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2010-12-10

Modern perspectives

2010-11-27

Building museums and a fresh Arab identity


The New York Times has a most interesting work about Abu Dhabi and Qatar building museums to recast their national identities.


Jean Nouvel, Louvre Abu Dhabi

Norman Foster, Abu Dhabi National Museum


I.M. Pei, Museum of Islamic Art, Doha

Zaha Hadid, Abu Dhabi Performing Arts Centre
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2010-05-20

Parametricism



In an exclusive text for the Architects Journal, Patrik Schumacher of Zaha Hadid Architects argues that the unified style of architecture for the 21st century will be parametricism.
Read full text here
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2010-04-21

Brasília 50





Brasília 50 anos
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Finland pavilion Shanghai 2010

Finland pavilion Kirnu designed by JKMM Architects for Shanghai Expo 2010.

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2009-10-25

2009-09-24

Visual Acoustics





"Narrated by Dustin Hoffman, VISUAL ACOUSTICS celebrates the life and career of Julius Shulman, the world’s greatest architectural photographer, whose images brought modern architecture to the American mainstream. Shulman, who passed away this year, captured the work of nearly every major modern and progressive architect since the 1930s including Frank Lloyd Wright, Richard Neutra, John Lautner, and Frank Gehry. His images epitomized the singular beauty of Southern California’s modernist movement and brought its iconic structures to the attention of the general public. This unique film is both a testament to the evolution of modern architecture and a joyful portrait of the magnetic, whip-smart gentleman who chronicled it with his unforgettable images."
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2009-04-13

Zumthor Pritzker



"To me, buildings can have a beautiful silence that I associate with attributes such as composure, self-evidence, durability, presence, and integrity, and with warmth and sensuousness as well; a building that is being itself, being a building, not representing anything, just being."
in "Thinking Architecture"

"Interiors are like large instruments, collecting sound, amplifying it, transmitting it elsewhere. That has to do with the shape peculiar to each room and with the surface of materials they contain, and the way those materials have been applied.
(The Sound of a Space)
in "Atmosphere"
(excertos em português aqui)

Peter Zumthor foi finalmente galardoado com o "Nobel da Arquitectura", o Pritzker Prize.
Mais excertos destes dois livros da sua autoria aqui.

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"A obra e a personagem de Zumthor encarnam bem aquilo que se procurava à saída dos "excessivos" anos 80: o recentramento na "disciplina", como então se dizia, contra o "culto da imagem". Uma retórica do silêncio contra as "arquitecturas falantes"; o detalhe construtivo e a respiração dos materiais em substituição das "arquitecturas de papel". O breve discurso de Zumthor tinha ainda alusões culturais "sérias" depois das abordagens populistas e mundanas. As coisas voltavam ao seu lugar."


Excerto da opinião de Jorge Ferreira, crítico de arquitectura, "O factor Zumthor em Portugal",
E notícia hoje no PÚBLICO

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2009-03-16

Paris XXI


The proposals by Richard Rogers' group aims to unite Paris's disparate communities.
Photograph: Rogers Stirk Harbour + Partners


França possui uma larga tradição de obras de regime. O Palais de Versailles, l'Arche de Triumphe, Centre Georges Pompidou, a Pirâmide do Louvre, l'Arche de La Defense, o Musée du quai Branly. Edificadas por ordem de reis, imperadores e presidentes, todos eles personificam a grandeza da nação na imortalização do seu autor moral. Chegou a vez de Nicholas Sarkozy "instituir" a sua obra de regime. Contudo ele consegue ir mais longe promovendo uma revolução urbana para Paris quase a jeito do Plano Hausmann do século XIX. Foram consultados arquitectos franceses e internacionais para elaborarem ideias para a Grand Paris do séc XXI - projectando-a moderna, sustentável e mais humana. Existe uma magnífica oportunidade para arquitectos e urbanistas, sem esquecer outros intervenientes (especialistas sociais, associações, habitantes) num enorme desafio, em pensar e redesenhar uma cidade - tão somente a cidade mais visitada do mundo - de acordo com os novos conceitos urbanos, habitacionais, vivenciais, sociais e ambientais.

Se tudo é design, tudo também é política. O modo como a sociedade e o poder político interagem define como ambos constroem a sua identidade individual e colectiva, os seus propósitos e objectivos. As obras de regime, por mais transversais que sejam no seu uso e importância pública, são evidentemente armas políticas sem contestação.
A sede de querer ficar na história por se ter feito isto ou aquilo e, seguramente mais do que nunca a frase "à grande e à francesa" estará tão bem aplicada, revelam a importância que sucessivas presidências francesas têm (tal como os regimes anteriores) em deixar marcas físicas, especialmente na capital, é deveras curioso. Mudar leis, elaborar outras, não é marcante o suficiente. O ímpeto de deixar um qualquer sólido na urbe (as esculturas não contam para este campeonato), não é exclusivo de franceses. A necessidade de afirmação, o avolumar do ego ("eu fiz isto"), o desejo de imortalidade, são aspectos que definem o carácter humano, sendo exponenciado quando se detém "o" poder. Assim, estas construções arquitectónicas são demonstrações de Poder, tal como as Pirâmides o foram. E Nicholas Sarkozy terá o seu nome associado à renovação de Paris, marcando indelevelmente a cidade bem para lá do séc. XXI.


Parisian architect Roland Castro's vision for a greener Paris in La Courneuve.
Photograph: Castro Denisoff/AFP/Getty Images

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Comentário de Silvino Silva

É pertinente pensar que, apesar das mudanças de regime (ainda por cima desde, pelo menos, o tempo dos faraós), a Humanidade tenha aprendido tão pouco e continuemos a dar valor a um mar de parasitas narcisistas de dimensões impressionantes. Aquilo que eu gosto de designar por "vermes da história".
Pois, em vez de se valorizar o povo, a "arraia miúda" nas palavras do grande Fernão Lopes (na sua dimensão educacional e cultural, técnica e científica), verdadeiro interlocutor histórico, de forma a que este aprenda a conhecer o mundo (nas suas dimensões espacial e temporal-histórica) e, portanto, a conhecer-se a ele mesmo, e poder valorizar ambos, continua-se a deixar estes homens vulgares (porque realmente praticamente todos, com muito poucas excepções, almejam ficar na história, ser grandes e poderosos, famosos, e deixar uma marca imortal) desperdiçarem recursos absolutamente preciosos, na maior parte das vezes em autênticas inutilidades, por mais bonitas que estas possam ser.
Cidades "modernas, sustentáveis e humanas" são tudo palavras bonitas que servirão de pretexto para que, na prática, em Paris (e noutras cidades acontecerá o mesmo) vão-se traduzir em especulação imobiliária, acumulação de riqueza em cada vez menos gente, promoção de monopólios numa mão cheia de empresas dominadas pela mesma gente.
Vão surgir edifícios cada vez maiores e mais altos, que são tudo menos sustentáveis, pois tudo tem de vir do exterior e os gastos são enormes.
A questão da mobilidade em mega-urbes (excesso de trânsito) e a excessiva concentração de gente, com todos os problemas sociais que isso acarreta, a poluição, serão sempre problemas tremendos, com manifestas consequências nocivas para o planeta e a própria Humanidade. Ou será que vai haver a coragem de fechar Paris ao trânsito inútil, limitando-o ao mínimo indispensável e, em contrapartida, fornecer uma rede de transportes gratuita para todos, em que as únicas limitações deverão ser questões ligadas à higiene pessoal e apresentação, para manter padrões elevados de salubridade.
Será que o rio Sena vai deixar de ser aquela massa de "água" verde e pastosa, nojenta? Duvido!
Além disso, se realmente é para mudar Paris, então, primeiro que tudo, a cidade precisa dum curso global de Relações Públicas, pois o parisiense é, duma forma geral, pela minha experiência de contactos enquanto guia com outros povos (com portugueses, britânicos, italianos, espanhóis, brasileiros, alemães, suecos, finlandeses, japoneses, malaios, sul-africanos, canadianos, norte-americanos, angolanos, moçambicanos, cabo-verdeanos, russos, ucranianos, moldavos, romenos, checos, austríacos, húngaros, eslovenos, eslovacos, chineses, e até marroquinos, senegaleses... certamente esqueci-me de alguma nacionalidade de grupos que tenha feito), o "animal mais chauvinista à face da Terra, duma arrogância geral transcendental e insuportável, que tem a mania que a sua cidade é o centro do mundo, a melhor de todas, que tem tudo de melhor".
Paris tem edifícios espectaculares, mas está longe de ser uma cidade muito bonita, muito menos, "cidade-luz"; jamais trocaria a nossa Lisboa por Paris (e mais nunca fui um grande fã de Lisboa).

QUEM FAZ AS CIDADES SÃO AS PESSOAS, tudo o resto não passa de poeira para os olhos de ignorantes. E neste ranking o francês (e sobretudo o parisiense) está no fundo da tabela. É necessário reduzir o tamanho das cidades, torná-las mais humanas através da redução da sua escala, e não mais esmagadoras, símbolos pérpetuos da inveja humana, que quer ter uma urbe maior que a do vizinho só para se sentir maior e, portanto, supostamente melhor. É um fenómeno próprio do consumismo que se vê, por exemplo, na ideia generalizada de que possuir um "carrão" (grande, espaçoso e potente) é melhor do que ter um Mini, o que, dependendo das circunstâncias de cada um, não é necessariamente assim, até porque um carro grande consome mais e, por isso, mais dependente do exterior. O mesmo acontece com as mega-urbes.
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Meu caro amigo

De novo nos presenteias com um óptimo comentário. Contudo, compreendendo as tuas preocupações e, dando valor às tuas observações sempre pertinentes, devo acrescentar que dos projectos em causa existem propostas válidas, audaciosas e de facto objectivamente diferenciadoras para construir uma cidade nova.
Cada projecto criativo é, obviamente, sempre uma oportunidade de ouro para fazer algo novo. O desafio que se coloca neste caso - gigantesco é certo - foi considerado por muitos dos ateliers convidados como o projecto mais dificil e entusiasmante, inovador e percursor do seu trabalho. Porque o que podemos imaginar daqui é algo com muito mais importância e factor transformador que a edificação de Brasília. A capital do Brasil é toda ela monumental, expandindo-se sobre até aspectos principais da sua centralidade que pecam por defeito - as relações entre o ser humano, o espaço físico e o espaço natural. O projecto Brasília, mesmo que moderno e futurista, foi fruto das teorias urbanas e utopias sociais de 1950s. Os conceitos de cidade e urbanidade mudaram e melhoraram substancialmente nos últimos 60 anos, e só agora se vislumbra a possibilidade de serem aplicados com o apoio social e político. Se se observar alguns dos projectos, veremos que combinam em coerência a construção, natureza e habitante. Se o Homem faz parte de um todo, esse todo terá de fazer parte de si.

Mais do que nunca, pensar a cidade e apresentar soluções para nele vivermos é essencial. O modo como no futuro habitarmos neste planeta é definido hoje. Transformar as cidades pode ser uma tarefa hercúlea, mas é uma estratégia de habitabilidade que não podemos descartar. Com certeza que quem faz as cidades são as pessoas que nela habitam - mas é evidente que a arquitectura e o urbanismo molda o modo como essas pessoas se comportam e interagem. Renovar uma urbe não é um destruir-velho-construir-novo, é justamente por causa das pessoas, dos cidadãos, os habitantes das cidades, que pelos seus ideais, desejos, dificuldades, debilidades, e os valores de comunidade, trabalho, história que se pretende edificar um espaço digno para todos e o planeta em si.
Todos os factores negativos que rodeiam a construção serão forçosamente inevitáveis?

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2008-10-29

2008-09-06

Experimenta WarmUp



WarmUp da ExperimentaDesign
Um óptimo regresso com uma justíssima homenagem ao fantástico Peter Zumthor.
A não perder.

2007-12-15

Niemeyer 100



"Ora não me venha com conversas, 100 anos é uma merda... Posso dizer merda numa revista?"

"Arquitectura não é importante. Importante é a vida. Passei a vida sobre a prancheta mas, para mim, a política importa mais do que a arquitectura. Quem não é solidário, quem não se preocupa com a miséria, pode ser o melhor profissional e ficar rico, mas é um cretino."

"Arquitectura é a arte do espanto, feita para comover o povo. Falam tanto em 'função', mas acredito, como Le Corbusier, que a Bauhaus é o paraíso da mediocridade. No entanto, veja que beleza esse capricho nada funcional, as pirâmides do Egipto, no meio do deserto."
"Só um ateu faria projectos tão futuristas para uma catedral. O crente deslumbra-se com a ideia da nave, acredita na simbologia de encurtar a viagem e o caminho até Deus."

Visão 771 - 13 Dezembro 2007
Depoimentos recolhidos por Norma Couri


O Globo: Oscar Niemeyer, 100 anos, persegue arquitetura poética
Edição de Câmara Clara (RTP2) dedicada ao mestre (ver em wmv ou realvideo)
Casa das Canoas (aqui)

Clarice Lispector, nas suas crónicas no Jornal do Brasil,
escreveu em 1970, sobre Brasília o seguinte:

"Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. Se eu dissesse que Brasília é bonita veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia vêem nisso uma acusação. Mas a minha insônia não é bonita nem feia, minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. É o ponto e vírgula. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério."

2007-07-29

Porsche Museum



2007-07-13

Eu amei Lisboa como nunca tinha amado uma cidade

Eu amei-te como nunca amei outra. Foste uma amante louca que abandonei, mas cuja paixão perdura. Anos me levam que não te esquecerei. Sonhos me tragam até ti, que longe demais fujo sem razão para lugar nenhum.



O que queremos de facto, de bom, para as cidades? Como devemos vivê-las? Qual o futuro sustentável para todos aqueles que trabalham e habitam a urbe? Nos últimos anos estas e outras questões estiveram sempre longe da cabeça e das acções de quem governou Lisboa. E se pensarmos bem, a gravidade da presente situação é "apenas" mais um capítulo do desrespeito da cidadania em todos os aspectos da sua razão etimológica e da actualidade da sua importância.

Veículos e betão têm dominado a cena lisboeta, denegrindo a sua qualidade de vida, a sua sustentabilidade, a sua imagem, ao que se ligam uma gestão ruinosa e uma crescente falta de ética e cidadania. Entre 1994 e 1999 vivi numa Lisboa excitante, dinâmica, sedutora (os tempos de estudante universitário permitiam diversos modos de viver e sentir a cidade), mas não sem os seus problemas e pontos negativos. Tendo a sorte de viver mesmo no centro, a confusão diária era suportável e até mesmo curiosa para quem havia vivido a infância em Londres e depois na imensa pacataz de uma cidade como Caldas da Rainha. A descoberta de uma cidade única, linda e luminosa, com um imenso potencial de desenvolvimento foi sempre, depois de partir, uma das melhores recordações que ficaram. Temos as cidades-desejo e as cidades-paixão e, as cidades-ódio e as cidades-desprezo. Lisboa tem na última década atravessado todas estas designações, e ela não merece isto. Eu amei Lisboa como nunca tinha amado uma cidade, e quero continuar a amá-la e pensar que melhores dias virão. Assim como não merece a barreira que é a APL. Lisboa está bloqueada a partir do rio que é seu. Arrogantemente, esta estranha empresa pública mas de peculiar autonomia, é como um município dentro de um município. Há anos ouço tantos contra o Porto de Lisboa e nenhuns para resolver o assunto.

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Todos sabemos o que se passou. Culpamos Santana e Carmona, mas também deveremos responsabilizar outros presentes na Câmara que em nada contribuíram para encontrar soluções ou somente desafiar o desvario. Restou-nos José Sá Fernandes, cavaleiro solitário (pela) da cidade, o único que soube, desde sempre, mesmo antes de ser vereador, ter uma posição e atitude clara em favor da capital e dos lisboetas.

É com incredulidade que vejo como a vitimização santanista fez escola e como isso está inacreditavelmente a render votos. Vejam-se as sondagens. O ex-Presidente Carmona Rodrigues é o (último) principal responsável pelo estado que chegou Lisboa, e considero uma enorme lata a sua recandidatura, alicerçada num projecto independente, como se isso fosse factor que o ilibe de tudo o que de errado aconteceu, em desvínculo ao partido que o apoiou como se de lá tivesse vindo todo o mal para uma correcta governação da cidade. Assim como é absolutamente inverosímel a candidatura PSD, em que Fernando Negrão surge como um salvador judiciário, igualmente longe das actividades que o seu partido teve ao longo de seis anos.

Desconfiança, embora desejo de vitória sobre o PSD e Carmona, é o que sinto da candidatura de António Costa. O PS procurou claramente meter as mãos no assunto de modo a terminar de vez com a errática liderança da cidade. E é disto que mais se ouve falar do ex-ministro - liderança. Tem toda a razão, terá de haver uma liderança clara e objectiva na câmara, e António Costa é homem para isso. Mas não haverá liderança sem um projecto exequível e verdadeiramente centrado em Lisboa, por Lisboa, para Lisboa. No fim de contas o que precisamos é de um Projecto, mas um bom projecto. Tirar o aeroporto da Portela (uma discussão imensa que não vou agora ter) é o primeiro ponto para eliminar esse ideal. O trunfo poderá ser o arquitecto Manuel Salgado, pois para além dos enormes problemas financeiros e administrativos da capital, há o factor urbanismo que importa dedicar especial atenção, outro factor que tanto influencia todos aqueles que por Lisboa passam.

E daí chego à candidatura de Helena Roseta. Vivesse eu em Lisboa e seria nela o meu voto. Porquê? Para além da personalidade idealista e combativa que possui e que sempre admirei, para além de ser Presidente da Ordem dos Arquitectos - onde a sua liderança deu outra visibilidade, respeito e importância à profissão - Helena Roseta tem ideias e projectos que concordo e partilho. Lisboa precisa de um projecto de intervenção imediata para estes curtos dois anos, planos objectivos e concretizadores para resolver pequenos grandes enfermidades que grassam pela capital. Mas também pelo ideal de mobilização e de cidadania, características novas para a política e igualmente para a sociedade. Lisboa precisa dos novos conceitos de urbanismo e convivência, espaços públicos e espaços verdes para todos e para a cidade. Lisboa precisa de qualidade de vida. Lisboa precisa de pessoas que a habitem.



A reabilitação da cidade como um todo passa por novas políticas de habitação, mais expeditas e inclusivas. Reabilitar e rehabitar as dezenas de milhares de fogos vazios em Lisboa é uma prioridade absoluta. Mais do que de grandes bairros novos, a cidade precisa de "acupunctura urbana", ou seja, de intervenções pequenas e estratégicas.

Lisboa precisa de um projecto que a reabilite urbanamente e socialmente devolvendo aos munícipes o uso e fruição do espaço público aprazível e convidativo. A gestão urbanística tem de deixar de se subordinar aos interesse privados de alguns e passar a ser determinada pelo interesse comum e pela transparência de procedimentos e decisões.

Assim como a qualidade da vida urbana está cada vez mais ligada às oportunidades de desenvolvimento educativo e social que a cidade oferece aos seus habitantes. De certo modo, o novo modelo social europeu tem de se refundar à escala da cidade.

Lisboa precisa de um quotidiano mais fácil, onde os transportes públicos sejam mais acessíveis e eficientes, onde as pessoas com deficiência não sejam cidadãos de segunda, onde haja tempo e lugar para a vida familiar e para os amigos, onde haja menor solidão e onde seja agradável viver e conviver não é uma utopia.

As cidades que têm sucesso no contexto da globalização são as que tiram partido da sua história, do seu património, da vitalidade da sua cultura e se abrem à inovação científica, tecnológica, empresarial e social.

Lisboa urge possuir medidas necessárias para melhorar a qualidade ambiental de Lisboa, tendo em conta o conceito actual de sustentabilidade urbana, que envolve o ambiente, a qualidade de vida, a eficiência económica e a cidadania.

A participação está na ordem do dia. Os sistemas de governo local têm de incorporar a noção de governança, sinónimo de bom governo com o envolvimento dos interessados. Os métodos participativos têm de estar presentes em todas as fases do governo local. A descentralização para as freguesias é indissociável da participação.

Os novos desafios que se colocam a Lisboa exigem uma maior eficiência dos seus serviços municipais, o que implica processos de modernização, mobilização e racionalização de recursos humanos e técnicos que são urgentes. A mudança passa inevitavelmente por aqui.

Lisboa mudou. Mudaram os hábitos e ritmos de vida. Mudaram as redes de relações e os padrões familiares. Os novos lisboetas que nos demandam trazem consigo novas visões e novos problemas. É uma oportunidade histórica para uma cidade que está em perda demográfica.

2007-05-31

Trienal de Arquitectura de Lisboa



2007-03-09

micro compact home



Um precioso exemplo do desafio num projecto de design+arquitectura para um objectivo muito específico e inovador. A m-ch é modularidade, minimalismo, funcionalidade e multiplicidade: o essencial para uma área de apenas 7m2. Less is more.

"(...) an answer to an increasing demand for short stay living for students, business people, sports and leisure use and for weekenders. (...) Its design has been informed by the classic scale and order of a Japanese tea-house, combined with advanced concepts and technologies. Living in an m-ch means focusing on the essential - less is more. The use of progressive materials complements the sleek design. Quality of design, touch and use are the key objectives for the micro compact home team....for 'short stay smart living'."





[via A Barriga de um Arquitecto]

2007-01-17

O castigo como elemento definidor do espaço



Quando pensamos em prisões, lembramo-nos sempre daqueles espaços sujos e perigosos dos filmes ou séries de TV, ou mesmo das imagens degradantes vindas das sobrelotadas do Brasil, sempre ávidos para mais uma rebelião. Mesmo as de cá surgem-nos como ambientes hermeticamente estranhos e igualmente desumanizados. Todos estes aspectos constroem em nós uma ideia de local como castigo - que o é de facto - confinados que ficam os condenados, e bem (salvo os injustamente presos, mas isso é outra conversa). Mas quando um indivíduo é enviado para a prisão espera-se que esta, enquanto instituição do Estado, seja um local regenerador e reabilitador do condenado, onde a perca da liberdade seja o desafio para a sua consciencialização do mal que fez à sociedade e o pagar justo com a sua pena judicial. Numa época onde dinheiro não abunda nos meios mais necessários, a crescente sobrelotação das penitenciárias torna pertinente a edificação de mais e novos espaços. E é aqui que um pormenor, caindo na normalidade sem importância, se revela como a peça chave para a conceptualização de uma prisão: como criar um espaço prisional onde, obviamente confinador e penal, seja ambiente de castigo, mas igualmente digno? O que nos leva a uma série de outras interrogações. Como definir castigo numa sociedade mais civilizada? Como definir o castigo num ambiente arquitectónico? Como atribuir a uma pena, a reabilitação do indivíduo para a sociedade? Como conceptualizar um espaço, dentro dos modernos parâmetros da arquitectura, onde isso seja possível?



O exemplo de uma penitenciária na Áustria suscita estas e diversas outras questões. Umas pertinentes, outras até politicamente incorrectas. É, no fundo, uma transposição da essência da sociedade que temos, e do nível civilizacional que queremos atingir. O absoluto oposto de Abu Grahib, Guantanamo ou o Tarrafal, o Justizzentrum Leoben da autoria do gabinete Hohensinn Architektur, apresenta um projecto arquitectonicamente simples e fascinante, desde os conceitos técnicos e estéticos, que interferem claramente naquilo que é: um moderno espaço judicialmente punitivo e sociologicamente reabilitador. Não isento de críticas ou de óbvias divergências no seu conceito, todo o projecto advém daquilo que deverá ter sido pedido: através das instâncias judiciais e políticas austríacas. Contudo não devemos esquecer dos funcionários que lá trabalham. Também estes estão correlacionados com o espaço, e são a outra face da moeda que é o sistema penal.



Não entendendo alemão, não posso clarificar as minhas curiosidades e dúvidas quanto a este projecto, mas é claramente um assunto, delicado, mas sociologicamente notório de como a arquitectura, e o objectivo do seu uso, é definidor do espaço e das relações das pessoas com o espaço e, das pessoas entre si e em si mesmas.

2006-10-31

Arquitectura: Falling Water, Frank Lloyd Wright




Do genial Frank Lloyd Wright, a casa Falling Water na Pensilvania, construída para a familia Kaufmann, terminada em 1935, é a mais impressionante e famosa peça de arquitectura dos EUA. Recentemente recuperada é agora um espaço de visita obrigatório.

Via Arrumário.

2006-10-02

Dia Mundial da Arquitectura

2006-05-18

Direito à Arquitectura