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2010-06-02

On-line, no-life



Cartoon by Joe Heller, Wisconsin -- The Green Bay Press-Gazette
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2009-07-20

40 years of the triumph of human ingenuity


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Cartoon by Martin Rowson | The Guardian

2008-08-26

Um perigoso jogo de xadrez



Diz-se que a origem do xadrez remonta ao século VI, quando um mestre o inventou para ensinar as artes e ciências intelectuais da guerra ao rajá de um reino indiano. Um jogo de estratégia e táctica, onde as complexidades dos elementos e movimentos o tornam tão intrincadamente fascinante como análoga ao tabuleiro que é a ordem internacional. E a jogada mais recente, sendo prevísivel, foi-o também inevitável mas desafiadora. O esperado reconhecimento russo da independência da Abkházia e da Ossétia do Sul invoca de vez um novo tabuleiro que desde 8 de Agosto nos encontramos. O próximo movimento pode ser feito pela NATO no posicionamento de forças navais mais próximas da Geórgia e, em jogada táctica futura assumir a integração desta e da Ucrânia.
A Rússia assumiu de vez que a sua influência e poder é maior que o Ocidente pretendia. O Grande Urso afirma que não receia uma nova Guerra Fria, mas esta posição declarada por Medvedev será a médio prazo mais negativo para a Rússia do que ela possa imaginar. Pelo afastamento da Europa, pelos perigos internos que ela própria tem em regiões com intuitos separatistas (Tchétchénia, Inguchétia, Daguestão, etc).

Veremos como se comportarão a China e a Índia em relação a estes novos desenvolvimentos. A alteração ao Direito Internacional, em que a Rússia coloca o caso do Kosovo como precedente, é perigoso e ilegal. O Kosovo, por mais específico que seja teve um processo político interno exemplar e democrático. Contudo a China e a Índia têm problemas suficientemente semelhantes a evitar dentro das suas fronteiras, seja o Tibete e Xinjiang, ou Caxemira. O reconhecimento unilateral de territórios externos é como abrir a caixa de Pandora.

A Rússia não tolera contrariedades. Ao longo dos séculos sempre foi assim, é da natureza deles. Quem acreditava na democratização russa vivia numa tremenda ilusão. E quando um Estado não age nem pelas regras do bom senso, podemos recear pelo futuro.

2008-08-18

O Urso saiu da toca




Há erros inocentes, erros exemplares e erros trágicos. Mas também existem erros estratégicos e erros de palmatória. Ou seja, a origem desta crise no Caúcaso foi provocada pelo presidente georgiano Mikheil Saakashvili, mesmo que depois de agressor inicial, se tenha tornado numa vítima que transcende as suas fronteiras nacionais. Mas foi uma excelente oportunidade para o Urso sair de vez da hibernação. A Geórgia subestimou a reacção russa, mas também acabou por cair na armadilha, cuidadosamente montada ao longo dos últimos quatro anos, em sucessivas provocações e ameaças subtis. Os motivos invocados pela Rússia são falaciosos, e incorrem no mesmo mau procedimento (invasivo) anteriormente desencadeado pelos EUA ao invadirem o Iraque...

A Abhkázia e a Ossétia do Sul não têm qualquer hipótese de retorno ao seio do Estado Georgiano. Há mais de uma década que ambas existem enquanto territórios independentes, e o facto das suas populações possuírem cidadania russa é tanto uma vantagem como um instrumento valioso para os tempos mais próximos.
Vejamos a realidade passada, mas concretizada ainda este ano: a declaração unilateral de independência do Kososvo face à Sérvia. Esta foi consequência inevitável (e previsível) de um precedente que muitos previram como perigoso para o futuro. O direito à autodeterminação está consagrado na Carta da ONU, mas a desagregação unilateral de países e territórios sendo ilegal, pode com o exemplo do Kososvo, repetir-se por exemplo no País Basco, ao de forma previsivelmente sangrenta no enclave azeri de Nagorno-Kharabak na Arménia, e na Moldova.
Na verdade a NATO fez o que a Rússia fez agora, os motivos e os meios assemelham-se, e as consequências imediatas também. Contudo, se nós ocidentais desconfiamos da agenda política russa, nunca estes confiaram na nossa.

O controlo do Cáucaso é vital para a Rússia assumir de novo o seu papel imperial, algo que Georgianos, Arménios e Azeris claramente receiam. Mesmo a Ucrânia pode ter na Crimeia (base da Frota Russa do Mar Negro) um pretexto apetecível para recontros mais perigosos. Até onde irá esta Rússia que durante muito tempo apenas a máscara se queria ver. A verdadeira face das estepes nunca esteve totalmente escondida e apenas os jogos de poder tentavam adiar um cenário negativo.

Vemos agora a verdadeira Rússia, a nova potência renascida concebida ao longo dos dez últimos anos. De facto, tudo parece um plano muito bem delineado, com determinadas etapas muito bem estabelecidas, e onde certos acontecimentos apenas fizeram avançar mais rapidamente para a concretização dos objectivos - o alargamento da NATO e da UE para Leste, os mísseis na Polónia, o campo de radares na República Checa.
São inúmeros os casos que podem demonstrar a falta de fé (democrática) por parte da Rússia. As anuais chantagens energéticas de inverno, que colocam a Ucrânia e a Polónia em posições débeis, e em reacções embaraçosas das também dependentes Alemanha e França. O assassinato de Litvinenko em 2005 (não é dificil suspeitar do Kremlin, e quanto mais tempo passa...). A "ilegalização" do British Council na Rússia. O ataque cibernético à Letónia e este ano à Geórgia. Em 2003, o então Presidente Putin afirmou que "o maior erro geoestratégico do século XX foi o fim da União Soviética". A prisão de indivíduos "perigosos e criminosos" para o Estado. A guerra na Tchetchénia. O assassinato de jornalistas, entre as quais Anna Politkovkaia. E finalmente, a troca de lugares Putin-Medvedev, foi obviamente uma cena primordial de um filme cujo enredo se vislumbra cada vez melhor.

A presença em Tblissi dos líderes da Ucrânia, Polónia, Letónia, Estónia e Lituânia, numa manifestação de apoio ao Presidente georgiano, foi uma clara e desafiadora posição de força contra a intervenção e as reais intenções da Rússia.



Logo, o assunto é mais grave do que parece. Os receios de uma nova Guerra Fria não são infundados, apesar dos desmentidos. Assistimos a uma alteração geoestratégica clara com a posição desafiadora da Rússia, e as hesitantes reacções europeia, e claramente duras dos EUA. Tal, que o endurecimento da situação favorece a posição do candidato republicano John McCain, quando o que mais se deseja são atitudes de mudança e paz possíveis com Barack Obama como Presidente dos EUA.
O problema prende-se em como agir para não fazer zangar o urso. Não o podemos diabolizar (grande parte da responsabilidade da ordem mundial deve-se ao erro Bush-Cheney), mas também não devemos ficar indiferentes à Rússia que agora se apresenta. Mais uma vez nos corredores do poder, a Realpolitk toma posições.



Para acompanhamento directo e explicativo do que acontece na Rússia, o blog do jornalista José Milhazes oferece excelentes visões e claras notícias do país das estepes.

2007-12-12

the Puppet Show

2007-12-06

My name is





2006-01-14

Perigo iraniano



A intenção, nitidamente maliciosa, de o Irão querer obter energia nuclear com o argumento de necessidades energéticas, mas é o 4º maior exportador de petróleo; quando nos últimos anos desenvolveu mísseis de médio alcance; e uma investigação secreta de quase vinte anos sobre o uso do nuclear como arma; um continuado impasse de negociações; esta semana o rompimento dos selos (colocados pela ONU) nas suas instalações nucleares; e por fim, alimentando - desde sempre aliás - uma hegemomia político(religioso)-militar na região, e intensificada por um recém-presidente radical e perigoso nas palavras, demonstram um grave problema para o futuro próximo. A instabilidade da área em nada precisava de mais esta ingógnita hostil. A intervenção americana no Irão e a luta com a Al-Qaeda também no Afeganistão, a recente situação em Israel, o impasse volátil no Líbano e na Síria, apenas saciam a vontade de ideologias extremistas para a desconfiança, a ameaça e a confrontação. A violência alimenta-se da violência e alicerçado no conceito das armas de dissuação (vulgo nucleares) a vontade do Irão de querer o que Israel (querido inimigo) tem, fazendo vista grossa - particularmente aos EUA, o inimigo-mor - como um puto estúpido que tem uma fisga e os outros não só para meter medo, configura-se como uma atitude de intensa volatibilidade, e cujas intenções hostis não estão descartadas de uso de facto. Vemo-nos, ainda no berço da civilização, confrontados com a incerteza dos dias futuros, onde a sede do poder e da hegemonia, a ideologia dos dogmas desviantes e absolutos se conjugam, que nos podem arrastar para noites longas e sangrentas. Levar o assunto ao Conselho de Segurança é um primeiro passo a dar. Há que estar atento. Muito atento.

2006-01-06

The fall of Falcon-Sharon ou a Terra da Instabilidade


Quando Ariel Sharon entrou no Pátio das Mesquitas em Setembro de 2000, precipitou Israel e a Palestina numa nova etapa, daquelas que (demasiado) ciclicamente transformam tudo, causando bastante temor para os tempos vindouros. O Likud venceu as eleições face ao enfraquecido Labour, e a partir daqui foi o que todos sabemos. A complexa situação da Terra Santa face à arrogância dos Homens que invocam a fé a par da vingança - quer de um lado, quer do outro - afinal povos irmãos, como os cristãos, filhos de um mesmo Deus, continuamente colocam tudo e todos em sobressalto, pois o que ali se passa é um epicentro político de mais importância que muita gente julga. A Terra Prometida é nada mais que a Terra da violência, da inexistência de liberdade e futuro, dos dias de sobrevivência vividos como se fossem o último, do ódio e do desprezo. Sharon eliminou o Processo de Paz número 3 mil e tal (quantos mais serão necessários?), construiu o Muro Opressor (no entanto tem conseguido afastar os ataques, but what goes up wil come down). Mas com coragem retirou de Gaza, que contudo não deixa de ser um presente envenenado, como se tem visto nas últimas semanas.
Nunca apreciei Sharon, sempre o considerei um homem perigoso. Deu uma nova definição a Eretz Israel (uma utopia como qualquer outra, irrealizável) retirando de Gaza, isolando a Cisjordânia e não abdicando de Jerusalém, com isso invialibilizando tecnicamente um futuro Estado da Palestina e assegurando a soberania político-militar e "moral" sobre a região.

O terramoto político da criação do one-man-party Kadima, agora com a sua grave situação clínica parece que não irá sobreviver sem o seu mentor. O rumo do destino parece querer evitar uma vitória certa de um renovado (?) Sharon, empenhado em sustentar as suas políticas (unilaterais) de "pacificação" (mas com resultados positivos) de braço dado com Peres Nobel da Paz (cujo valor eleitoral é inferior em muito ao seu valor político) nas próximas eleições de Março. E se Sharon se vir incapacitado, ou eventualmente - para gáudio do Hamas - morrer? Peres não é solução, perdedor tradicional, diz-se em Israel que se concorresse consigo próprio também perderia. O Labour ainda não terá força suficiente. Mas numa infeliz repetição da História, o (abominável) Netanyahu pode subir de novo ao poder (como quando após o assassinato de Rabin há 10 anos atrás). Com isso contará novamente com a preciosa ajuda de diversos ataques dos grupos extremistas palestinianos, ainda mais motivados com a radicalização do Irão e do conceito Al-Qaeda. Mas estará a sociedade israelita motivada para a paz, ou iludida para a radicalização (ou vice-versa)?

Com a queda do falcão, afinal o menos mau - parece a Rússia desde Gorbatchov - da direita israelita (!) poderá mergulhar-nos para novas e incertas evoluções negativas. A Terra Prometida da Paz e da Liberdade continuará uma miragem. Ou também é uma utopia?