2006-04-01

Happy 30th anniversary Apple!

"The Macintosh is more than a computer. It's a way of life"
Steve Wozniak, co-fundador da Apple


April 1st, 1976-2006
30 years of tech-adventure

Para mim é-o desde 1994. É uma paixão, uma ferramenta de trabalho e de lazer únicos, absolutamente fiável e funcional.

2006-03-30

como o Diabo no corpo



Instalar o Windows no Mac!? Entendo a curiosidade e prova científica das capacidades do novo processador Intel - transição pelo qual não fui contra. Mas, para quê?

2006-03-23

Os excluídos

"Quem comete um erro é excluído; é fechado dentro de uma caixa. Quem está fora vê apenas a caixa. Mas quem está fechado, excluído, consegue ver cá para fora. Vê tudo, vê-nos a todos.
Em cada compartimento há dezenas de caixas. Milhares de caixas por todo o lado. A maior parte delas vazia. Outras têm lá dentro pessoas excluídas. Ninguém sabe quais as caixas que têm pessoas.
As caixas são tantas que ninguém lhes dá importância. Pode estar lá uma pessoa, até a que amas, mas nem olhas. Já não produzem efeito. Passas por elas centenas de vezes."

Gonçalo M. Tavares,
in "Jerusálem"

Sem acção, de nada vale a inteligência

"Os conhecimentos ouvem-se, mas para agir a capacidade de audição é praticamente desprezável. Porque agir é estar próximo das coisas e ouvir é estar afastado das coisas. Alguém que apenas ouve será considerado um intruso no mundo, a Natureza não se sentirá ameaçada. Quem ouve poderá acumular conhecimentos, mas essa acumulação não lutará com a Natureza. Esta resiste bem à inteligência, ao raciocínio e à memória do Homem: todas estas qualidades intelectuais são assuntos que dizem respeito exclusivamente ao mundo da cidade, e o que ameaça a Natureza são as acções: os momentos em que os humandos abandonam a audição, e mesmo a linguagem do discurso, e passam a querer falar com o tacto: o único que pode alterar as coisas. "

Gonçalo M. Tavares,
in "Um Homem: Klaus Klump"

Minhas tardes africanas



Via RDP Àfrica (online). Das 14 às 17. Às segundas "Oceano Índigo". Terça a sexta "Música sem Espinhas".
Pela diferença, pelo ecletismo, pela curiosidade, pela paixão.

2006-03-21

Muda de vida ou muda de poema

"Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.
Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema."

Gonçalo M. Tavares,
in "A Perna Esquerda de Paris"

Poets Against War


Poets Against War continues the tradition of socially engaged poetry
by creating venues for poetry as a voice against war, tyranny and oppression.

Dia Mundial da Poesia

poema

Os pássaros de Londres
cantam todo o inverno
como se o frio fosse
o maior aconchego
nos parques arrancados
ao trânsito automóvel
nas ruas da neve negra
sob um céu sempre duro
os pássaros de Londres
falam de esplendor
com que se ergue o estio
e a lua se derrama
por praças tão sem cor
que parecem de pano
em jardins germinando
sob mantos de gelo
como se gelo fora
o linho mais bordado
ou em casas como aquela
onde Rimbaud comeu
e dormiu e estendeu
a vida desesperada
estreita faixa amarela
espécie de paralela
entre o tudo e o nada
os pássaros de Londres
quando termina o dia
e o sol consegue um pouco
abraçar a cidade
à luz razante e forte
que dura dois minutos
nas árvores que surgem
subitamente imensas
no ouro verde e negro
que é sua densidade
ou nos muros sem fim
dos bairros deserdados
onde não sabes não
se vida rogo amor
algum dia erguerão
do pavimento cínzeo
algum claro limite
os pássaros de Londres
cumprem o seu dever
de cidadãos britânicos
que nunca nunca viram
os céus mediterrânicos



Mário Cesariny
Poemas de Londres
Pena Capital
2ª edição
Assírio & Alvim
1999


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Casa


Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.



David Mourão Ferreira
Infinito Pessoal
(1959-1962)
Obra Poética
1948-1988
4.º Edição
Editorial Presença

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Há Dias

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer :
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.



Eugénio de Andrade
in "Os lugares de Lume"

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Burnt Norton
V

As palavras movem-se, a música move-se
Apenas no tempo; mas o que apenas vive
Apenas pode morrer. As palavras, depois de ditas,
Alcançam o silêncio. Apenas pela forma, pelo molde,
Podem as palavras ou a música alcançar
O repouso, tal como uma jarra chinesa ainda
Se move perpetuamente no seu repouso.
Não o repouso do violino, enquanto a nota dura,
Não isso apenas, mas a coexistência,
Ou digamos que o fim precede o princípio,
E que o fim e o princípio estiveram sempre ali
Antes do princípio e depois do fim.
E tudo é sempre agora. As palavras deformam-se,
Estalam e quebram-se por vezes, sob o fardo,
Sob a tensão, escorregam, deslizam, perecem,
Definham com imprecisão, não se mantêm,
Não ficam em repouso. Vozes estridentes
Ralhando, troçando, ou apenas tagarelando,
Assaltam-nas sempre. O Verbo no deserto
É muito atacado por vozes de tentação,
A sombra que chora na dança funérea,
O clamoroso lamento da quimera desconsolada.

T.S. Elliot
Quatro Quartetos
Tradução de Maria Amélia Neto
3ª edição
EDIÇÕES ÁTICA
1983

2006-02-27

Lost 2ª série



Finalmente de regresso, a RTP1 coloca no ar a partir de terça 28 Fevereiro, às 23:30, a segunda série desta extraordinária e galardoada história de um grupo deveras heterogéneo que sobrevive a uma queda de avião numa ilha algures no Pacífico. Mas não é um local idílico: perdidos na incerteza do que aquele território esconde e os coloca em perigo, "Lost" ("Perdidos") é uma genial recriação da "Ilha Misteriosa" de Verne levado ao limite da imaginação e do suspense, recheado de surpreendentes volte-faces narrativos e descrições histórico-psicológicas muito bem elaboradas das diversas personagens. Criada por J. J. Abrams e Damon Lindelof que também criaram "Alias" e "Crossing Jordan", "Lost" é uma excelente série dramática de grande acção e aventura, que mostra o que de melhor e pior existe nas pessoas quando estão perdidas... A não perder.
De assinalar que "Perdidos" foi considerada a melhor série dramática de 2005, arrecadando seis Emmys.



PS- Já temos há algumas semanas a quarta série de "24" e "Roma", ambas na 2:
Mas ainda falta a SIC colocar "Desperate Housewives"-II, e a SIC-Radical o remake de "Galactica".

2006-02-23

Apocalipse now?

De tanta ameaça, incerteza e malícia surgida desde 9/11, não estaremos já sob os indícios de um longo fim?

2006-02-22

Prémios da Society for News Design 2005


Os títulos britânico The Guardian e o polaco Rzeczpospolita foram considerados pela Society for News Design (SND) como os jornais com melhor design do mundo em 2005. Um júri constituído por cinco designers da sociedade norte-americana escolheu os dois diários entre 389 jornais de 44 países espalhados pelo globo considerando-os como os jornais "quase perfeitos", segundo o comunicado publicado no site da SND.

"Wow! As soon as The Guardian came out of the bag we all knew it would be a winner. Right away it looks like a newspaper designed for the 21st century." A descrição é do júri, que considerou que o diário londrino "brilha com luz própria, e o seu formato berliner é muito manejável e fácil de ler. O uso da fotografia é forte, os títulos estão bem escritos, são inteligentes e encaixam perfeitamente com as imagens."

O outro vencedor, o diário de Varsóvia Rzeczpospolita, é classificado como "belo e intemporal". Considerado um dos maiores títulos diários polacos, com uma circulação de 180 mil exemplares, o Rzeczpospolita é o exemplo da "adaptação às notícias mantendo ao mesmo tempo um aspecto limpo e fresco". O seu leitor típico tem entre 25 e 45 anos e tem um alto nível de escolaridade. "O desenho de cada secção reflete o seu conteúdo": na secção de Negócios predomina o verde e as soluções gráficas são "conservadoras, mas atraentes", e, por exemplo, a rubrica sobre legislação caracteriza-se por um tom amarelo - o grafismo, cores e lettering de cada secção funcionam muito bem em conjunto e conferem-lhe uma identidade especial, consideram os designers da SND. O jornal, acrescentam, mantém "de forma admirável, o legado da tradição visual da Europa de Leste" nas numerosas páginas de opinião e comentário.

Fonte: Público

Champions: forever


O destino tem destas coisas. Novamente Chelsea e Barcelona se defrontam nos oitavos-de-final para a UEFA Champions League. É um cliché, mas é uma final antecipada.

1ª mão, Quarta 22 Fevereiro
Chelsea 1 - Barcelona 2
Stamford Bridge, Londres
19:45
SportTV

2ª mão, Terça 06 Março
Barcelona 1 - Chelsea 1
Camp Nou, Barcelona
19:45
SportTV

2006-02-17

Democracia x Dogma VII

(...) esta crise é reveladora de uma certa evolução da política externa europeia. A Europa tornou-se um alvo principal da ira islamista, no mínimo, ao mesmo título que os EUA e Israel. "Europa, o teu 11 de Setembro vai chegar", gritavam manifestantes em Londres, onde nem um só jornal publicou as caricaturas. Sem querer minimizar o sentimento de indignação religiosa, a verdade é que este foi acima de tudo um instrumento de mobilização de massas, contra a maior interferência europeia na cena médio-oriental.
(...) reconhecer que estamos em guerra - o pior cego é aquele que não quer ver. Não uma guerra convencional, mas já não há guerras convencionais. Estamos perante uma escalada extraordinariamente perigosa desencadeada e alimentada pelo Irão, com o objectivo de liderar o mundo islâmico na guerra contra o Ocidente. Minimizar esse perigo é uma inconsciência de gravíssimas consequências, à qual grupos como o Bloco de Esquerda se podem entregar impunemente, acusando os EUA e a UE de "arrogância" face ao Irão, mas não governos responsáveis.
(...) uma guerra que é em grande parte ideológica - querer ver apenas "interesses" é impedir-se de compreender a natureza profundamente ideológica do islamismo - há que travá-la também do ponto de vista ideológico sem complexos. Defender com firmeza e com clareza aquilo que é a essência do Ocidente - a liberdade individual, a democracia política, o primado da lei, os direitos humanos, a liberdade cultural e de expressão - é a nossa responsabilidade, e em primeiro lugar dos dirigentes ocidentais. Neste campo, um dos maiores desafios é tentar ganhar as comunidades muçulmanas europeias para esses valores, impedindo que se tornem reféns de Estados e movimentos radicais islamistas e cavalos de Tróia da sua política. Não depende só de nós, mas também depende de nós.
(...) O Irão está a brincar com o fogo e a testar até onde vai a tolerância do Ocidente."

in "A árvore e a floresta"
Esther Mucznik
PÚBLICO Sexta, 17 de Fevereiro de 2006

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"(...) O islão, desde a origem militar e expansionista, conquistou, dominou e converteu à força quatro quintos do Mediterrâneo. Em meados do século XVII Viena estava cercada pelo exército turco e mesmo hoje o sonho da ressurreição do califado não morreu. Taheri, que provavelmente se orgulha dessas velhas façanhas, só podia interpretar as divagações de Freitas como fraqueza e arrependimento da "Europa".
Pior. Na cabeça iraniana de Taheri [embaixador do Irão em Portugal], se Freitas rejeitava com tanta intensidade os terríveis pecados do Ocidente, por maioria de razão rejeitava também o maior de todos: quem condena as cruzadas condena logicamente o Estado de Israel. Taheri julgou que Portugal o compreendia e resolveu explicar em público que os cartoons não passavam de uma conspiração sionista e transgrediam a liberdade de imprensa. (...) Taheri é um bom embaixador, porque representa com zelo o sentimento e as convicções do islão. Freitas não é um bom ministro porque representa com excesso as mais torpes tendências de Portugal e da "Europa". Para conciliar a "rua" muçulmana, condenou o que nós somos."

in "O embaixador e o ministro"
Vasco Pulido Valente
PÚBLICO Sexta, 17 de Fevereiro de 2006

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"O Ocidente tem de praticar - e de ser visto a praticar - os valores que apregoa. É por não admitirmos a tortura que somos superiores aos bárbaros. Se usarmos os seus meios, então não vale a pena mandar soldados morrerem em defesa de valores em que, pelos vistos, não acreditamos."

in "O Ocidente e a tortura"
Maria Filomena Mónica
PÚBLICO Sexta, 17 de Fevereiro de 2006

2006-02-13

Professor Agostinho da Silva



É esta a imagem que retenho deste homem extraordinário. Das entrevistas na RTP em 1990 chamadas "Conversas Vadias". Provocou em mim imediato fascínio, mas desde então parece que ele nunca existiu. Alguém como ele, provocador, incorformado, livre pensador é demasiado importante para permancer no esquecimento.

Mas a partir do próximo domingo 19, serão editados em exclusivo no Público (em parceria com a Associação Agostinho da Silva e a RTP, na iniciativa luso-brasileira para a comemoraçao do centésimo aniversário do seu nascimento) 4 DVDs destes históricos programas de TV e 1 DVD com o documentário "Agostimho da Silva - Um Pensamento Vivo".
Poderemos agora reviver e aprender, compreender e pensar.

acha para a fogueira nº321


Pelo acto, horrendo, demonstrativo de que quase ninguém presta. Pela divulgação neste momento volátil. O espancamento injustificado e inqualificável destes homens da tropa britância - que tal como dos americanos, e até mesmo acredite-se que tenha ocorrido com outras tropas - não é de todo de espantar. A guerra exponencia o pior de nós, extrai o nosso lado inumano e negro, a nossa bestialidade primária e a nossa irracionalidade sem nexo. O ódio gera o ódio. E é ódio que nos esmaga nestes dias.

2006-02-10

INK Magazine












©2004-5. Trabalho realizado em parceria.

Temos conspiração

"Seis das doze caricaturas do profeta Maomé foram publicadas no Egipto, em Outubro, sem levantar a menor polémica, afirmou ontem o embaixador dinamarquês no Cairo. A reacção surgiu dois meses depois, quando os líderes muçulmanos reunidos num encontro da Organização da Conferência Islâmica (OCI) coordenaram estratégias e "cristalizaram" a crise, revelou o jornal The New York Times. Só então a revolta começou a sair à rua, com o apoio de vários governos.
O embaixador Bjarne Soerensen disse ontem à agência dinamarquesa Ritzau que, a 17 de Outubro, o jornal egípcio Al Fagr ilustrou um artigo sobre as caricaturas que tinham sido publicadas pelo diário dinamarquês Jyllands-Posten, a 30 de Setembro. A reprodução não desencadeou debates ou reacções no Egipto.
Esta informação ajuda a sustentar a tese de que existe uma forte manipulação política por detrás das manifestações a que se tem vindo a assistir em vários países. "

Público de hoje

O ódio ao Ocidente, não parte apenas da "rua árabe", é congeminada na esfera do poder, influenciada e meticulosamente programada. Quando assim é, estamos em guerra. Toda a ficção se torna realidade. O séc. XXI é o tempo abrupto das colisões.

Democracia x Dogma VI

Desatentos
"As pessoas, mesmo atentas, não parecem dar-se inteiramente conta de que se está a passar, ou a evidenciar, algo decisivo e inédito: a entrada oficial em guerra contra o Ocidente. Tornou-se patente que o terrorismo se está a converter num habitus, numa segunda natureza, senão já na primeira, da alma árabe-muçulmana. Melhor dito, nem de terrorismo se trata: tornou-se patente que quem nos quer destruir não tem a menor ideia da justiça, ainda a mais frustre, está mundos atrás do próprio Talião: se acho que me ofendes porque troças da barba do Profeta (ou porque me olhas de viés, já está a acontecer), tenho automaticamente o direito de desejar a tua morte, assassinar-te, em qualquer circunstância - kill é o verbo que mais se lê nos cartazes -, sem qualquer consideração de proporcionalidade entre o mal que acho me fazes e a violência da minha resposta. Assiste-me ainda o direito não menos absoluto de convidar a minha tribo a amplificar o meu gesto. Em perfeita boa consciência, como estamos a ver, sem precisão de qualquer Al-Qaeda atrás. Para Portugal é um triste dia, já que o primeiro-ministro não parece disposto a demitir o seu ministro dos Negócios Estrangeiros."

Fernando Gil, filósofo


Senso comum
"Que algumas manifestações tenham sido organizadas não deve surpreender-nos, porque já se sabe como é fácil. E também não me surpreendeu a violência com que se deram. O que me apanhou mesmo desprevenido foi a irresponsabilidade do autor ou dos autores dos desenhos. Alguns opinam que a liberdade de expressão é um direito absoluto, o único direito absoluto que existe, enquanto todos os outros são relativos. A realidade crua impõe limites. Imaginemos que o desenhador dinamarquês, em vez de fazer um desenho a ridicularizar Maomé, faz um dizendo que o director do jornal é um imbecil. Seria muito corajoso, mas no dia seguinte estaria provavelmente na rua. [... Autocensura?] Não se trataria de autocensura, mas de usar o senso comum. Numa situação como a que vivemos, e conhecendo a susceptibilidade que há em redor destes temas, o senso comum ditar-nos-ia o que fazer. Alguém verdadeiramente responsável que tivesse consciência de que um desenho pode ser como lançar gasolina sobre o fogo, guardá-lo-ia para melhor ocasião."

José Saramago, escritor
Excerto de respostas ao El País