento político-partidário, que esteve a dar aulas. Mas isso impede-o de expôr publicamente a sua opinião, quando tantos, da direita à esquerda o ouviriam? Sabemos somente que quer propôr uma "cooperação estratégica" com o Governo. Mas isso é o quê, quando é o Executivo que desenha as estratégias nacionais?
No debate com Soares o homem ficou absolutamente nervoso (viram como as mão tremiam?), irado (quanto palavrões terão passado pela cabeça dele) e embaraçado (nunca esteve tão coradinho) face à deselegância política e grosseria educacional movida pelo octagenário.
Há dias vemo-lo cantar "Grândola Vila Morena", e no Porto grita à multidão que "o povo é quem mais ordena". Mas o que é isto? Está louco o homem?
Parece que o eleitorado português está a um renovar um provérbio - "quem vê caras não vê ideias" - e está tão cego com a ideia que ele, Cavaco, "vai endireitar isto" (como já ouvi tanta vez nas últimas semanas) que não entendem que direito ou torto é o Governo que governa o país.
Francisco Louçã, Jerónimo e Garcia Pereira
Outro campeonato, mas não sem deixar de dizerem "umas verdades", umas mais demagogas que outras, umas mais específicas para o seu reduto eleitoral. Trazem mais debate, mais palavra, mais entusiasmo. Qualquer contenda eleitoral não pode passar sem eles. Graças ao pluralismo que temos, podemos e devemos, mesmo que muitos discordem, ouvir as suas posições. Os dois primeiros são claramente candidatos contra Cavaco, e em certa medida contra Soares. Garcia Pereira é o candidato contra o sistema, a eterna voz das "perguntas que mais ninguém coloca". Possibilitam um muito maior interesse sobre a eleição e, obviamente sabendo cada um deles que não há qualquer hipótese de vencer - e muito menos calibre para serem PR - avançam com a convicção da luta das suas ideias e dos valores (da esquerda) assim como qualquer um de nós deve lutar por aquilo que acredita e julga ser melhor, sendo por isso, pelas suas atitudes exemplos de entrega e dedicação a causas que possam melhorar o país.
2006-01-16
2006-01-14
Perigo iraniano

A intenção, nitidamente maliciosa, de o Irão querer obter energia nuclear com o argumento de necessidades energéticas, mas é o 4º maior exportador de petróleo; quando nos últimos anos desenvolveu mísseis de médio alcance; e uma investigação secreta de quase vinte anos sobre o uso do nuclear como arma; um continuado impasse de negociações; esta semana o rompimento dos selos (colocados pela ONU) nas suas instalações nucleares; e por fim, alimentando - desde sempre aliás - uma hegemomia político(religioso)-militar na região, e intensificada por um recém-presidente radical e perigoso nas palavras, demonstram um grave problema para o futuro próximo. A instabilidade da área em nada precisava de mais esta ingógnita hostil. A intervenção americana no Irão e a luta com a Al-Qaeda também no Afeganistão, a recente situação em Israel, o impasse volátil no Líbano e na Síria, apenas saciam a vontade de ideologias extremistas para a desconfiança, a ameaça e a confrontação. A violência alimenta-se da violência e alicerçado no conceito das armas de dissuação (vulgo nucleares) a vontade do Irão de querer o que Israel (querido inimigo) tem, fazendo vista grossa - particularmente aos EUA, o inimigo-mor - como um puto estúpido que tem uma fisga e os outros não só para meter medo, configura-se como uma atitude de intensa volatibilidade, e cujas intenções hostis não estão descartadas de uso de facto. Vemo-nos, ainda no berço da civilização, confrontados com a incerteza dos dias futuros, onde a sede do poder e da hegemonia, a ideologia dos dogmas desviantes e absolutos se conjugam, que nos podem arrastar para noites longas e sangrentas. Levar o assunto ao Conselho de Segurança é um primeiro passo a dar. Há que estar atento. Muito atento.
2006-01-12
Presidenciais-2
Sebastianismo serôdio
Ao longo da última década vimos em Portugal altos (breves) e baixos (demasiados), onde algum sentimento de revolta, afastamento e desprezo pela política e pelos políticos aumentou significativamente.
E igualmente ao longo da última década houve uma elaborada e requintada construção de um mito novo. Como uma reciclagem silenciosa e estratégica, claramente com inteligência mas também alguma dose de sorte em virtude da descida constante dos mais diversos índices sociais e económicos do país.
Quando há dez anos se dizia Cavaco nunca mais, eis que hoje 50 a 60% do eleitorado deseja o seu regresso. Porquê? Mais pela descrença que os seus sucessores provocaram que pela memória pessoal e colectiva que dez anos de cavaquismo representaram para o país. Mas, paradoxalmente, igualmente por essa razão de uma década de trabalho que o professor desenvolveu, cujos resultados, bons e maus, eram perfeitamente visíveis. A imagem de intenso e dedicado PM contribuiu para re-consolidar uma memória colectiva de alguém que não brinca nunca em serviço, ao contrário de um que desistiu, outro que fugiu e um último que, esse sim, brincou com todos. Mas esquecem-se de que ele também desistiu. Antes da eleições de Outubro de 95, Cavaco deixou como sucessor um Fernando Nogueira fragilizado e armadilhado. Cavaco tentou uma fuga para a frente candidatando-se a Presidente, mas obteve uma estrondosa derrota. Mas essas eram outras circunstâncias, e o país mudou, a Europa mudou, o Mundo mudou. Muito. Tanto que os portugueses estão receptivos à ideia de colocar num orgão de soberania alguém que amaram e depois odiaram. Tanto que se esquecem de que, em avaliação constante, ao longo destes tais dez anos, Cavaco Silva é tão responsável como os que lhe sucederam - pela perda de oportunidade única e quase irrepetível para uma verdadeira e eficaz reforma da educação, do desenvolvimento sustentado, do ordenamento coordenado, de uma estratégia nacional estruturada e a longo prazo. Mas à ideia do homem-concretização, colou-se-lhe a imagética de homem-providencial (ou o regresso do homem do leme, lembram-se?). O país caiu de novo no messianismo sebastianista que tanto significa um sonho ilusoriamente ignorante - pois o próprio D.Sebastião foi um imenso incompetente, desbaratando as conquistas e abrindo caminho à perda da independência nacional, mas no qual a lenda ajudou a "limpar" a sua memória - como representa também algo que não se deve confundir com política. Podemos acreditar em homens certos, mas não em homens providenciais. Mas igualmente podemos entender que existem lugares errados para determinados candidatos.
Conflitualidade iminente
Um PR não pode afirmar que pode ajudar desta e daquela maneira como Cavaco tem dito. Está, como afirma insistentemente Mário Soares, a enganar o eleitorado. Creio que apesar da boa vontade de Cavaco, a ideia que possui do exercício do cargo pode esbarrar a partir de determinada altura numa reacção negativa de Sócrates, criando-se um "sarilho institucional" como afirmou Santana (numa atitude vingativa, mas acertada). Cavaco demonstra uma ideia para o PR acima das reais possibilidades, entendo-a como orientadora e professoral. Ora aí está profundamente errado. O Presidente pode demonstrar as suas ideias, as suas visões, mas nunca, como indicia nas suas palavras, condicionar uma política para o país a partir do Palácio de Belém. Não temos um regime presidencial como o francês, e claramente as acções que Cavaco Silva defende podem ir para além das competências de um PR, e promovendo uma conflitualidade iminente com o Primeiro-Ministro e o Governo.
Ao longo da última década vimos em Portugal altos (breves) e baixos (demasiados), onde algum sentimento de revolta, afastamento e desprezo pela política e pelos políticos aumentou significativamente.
E igualmente ao longo da última década houve uma elaborada e requintada construção de um mito novo. Como uma reciclagem silenciosa e estratégica, claramente com inteligência mas também alguma dose de sorte em virtude da descida constante dos mais diversos índices sociais e económicos do país.
Quando há dez anos se dizia Cavaco nunca mais, eis que hoje 50 a 60% do eleitorado deseja o seu regresso. Porquê? Mais pela descrença que os seus sucessores provocaram que pela memória pessoal e colectiva que dez anos de cavaquismo representaram para o país. Mas, paradoxalmente, igualmente por essa razão de uma década de trabalho que o professor desenvolveu, cujos resultados, bons e maus, eram perfeitamente visíveis. A imagem de intenso e dedicado PM contribuiu para re-consolidar uma memória colectiva de alguém que não brinca nunca em serviço, ao contrário de um que desistiu, outro que fugiu e um último que, esse sim, brincou com todos. Mas esquecem-se de que ele também desistiu. Antes da eleições de Outubro de 95, Cavaco deixou como sucessor um Fernando Nogueira fragilizado e armadilhado. Cavaco tentou uma fuga para a frente candidatando-se a Presidente, mas obteve uma estrondosa derrota. Mas essas eram outras circunstâncias, e o país mudou, a Europa mudou, o Mundo mudou. Muito. Tanto que os portugueses estão receptivos à ideia de colocar num orgão de soberania alguém que amaram e depois odiaram. Tanto que se esquecem de que, em avaliação constante, ao longo destes tais dez anos, Cavaco Silva é tão responsável como os que lhe sucederam - pela perda de oportunidade única e quase irrepetível para uma verdadeira e eficaz reforma da educação, do desenvolvimento sustentado, do ordenamento coordenado, de uma estratégia nacional estruturada e a longo prazo. Mas à ideia do homem-concretização, colou-se-lhe a imagética de homem-providencial (ou o regresso do homem do leme, lembram-se?). O país caiu de novo no messianismo sebastianista que tanto significa um sonho ilusoriamente ignorante - pois o próprio D.Sebastião foi um imenso incompetente, desbaratando as conquistas e abrindo caminho à perda da independência nacional, mas no qual a lenda ajudou a "limpar" a sua memória - como representa também algo que não se deve confundir com política. Podemos acreditar em homens certos, mas não em homens providenciais. Mas igualmente podemos entender que existem lugares errados para determinados candidatos.
Conflitualidade iminente
Um PR não pode afirmar que pode ajudar desta e daquela maneira como Cavaco tem dito. Está, como afirma insistentemente Mário Soares, a enganar o eleitorado. Creio que apesar da boa vontade de Cavaco, a ideia que possui do exercício do cargo pode esbarrar a partir de determinada altura numa reacção negativa de Sócrates, criando-se um "sarilho institucional" como afirmou Santana (numa atitude vingativa, mas acertada). Cavaco demonstra uma ideia para o PR acima das reais possibilidades, entendo-a como orientadora e professoral. Ora aí está profundamente errado. O Presidente pode demonstrar as suas ideias, as suas visões, mas nunca, como indicia nas suas palavras, condicionar uma política para o país a partir do Palácio de Belém. Não temos um regime presidencial como o francês, e claramente as acções que Cavaco Silva defende podem ir para além das competências de um PR, e promovendo uma conflitualidade iminente com o Primeiro-Ministro e o Governo.
2006-01-11
Macworld San Francisco 2006

A pureza da simplicidade ao serviço da tecnologia e vice-versa.
Um dia todo o mundo será um lindo universo Mac.
Apresentação de Steve Jobs na Macworld San Francisco 2006.
Novidades:
iLife'06, iWeb, iPod FM, MacBook Pro, Intel Core Duo 4X faster e muito mais
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Victor Barreiras
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Apple
2006-01-10
Presidenciais-1
Desde há algum tempo que tenho evitado comentar sobre política. A overdose do ano passado, as incertezas, desilusões e outras ilusões, visões abertas e saudáveis de outras realidades, levaram-me a colocar de lado, quase ignorar, o recente percurso político nacional. Mas a questão das eleições presidenciais, tendo em conta os inesperados desenlaces ocorridos e as candidaturas em disputa forçam-me a tomar opiniões, divergências e escolhas.
Por esta altura o ano passado, o país vivia o culminar de meses de intensa e radicalizada discussão, como há muito não se vislumbrava por estas paragens. Delirante por vezes, excitante outras, acabou por esgotar psicologicamente a nação, tentando desse modo encerrar o desvio Santana com a maioria absoluta Sócrates. Durante diversos meses, conseguimos respirar de alívio pelo sossego intelectual e ideológico, não sem no entanto, cedo mergulharmos de novo (apesar do regresso do Benfica campeão) no fatalismo e na inconsequência colectiva apesar do esforço diário, quer pelo ADN, quer pelas medidas do Governo. Contudo chegou finalmente a inércia total do verão, onde só os incendiários e os bombeiros se esforçam.
Mas logo depois, eis as eleições autárquicas. Muito barulho, muito lixo.
De seguida uma (longa) pré-campanha para a eleição presidencial, onde à partida tudo parece estar escolhido, decidido, entendido, no qual ainda há pouquíssimos dias entrámos na recta final.
Mas qual o sentido da figura do Presidente da República, quando tantos o entendem como fundamental, mas onde outros o vêem como inútil? Entre a soberania política, o factor simbólico, o defensor do regime democrático, árbitro das regras instituicionais e de governação, estará este cargo desde sempre sobreestimado por todos? Até onde vai o poder concreto (para além da "bomba-atómica", vulgo dissolução da AR) do PR no regime e na observância dos valores e leis da Constituição? Grande parte do país pensa que o Presidente ostenta o tacho-mor e um dolce fare niente. Mas a ignorânica de tantos não vale nada perante a real importância do cargo. Argumentos vários se podem apresentar com os diversos exemplos pós-25 de Abril, a favor e contra. Assim como o alargar dos poderes e da intervenção do PR perante a sociedade, a Assembleia e sobre o Executivo. Tudo isto se tem falado nesta pré-campanha pelos candidatos, pelos analistas, pelos jornalistas, pelas pessoas. Tal como tantos assuntos de maior e (muito) menor importância, e muitos que nunca vêem à baila, pelo que por tanta vez se foge à verdadeira dimensão do cargo, ora colocando-o sempre acima das suas competências, ora colocando-o abaixo da sua importância, sobrevalorizando uns candidatos, subestimando outros, num contexto de muito pouco vislumbre político para o futuro e mais de com um estranho messianismo unificador, afinal o pecado luso por tantas ilusões e fantasias.
Por esta altura o ano passado, o país vivia o culminar de meses de intensa e radicalizada discussão, como há muito não se vislumbrava por estas paragens. Delirante por vezes, excitante outras, acabou por esgotar psicologicamente a nação, tentando desse modo encerrar o desvio Santana com a maioria absoluta Sócrates. Durante diversos meses, conseguimos respirar de alívio pelo sossego intelectual e ideológico, não sem no entanto, cedo mergulharmos de novo (apesar do regresso do Benfica campeão) no fatalismo e na inconsequência colectiva apesar do esforço diário, quer pelo ADN, quer pelas medidas do Governo. Contudo chegou finalmente a inércia total do verão, onde só os incendiários e os bombeiros se esforçam.
Mas logo depois, eis as eleições autárquicas. Muito barulho, muito lixo.
De seguida uma (longa) pré-campanha para a eleição presidencial, onde à partida tudo parece estar escolhido, decidido, entendido, no qual ainda há pouquíssimos dias entrámos na recta final.
Mas qual o sentido da figura do Presidente da República, quando tantos o entendem como fundamental, mas onde outros o vêem como inútil? Entre a soberania política, o factor simbólico, o defensor do regime democrático, árbitro das regras instituicionais e de governação, estará este cargo desde sempre sobreestimado por todos? Até onde vai o poder concreto (para além da "bomba-atómica", vulgo dissolução da AR) do PR no regime e na observância dos valores e leis da Constituição? Grande parte do país pensa que o Presidente ostenta o tacho-mor e um dolce fare niente. Mas a ignorânica de tantos não vale nada perante a real importância do cargo. Argumentos vários se podem apresentar com os diversos exemplos pós-25 de Abril, a favor e contra. Assim como o alargar dos poderes e da intervenção do PR perante a sociedade, a Assembleia e sobre o Executivo. Tudo isto se tem falado nesta pré-campanha pelos candidatos, pelos analistas, pelos jornalistas, pelas pessoas. Tal como tantos assuntos de maior e (muito) menor importância, e muitos que nunca vêem à baila, pelo que por tanta vez se foge à verdadeira dimensão do cargo, ora colocando-o sempre acima das suas competências, ora colocando-o abaixo da sua importância, sobrevalorizando uns candidatos, subestimando outros, num contexto de muito pouco vislumbre político para o futuro e mais de com um estranho messianismo unificador, afinal o pecado luso por tantas ilusões e fantasias.
2006-01-09
Novo DN

Design editorial da equipa de Henrique Cayatte
"... procura não só uma melhor interacção com o trabalho dos jornalistas, como quer estabelecer pontes eficazes enre texto e as diferentes expressões da imagem. Da fotografia ao cartoon, da ilustração à infografia.
Por tudo isto a legibilidade e a clareza de leitura impoõem-se. Assim escolhemos três alfabetos tipográficos nacionais, que , nas suas diferentes utilizações, procuram grafar o texto evitando "ruído" entre a construção da informação e a sua leitura."

Tipos de Mário Feliciano
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Victor Barreiras
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Design-Editorial
2006-01-06
The fall of Falcon-Sharon ou a Terra da Instabilidade

Quando Ariel Sharon entrou no Pátio das Mesquitas em Setembro de 2000, precipitou Israel e a Palestina numa nova etapa, daquelas que (demasiado) ciclicamente transformam tudo, causando bastante temor para os tempos vindouros. O Likud venceu as eleições face ao enfraquecido Labour, e a partir daqui foi o que todos sabemos. A complexa situação da Terra Santa face à arrogância dos Homens que invocam a fé a par da vingança - quer de um lado, quer do outro - afinal povos irmãos, como os cristãos, filhos de um mesmo Deus, continuamente colocam tudo e todos em sobressalto, pois o que ali se passa é um epicentro político de mais importância que muita gente julga. A Terra Prometida é nada mais que a Terra da violência, da inexistência de liberdade e futuro, dos dias de sobrevivência vividos como se fossem o último, do ódio e do desprezo. Sharon eliminou o Processo de Paz número 3 mil e tal (quantos mais serão necessários?), construiu o Muro Opressor (no entanto tem conseguido afastar os ataques, but what goes up wil come down). Mas com coragem retirou de Gaza, que contudo não deixa de ser um presente envenenado, como se tem visto nas últimas semanas.
Nunca apreciei Sharon, sempre o considerei um homem perigoso. Deu uma nova definição a Eretz Israel (uma utopia como qualquer outra, irrealizável) retirando de Gaza, isolando a Cisjordânia e não abdicando de Jerusalém, com isso invialibilizando tecnicamente um futuro Estado da Palestina e assegurando a soberania político-militar e "moral" sobre a região.
O terramoto político da criação do one-man-party Kadima, agora com a sua grave situação clínica parece que não irá sobreviver sem o seu mentor. O rumo do destino parece querer evitar uma vitória certa de um renovado (?) Sharon, empenhado em sustentar as suas políticas (unilaterais) de "pacificação" (mas com resultados positivos) de braço dado com Peres Nobel da Paz (cujo valor eleitoral é inferior em muito ao seu valor político) nas próximas eleições de Março. E se Sharon se vir incapacitado, ou eventualmente - para gáudio do Hamas - morrer? Peres não é solução, perdedor tradicional, diz-se em Israel que se concorresse consigo próprio também perderia. O Labour ainda não terá força suficiente. Mas numa infeliz repetição da História, o (abominável) Netanyahu pode subir de novo ao poder (como quando após o assassinato de Rabin há 10 anos atrás). Com isso contará novamente com a preciosa ajuda de diversos ataques dos grupos extremistas palestinianos, ainda mais motivados com a radicalização do Irão e do conceito Al-Qaeda. Mas estará a sociedade israelita motivada para a paz, ou iludida para a radicalização (ou vice-versa)?
Com a queda do falcão, afinal o menos mau - parece a Rússia desde Gorbatchov - da direita israelita (!) poderá mergulhar-nos para novas e incertas evoluções negativas. A Terra Prometida da Paz e da Liberdade continuará uma miragem. Ou também é uma utopia?
2006-01-05
blogs de arquitectura
Eis links para blogs de muito interesse sobre e de arquitecura:
postHABITAT
ArchWorks
BLDGBLOG
Via [a barriga de um arquitecto]
postHABITAT
ArchWorks
BLDGBLOG
Via [a barriga de um arquitecto]
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Victor Barreiras
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2006-01-01
Excelente 2006

Não fosse o aquecedor ao meu lado
e aqui estaria tanto frio como no ártico...
[Portfolio: ilustração]
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Victor Barreiras
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2005-12-27
irreversible
Ontem por fim surgiu a oportunidade de ver uma longa-metragem perturbante e brutal. Filme nada natalício, "Irreversible" é uma produção francesa onde se explora ao extremo as emoções violentas e vingadoras, da dor, do amor e da insanidade humanas. Surpreendeu, mesmo com expectativas positivas à partida. Mas foi muito duro de ver, à violência física junta-se a violência psicológica tanto ou mais perturbante - afinal de contas, um breve retrato da nossa condição humana. É daqueles filmes que nos sufoca ao mesmo tempo que não nos deixará nunca indiferentes, intenso e inteligente, que ou se ama ou se odeia - tal como "Breaking the Waves/Ondas de Paixão" de Lars von Trier, "Crash" de David Cronenberg e outro "Crash" de Paul Haggis.
Com um começo estonteante, num nível de violência inseperada, caminha - embora já visto em filmes anteriores - para trás no tempo, no qual nós espectadores vamos compreendendo melhor a narrativa, conhecendo a densidade e a evolução das personagens (inteligente como "Memento"), acabando num oposto de paz e de esperança que o fim - ou seja, o ínicio do filme - em nada deixa antever, e tão pouco nos deixa mais confortáveis. A condução narrativa da película faz perfeita justiça ao título, irreversível é o curso dos acontecimentos, seja na ficção, seja afinal na nossa realidade. Não existe o retorno onde possamos evitar o mal que nos surge. É também bastante inteligente a dimensão da fúria e da violência, que é de um paradoxo abissal - tão psicologicamente inexplicável numas situações, como aceitável noutras. Até onde poderemos ir quando perdemos a cabeça? Até quando conseguimos aguentar a dor que nos sufoca? No primitivismo básico da violência que reside em cada um de nós, haverá alguma vez esperança que o mal deixe de habitar a sociedade?
Na sinopse:
Parce que certains actes sont irreparables. Parce que l'homme est un animal. Parce que le desir de vengeance est une pulsion naturelle. Parce que la plupart de crimes restent impunis. Parce que la perte de l'étre aime detruit comme la foudre. Parce que que l'amour este source de vie. Parce que que toute histoire s'ecrit avec du sperme et du sang. Parce que que les premonitions ne changent pas le cours des choses. Parce que que le temps revele tout, le pire et le meilleur.
Produção francesa de 2002, galardoado em realização e história de Gaspar Noé
Com Monica Belluci, Vincent Cassel, Albert Dupontel nos principais papeis
Comunicação gráfica do filme está igualmente muito bem conseguido.
Com um começo estonteante, num nível de violência inseperada, caminha - embora já visto em filmes anteriores - para trás no tempo, no qual nós espectadores vamos compreendendo melhor a narrativa, conhecendo a densidade e a evolução das personagens (inteligente como "Memento"), acabando num oposto de paz e de esperança que o fim - ou seja, o ínicio do filme - em nada deixa antever, e tão pouco nos deixa mais confortáveis. A condução narrativa da película faz perfeita justiça ao título, irreversível é o curso dos acontecimentos, seja na ficção, seja afinal na nossa realidade. Não existe o retorno onde possamos evitar o mal que nos surge. É também bastante inteligente a dimensão da fúria e da violência, que é de um paradoxo abissal - tão psicologicamente inexplicável numas situações, como aceitável noutras. Até onde poderemos ir quando perdemos a cabeça? Até quando conseguimos aguentar a dor que nos sufoca? No primitivismo básico da violência que reside em cada um de nós, haverá alguma vez esperança que o mal deixe de habitar a sociedade?
Na sinopse:
Parce que certains actes sont irreparables. Parce que l'homme est un animal. Parce que le desir de vengeance est une pulsion naturelle. Parce que la plupart de crimes restent impunis. Parce que la perte de l'étre aime detruit comme la foudre. Parce que que l'amour este source de vie. Parce que que toute histoire s'ecrit avec du sperme et du sang. Parce que que les premonitions ne changent pas le cours des choses. Parce que que le temps revele tout, le pire et le meilleur.
Produção francesa de 2002, galardoado em realização e história de Gaspar Noé
Com Monica Belluci, Vincent Cassel, Albert Dupontel nos principais papeis
Comunicação gráfica do filme está igualmente muito bem conseguido.
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Victor Barreiras
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Cinema
neste Natal
Chega de Saudade, MeloD
In the Mood for Love, banda sonora do filme de Wong Kar-Wai
Segundo, Maria Rita
Nightmare before Christmas, Tim Burton (BD, edição Manga)
O Quadrado, Manuel Alegre
Poesia, Eugénio de Andrade (toda a obra, edição final)
Jonathan Strange e o Sr.Norrell, Susannah Clarke
In the Mood for Love, banda sonora do filme de Wong Kar-Wai
Segundo, Maria Rita
Nightmare before Christmas, Tim Burton (BD, edição Manga)
O Quadrado, Manuel Alegre
Poesia, Eugénio de Andrade (toda a obra, edição final)
Jonathan Strange e o Sr.Norrell, Susannah Clarke
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Victor Barreiras
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Literatura,
Musica
2005-12-26
um ano depois

A tragédia do tsunami é um daqueles dias que nunca esquecerei, figurando na minha agenda dos dias históricos (ora bons, ora maus).
"Só há uma liberdade, fazer as contas com a morte. Depois disso, tudo é possível. Não posso forçar-te a crer em Deus. Crer em Deus é aceitar a morte. Quando tiveres aceitado a morte, o problema de Deus ficará resolvido por si - e não o inverso."
Albert Camus, in 'Cadernos'
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Victor Barreiras
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Globo
2005-12-23
Provocação 2

Na senda de exercícios anteriores, imaginem:
E se Manuel João Vieira conseguisse de facto participar na campanha presidencial como candidato? Na loucura da imaginação, se o desprezo da população em relação à política (com ou sem Cavaco) permitisse um resultado considerável para este "ídolo da música" dos EnaPá200 e Irmãos Catita? Mas se ganhasse, ele desistiria mesmo? Até onde poderia ir a sua acultilância e o seu absurdo? Conseguem visualizar um potencial debate televisivo - o mais certo seria os candidatos sérios recusar-se a participar em "tal fantochada".
Até que ponto podemos encarar a dimensão actual da política? Poderá cair bem fundo onde apenas a sátira e a inconsequência podem valer mais votos que a (desaparecida) pureza da política?
Já os conheces de gingeira, vota Vieira?
2005-12-22
Burton fantástico
Tim Burton é um realizador que há muito admiro. Suis generis, é um criativo fantástico, responsável por obras-primas como Edward Scissorhands, Batman, Ed Wood, Vincent, the Nightmare before Christmas, Mars Attacks. Ainda não vi Big Fish e Charlie and the Chocolate Factory (Planet of the Apes é um produto tecnicamente bem desenvolvido mas narrativamente inferior).
Este Natal, Burton surge de novo com uma maravilhosa história, em animação stop-motion (uma fabulosa técnica artesanal) chamada The Corpse Bride (A Noiva Cadáver). O mundo louco e fantástico surge de novo através do seu actor-fetiche (magnífico) Johnny Depp dando voz à personagem principal, levando-nos a uma atmosfera insólita e fantasmagórica no interior da Inglaterra do séc.XIX. Estreia hoje.
Este Natal, Burton surge de novo com uma maravilhosa história, em animação stop-motion (uma fabulosa técnica artesanal) chamada The Corpse Bride (A Noiva Cadáver). O mundo louco e fantástico surge de novo através do seu actor-fetiche (magnífico) Johnny Depp dando voz à personagem principal, levando-nos a uma atmosfera insólita e fantasmagórica no interior da Inglaterra do séc.XIX. Estreia hoje.
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Victor Barreiras
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Cinema
2005-12-19
[a barriga de um arquitecto]

Há blogs onde a visita diária é uma constante. Pela qualidade de conteúdos, pela exigência visual. Com dois anos de existência e com grande inteligência e virtuosismo [a barriga de um arquitecto] tem sido uma excelente fonte de aprendizagem, conhecimento e participação. Muitos parabéns Daniel!
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Victor Barreiras
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2005-12-07
2005-12-01
Provocação
Terá sido mesmo a melhor solução Portugal ter reconquistado a sua independência em 1640?
1. Desenvolvimento
Foi uma revolução perdida para um melhor desenvolvimento nacional? Uma última oportunidade estatégica conjunta que nuestros hermanos nos ofereceram e que por cá se optou por desbaratar?
2. Personalidade nacional
Ou apesar da união, o povo destas paragens ocidentais da Ibéria continuaria a ter (apesar da sua cultura, como os catalães) os mesmos tiques de novo-rico, os costumes de incivismo, os mesmos baixos padrões de pessimismo e incompetitividade?
3. Territorialidade
Seria Portugal uma grande região autonómica à semelhança das suas fronteiras actuais? Ou, por exemplo, o norte faria parte da Galiza sendo Porto e Braga tão importantes com Compostela e Vigo; o centro com capital florescente em Lisboa, mas igualmente com cidades desenvolvidas como Santarém e Viseu; o Alentejo e o Algarve como as restantes regiões? E claro, Açores e Madeira não deixariam de ser como hoje o são, ou teriam de alguma forma tentado a sua própria independência?
4. Inevitabilidade
Ou mais tarde ou mais cedo, as terras lusas seriam donas do seu nariz à mesma?
1. Desenvolvimento
Foi uma revolução perdida para um melhor desenvolvimento nacional? Uma última oportunidade estatégica conjunta que nuestros hermanos nos ofereceram e que por cá se optou por desbaratar?
2. Personalidade nacional
Ou apesar da união, o povo destas paragens ocidentais da Ibéria continuaria a ter (apesar da sua cultura, como os catalães) os mesmos tiques de novo-rico, os costumes de incivismo, os mesmos baixos padrões de pessimismo e incompetitividade?
3. Territorialidade
Seria Portugal uma grande região autonómica à semelhança das suas fronteiras actuais? Ou, por exemplo, o norte faria parte da Galiza sendo Porto e Braga tão importantes com Compostela e Vigo; o centro com capital florescente em Lisboa, mas igualmente com cidades desenvolvidas como Santarém e Viseu; o Alentejo e o Algarve como as restantes regiões? E claro, Açores e Madeira não deixariam de ser como hoje o são, ou teriam de alguma forma tentado a sua própria independência?
4. Inevitabilidade
Ou mais tarde ou mais cedo, as terras lusas seriam donas do seu nariz à mesma?
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