Todos aqueles, em particular os grupos organizados de nacionalistas que são xenófobos/racistas/energúmenos. A manifestação de sábado foi, como sempre, uma provocação (ao contrário do que afirmam num artigo da revista "Pública" de ontem) e, acima de tudo mais um sintoma evidente da transformação da nossa sociedade, quer pelo novos tempos, quer pelo aproveitamento dos tempos difíceis. Encaramos hoje uma realidade que há muito já surgiu nos países do norte da Europa; sempre no atraso dos acontecimentos Portugal, com estas manifestações contaminantes, instigadoras do ódio, pode com o auxílio de muitos factores sócio-económicos (vejam-se as greves de sexta passada) empolar para formas igualmente atrasadas de atitudes em tudo contra a democracia e a paz social. Ao ouvir, na SIC, antes da manif aquela besta a falar, juro, que me apetecia partir-lhe os dentes. Como escreve Luis Filipe Borges hoje n'A Capital "a esses tipos não se dá tempo de antena, dá-se-lhes com uma antena nos cornos". O pior é que a violência gera violência, e estes gajos soltam o pior de mim - mas contra eles. Exaltar-se a condição de branco é diferente de insultar as outras cores; promover a própria cultura não é afirmar superioridade; combater a criminalidade não é querer "espaço vital" ou algo próximo da "solução final".
2005-06-17
2005-06-14
Design: Editorial

Edição especialíssima. Duas capas: frente e verso. Reedição de DNA sobre Álvaro Cunhal.

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Victor Barreiras
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Design-Editorial
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
"Adeus", in «Os Amantes sem Dinheiro» (1950)
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
"Adeus", in «Os Amantes sem Dinheiro» (1950)
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Victor Barreiras
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Literatura
2005-06-13
3 finais de vidas marcantes
FINAL UM
A força da muralha d'aço
Quem não está com a Revolução, está com a Reacção. Vou-me, já nada me resta aqui. Fiz o que tinha e pude fazer.
Vasco Gonçalves 03.05.1921-11.06.2005
FINAL DOIS
De (quase) um século de luta
Espera aí "companheiro Vasco"! Arranjas lugar para mais um? Este teu amigo de lutas também por cá deixa seu corpo. Foram muitos anos camarada. Quase todo o século XX. Para muitos que há demasiado tempo por aqui permaneço, mas com firmeza me aguentei sempre. Façamos nova revolução no incógnito do lugar para onde vamos, que achas?
Álvaro Cunhal 1913-13.06.2005
FINAL TRÊS
Adeus ao homem da severa serenidade
No prato da balança um verso basta para pesar no outro a minha vida.
Eugénio de Andrade 19.01.1923-13.06.2005
A força da muralha d'aço
Quem não está com a Revolução, está com a Reacção. Vou-me, já nada me resta aqui. Fiz o que tinha e pude fazer.
Vasco Gonçalves 03.05.1921-11.06.2005
FINAL DOIS
De (quase) um século de luta
Espera aí "companheiro Vasco"! Arranjas lugar para mais um? Este teu amigo de lutas também por cá deixa seu corpo. Foram muitos anos camarada. Quase todo o século XX. Para muitos que há demasiado tempo por aqui permaneço, mas com firmeza me aguentei sempre. Façamos nova revolução no incógnito do lugar para onde vamos, que achas?
Álvaro Cunhal 1913-13.06.2005
FINAL TRÊS
Adeus ao homem da severa serenidade
No prato da balança um verso basta para pesar no outro a minha vida.
Eugénio de Andrade 19.01.1923-13.06.2005
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Victor Barreiras
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VIP
2005-06-09
Apple + Intel

A transição (surpresa) mediática e estratégica para processadores Intel, devo confessar, não foi para mim um choque. Ao contrário de muitos, que consideram isto como a venda da alma ao Diabo, dado que a IBM deixou de ser o melhor parceiro (aliás não foi esta uma das precursoras dos PCs?), pelo pragmatismo da questão, de estratégia e evolução de futuro, para a Apple, a sua imagem e o futuro da informática, esta "third transition" é de extrema importância. Eu só vejo vantagens: melhor planificação e evolução das plataformas, concorrência mais feroz contra a Microsoft, maior facilidade de migração de PCs para Mac, possível redução de custos para o consumidor, a garantia de uma parceria única capaz de produzir - ainda mais - os melhores computadores para o futuro. Como Steve Jobs (the Apple-soul) referiu na Conferência de São Francisco no passado dia 6, o desenvolvimento sustentado e de vanguarda está assegurado para os próximos vinte anos, ou seja, caminharemos cada vez mais para instrumentos de computação - ainda - mais rápidos, mais fiáveis, mais belos, mais simples, graças à Apple e com o apoio estratégico da Intel. Desde que não haja os horrorosos autocolantes "intel inside" nas máquinas...
Vejam Steve Jobs neste video na conferência WWDC2005.
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Victor Barreiras
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Apple
2005-06-08
Act now, or else...
G8 scientists tell Bush
An unprecedented warning as global warming worsens
An unprecedented joint statement issued by the leading scientific academies of the world has called on the G8 governments to take urgent action to avert a global catastrophe caused by climate change. The Independent
An unprecedented warning as global warming worsens
An unprecedented joint statement issued by the leading scientific academies of the world has called on the G8 governments to take urgent action to avert a global catastrophe caused by climate change. The Independent
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Victor Barreiras
2005-06-07
The treaty is dead, long live the union
Como se esperava, Londres suspendeu a legislação que permitiria referendar o Tratado Constitucional, e com isso, a ilha simbolicamente deu novos contornos à abordagem do continente sobre o que fazer agora. Com uma provável vitória do "No", a derrota britânica - que não seria de todo inesperada - após "Non" e "Nee" funcionaria como um golpe tão fatal como estes, e os próximos referendos que/se houver, dadas as circunstâncias, não nos dão a certeza absoluta de um resultado ratificador. A especificidade - palavra tão em voga nos meandros europeus - da intervenção política inglesa na construção europeia, tornou-se com Tony Blair numa peça importantíssima no xadrez da UE. O sucesso e a experiência das suas políticas internas apesar da não integração no Euro, o poder económico e social, mas também político e militar, colocam o Reino Unido num patamar de decisão tão válido quanto a França e a Alemanha, tradicionais "motores" do projecto europeu, onde, por ironia a crise tem origem. A falha dos objectivos internos (Alemanha e França), os medos e os preconceitos (França) extravasaram para um sentimento que roça quase um anti-europeísmo de contornos vários.
Fala-se de falta de liderança, saudades de Miterrand, Kohl e Delors, homens "providenciais" e com visão. De facto hoje não temos isso, mas não faltou coragem para avançar para o projecto do Tratado. Contudo, como muitos acusam, e como vemos após referendos e seguintes reacções, pelos desejos e objectivos comuns e diferenciados, o caminho preparado pela Convenção não foi o melhor. A ideia de uma união muito mais política e económica a implementar em breve será elaborada no retomar do trilho dos "pequenos passos", segundo o qual ao longo de quarenta anos se edificou este projecto.
A cimeira de 16 e 17 próximos, onde se decidirá se o processo de ratificação continuará ou se se opta pela sua suspensão, será a mais importante dos últimos anos. A necessidade de encontrar, de facto, um projecto político de futuro, que funcione como uma ideia verdadeiramente de encontro com os desejos dos povos europeus torna-se agora mais premente que nunca.
Ontem na RTP1, no "Prós e Contras", discutiu-se o Tratado Constitucional. Pelo "sim" e pelo "não" se esgrimaram argumentos, todos eles válidos, tão esclarecedores para compreender, quanto confusos para uma decisão referendária. Momentos houve que apoiava o "não" e depois os argumentos do "sim" me atraíam de novo...
PS: Soube agora, a República Checa suspendeu o seu processo de ratificação...
Fala-se de falta de liderança, saudades de Miterrand, Kohl e Delors, homens "providenciais" e com visão. De facto hoje não temos isso, mas não faltou coragem para avançar para o projecto do Tratado. Contudo, como muitos acusam, e como vemos após referendos e seguintes reacções, pelos desejos e objectivos comuns e diferenciados, o caminho preparado pela Convenção não foi o melhor. A ideia de uma união muito mais política e económica a implementar em breve será elaborada no retomar do trilho dos "pequenos passos", segundo o qual ao longo de quarenta anos se edificou este projecto.
A cimeira de 16 e 17 próximos, onde se decidirá se o processo de ratificação continuará ou se se opta pela sua suspensão, será a mais importante dos últimos anos. A necessidade de encontrar, de facto, um projecto político de futuro, que funcione como uma ideia verdadeiramente de encontro com os desejos dos povos europeus torna-se agora mais premente que nunca.
Ontem na RTP1, no "Prós e Contras", discutiu-se o Tratado Constitucional. Pelo "sim" e pelo "não" se esgrimaram argumentos, todos eles válidos, tão esclarecedores para compreender, quanto confusos para uma decisão referendária. Momentos houve que apoiava o "não" e depois os argumentos do "sim" me atraíam de novo...
PS: Soube agora, a República Checa suspendeu o seu processo de ratificação...
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Victor Barreiras
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Europa
2005-06-06
Apple: iPod



O melhor leitor de MP3 do mundo chegou às minhas mãos.
Já sabia que os aniversários são dias felizes, mas não estava preparado para tanto. Era manhã cedo, já tinha desembrulhado todas as prendas nessa mesma noite e eis que a minha mais-que-tudo me surpreende com mais uma. Tinha uma forma cúbica que logo me despertou o interesse. Quando abri, nem queria acreditar. Uma caixa preta com uma maçã no topo reluziu para mim as letras "iPOD".
Fui abençoado neste fim-de-semana, só pode.
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spear
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Apple
2005-06-04
2005-06-03
Money makes the world go around?
Não em Portugal. Pelo menos nas micro e pequenas empresas, a grande maioria da estrutura sócio-económica nacional. O esforço do trabalho que, dada a crise, não produz o rendimento adequado ou o retorno necessário a tempo para se conseguir a manutenção do bom trabalho. É a carga fiscal igual para empresas de 5 ou 30 trabalhadores, o IVA que irá subir para 21%. Como sempre o transpirado e honesto trabalhador pagará a incompetência do Estado. Com o dinheiro que não entra, como pode o dinheiro sair? Logo, onde está o dito? Actuamos com um esforço comum assentes na ideia de que o dinheiro existe. Entretanto, o Estado trata bem os seus "ocasionais" funcionários...
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Victor Barreiras
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Portugal
Downloads
Estão disponíveis - no sidebar, última secção - diversos documentos em PDF para download.
- Benzine #1 e #2
- The Practical Power of Design
- Protocolo de Bolonha
- Europe's West Coast
- Tratado Constitucional UE
Capa e índice / Preâmbulo / Partes I a IV / Protocolos anexos 1, 2, 6, 7, 10, 11, 12, 29 e 34 / Acta Final: A. Declarações relativas a disposições da Constituição & B. Declarações relativas a Protocolos anexados à Constituição. [Conjunto "zipado" de ficheiros PDF]
- Benzine #1 e #2
- The Practical Power of Design
- Protocolo de Bolonha
- Europe's West Coast
- Tratado Constitucional UE
Capa e índice / Preâmbulo / Partes I a IV / Protocolos anexos 1, 2, 6, 7, 10, 11, 12, 29 e 34 / Acta Final: A. Declarações relativas a disposições da Constituição & B. Declarações relativas a Protocolos anexados à Constituição. [Conjunto "zipado" de ficheiros PDF]
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Victor Barreiras
2005-06-02
Nee
Foi o que 61% dos holandeses disseram. O Tratado Constitucional caminha a passos largos para uma morte prematura e ficaremos todos reféns da incerteza que cobre agora a Europa. Os referendos checo, polaco e britânico estão em causa. A "imposição" da aprovação referendária está a colocar-nos numa imprecisão inédita, dado que, como se tem falado, não existe Plano B.
O segundo semestre terá a presidência britânica e, sabendo a inimizade que Chirac (aliás, gostará ele de alguém?) sente por Tony Blair, a posição de Londres, para além das particularidades habituais quanto à construção europeia - embora o NewLabour seja ineditamente o mais integrador de sempre - a factura dos referendos poderá transformar-se em fractura séria, colocando o futuro do projecto num patamar de renovação (necessária) ou de zaragata político-nacionalista (ideal absolutamente anti-europeia).
"As pessoas neste caso divorciaram-se dos políticos pelos piores motivos: recusa da entrada da Turquia na UE, medo de perder os empregos em detrimento dos novos cidadãos de pleno direito vindos do Leste, recusa de mais contribuições para o desenvolvimento dos países em vias de desenvolvimento e para o bem comum - o resto foi conversa fiada e nada teve que ver com o texto redigido pelos Estados-membros."
Luis Osório, no Editorial de hoje n'A Capital
O segundo semestre terá a presidência britânica e, sabendo a inimizade que Chirac (aliás, gostará ele de alguém?) sente por Tony Blair, a posição de Londres, para além das particularidades habituais quanto à construção europeia - embora o NewLabour seja ineditamente o mais integrador de sempre - a factura dos referendos poderá transformar-se em fractura séria, colocando o futuro do projecto num patamar de renovação (necessária) ou de zaragata político-nacionalista (ideal absolutamente anti-europeia).
"As pessoas neste caso divorciaram-se dos políticos pelos piores motivos: recusa da entrada da Turquia na UE, medo de perder os empregos em detrimento dos novos cidadãos de pleno direito vindos do Leste, recusa de mais contribuições para o desenvolvimento dos países em vias de desenvolvimento e para o bem comum - o resto foi conversa fiada e nada teve que ver com o texto redigido pelos Estados-membros."
Luis Osório, no Editorial de hoje n'A Capital
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Europa
2005-06-01
ainda o mal dentro de nós
Portugal é o 1º país da OCDE e o 6º no mundo inteiro, onde mais crianças morrem por abuso e maus tratos... Hoje é o Dia Mundial da Criança.
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Victor Barreiras
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