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2011-11-12

Creativity needs time

2011-05-12

Utopia

Sussurras doces palavras enquanto o teu corpo-deusa me amarra em canduras que muito quero sentir. Seduzes-me com olhos cheios de sonhos e vejo mundos (im)possíveis onde contigo quero voar. Afago-me no calor quase maternal de uma promessa que teus braços firmes me fazem. Convences-me com o conforto de uma ideia, a segurança de uma possibilidade, uma busca de felicidade como destino inevitável.
Contemplo-te após aquele abraço de paixão. Diante de mim está a utopia e não quero fugir. Enredo-me no fascínio das tuas curvas enquanto te levantas e caminhas com volúpia para fora do teatro de sonhos que esta cama exaltou.
De livre vontade escolho mergulhar neste encantamento. Entrego-me ao desejo e ao sonho, afasto de mim o pecado e a lúxuria. Pois nesta cama de paixão onde a utopia comigo se deita, começa uma realidade exaltante à medida que a manhã ilumina o mundo do nosso quarto.

A utopia é como uma mulher apaixonante. O cheiro suave que emana da pele quente como um caminho certo para a meta. É um corpo que nos arrepia na certeza que a beleza é sagrada. A utopia é a sedosa textura dos cabelos, fortes e belos, que nos toca com a delícia de uma manhã de verão. É o amanhã radioso que nos fará cantar. São os lábios quentes que nos beijam pela noite, ou a voz inteligente que nos encanta para o sonho. É o sorriso puro que nos faz acreditar.

É esta crença que parece desaparecida. Os homens perderam o sonho, desacreditam utopias, esvaziam desejos, desocupam futuros. Tropeçámos nas ilusões confundindo-as com as efémeras flores de inverno. Traimos as nossas aspirações de igualdade, desvalorizámos os objectivos de liberdade, esquecemos o significado de fraternidade. Misturámos conceitos evolutivos de coisa nenhuma, mitificámos a idealização, matámos a nobreza da imaginação. A utopia perdeu-se quando os homens se deixaram corromper por falsos ídolos de ideologias extremas ou rumos egoístas. Demasiados permitiram-se vaguear por ideais de ilusão que nos atropelaram a realidade, mudando as percepções e a face de um mundo que se construiu em escombros tóxicos de um chão outrora fértil. Não podemos continuar a desacreditar sob pena de sucumbirmos na cruel mediocridade que nos pisa.

Todo o ser humano tenta acreditar em algo, é transcendente a si próprio. Para uns será um ideal de razão, para outros uma busca de luz. A utopia não é religião, ou uma crença cega, é uma ambição natural para um propósito comum, um entendimento inevitável para justificar um objectivo, um conceito pelo qual podemos trabalhar para cumprir..
É necessário (re)encontrar o caminho certo. Acreditar numa utopia tem o seu lado inocente e ingénuo, mas não se é tolo por acreditar na mudança e num projecto claro que nos faça (re)erguer.
A utopia não pode cingir-se a uma ilha imaginária, ou reduzir-se a uma sociedade fora de tempo. A utopia é o intangível que nos move, um baluarte de esperança, uma terra prometida. A utopia é aquele momento orgásmico das revoluções justas, é um golo avassalador de Leo Messi, é a chegada do homem à Lua. A utopia é todo um trabalho de imaginação e criatividade, luta e justiça, para a política e para a sociedade, que nos conduz a um clímax de verdade e objectivos concretos.

Falta-nos sentir isso de novo. Precisamos acreditar de novo.
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2011-04-13

Disruptive Thinking

2011-02-18

Ideias de Origem Portuguesa


Fundação Calouste Gulbenkian + Fundação Talento

2011-02-11

Renovar a Democracia


Democracia etimologicamente significa o poder do povo, e como tal, enquanto sistema político, não sendo perfeito, é aquele que melhor garante os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Como tudo na vida é política, tal sistema nunca é garantido por completo, pelo que cabe aos mesmos cidadãos velar pela execução, manutenção e melhoramento da democracia. Impende sobre os cidadãos o dever de intervenção e defesa desses tão intrínsecos valores, tal como objectivamente promover a ética, a responsabilidade e a defesa do bem comum. Porque é possível fazer melhor.

Por isso criámos o blog Renovar a Democracia, um espaço dedicado a todos os que no seu quotidiano, sentem a necessidade de reflectir sobre aquilo que os rodeia. Sobretudo em matérias como a condução do destino colectivo, a vida em sociedade e a necessidade de mudança que o presente teima em mostrar. É um espaço que procura a reflexão ética e responsável, independentemente da sua origem ideológica ou social.
Não fomos por arrasto de movimentos que entretanto foram surgindo. Trata-se de um projecto cuja idealização data alguns meses e que viu finalmente inaugurado o seu espaço público.

Porque achamos que a mudança começa em cada um de nós, desafiamos todos os que sentem essa necessidade de mudança a contribuir na procura de soluções que nos indiquem um futuro mais justo. Pensamos que a crítica das acções e a denúncia dos problema são relevantes, mas mais importante é contribuir com opiniões e propostas que possam ter efeito no decurso das nossas vidas. A vida de cada um de nós e a organização da sociedade é demasiado importante para só pensarmos profundamente sobre elas quando se marcam eleições. Ou julgar que apenas a alguns compete. Porque para contrariar um tempo de degradação é necessário um tempo de mudança.

Não nos movemos pela demagogia nem pelo populismo, não somos apolíticos quando tudo na verdade é objecto da política. Somos democratas e cidadãos que crêem na racionalidade e na verdade, na transparência e na pluralidade, no debate são de ideias construtivas e progressistas.

A Democracia é um projecto em curso, em continuada reformulação. A Democracia pode ser renovada. Defendemos a transformação do sistema: pela reforma da Constituição na diferenciação dos objectivos, poderes, checks and balances e responsabilidades partilhadas; pela reformulação do sistema eleitoral e a representatividade dos partidos; pela reorganização territorial; pela reafirmação da ética e valores democráticos e republicanos; pela fraternidade e o respeito da individualidade; pela justiça e a igualdade.

A luta por um amanhã brilhante está nas mãos de cada um. A audácia não pode sucumbir ao medo que nos comprime. A esperança num futuro sorridente é energia pura que nos fará vencer. Nenhum caminho é fácil de trilhar, mas é possível chegar ao fim. É possível acreditar. O tempo para mudar é agora, chegou o momento da lucidez. Por uma Democracia renovada, vamos criar a mudança.

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Victor Barreiras e Ivo Gomes
11.02.2011

2010-11-09

2010-10-14

Where good ideas come from


Four-minute version presentation made by Cognitive Media
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2010-06-14

A insustentável situação do ser

1.
Tenho como norma não entrar no velho e caquético modo lusitano de queixa permanente, ou tão pouco disparar antes de perguntar. Porque falar mal por falar está este país cheio, seja através de barbaridades comuns e insultos ordinários, seja por palavras demagógicas e circunstanciais. Procuro sempre analisar e reflectir antes de opinar ao confrontar-me com a extensão de problemas e questões que atravessam todo o espectro do que no fundo é Portugal, sendo que não é possível fugir do óbvio ou ignorar as características do ser.

2.
Este passado dia 10 de Junho celebrou-se mais um Dia de Portugal. Contudo até que ponto é isto transposto numa identidade colectiva que de uma forma ou de outra desvaloriza, ou desonra, como nas palavras de António Barreto, a memória de feitos e pessoas? Que povo é este que não sente o destino de uma nação para além de um triste fado a todos condenado, que se resigna às situações com receio da mudança?
A inevitabilidade constante do ser português conduz ciclicamente a estas situações insustentáveis. E o problema emperra na falta condições de saída pela simples questão, igualmente nacional, de falta de planeamento, de falta de coragem. Não pensar o futuro como um objectivo tem conduzido o país a soluções de curto prazo e vistas curtas. Na verdade, tudo é curto. Seja na laboração, seja nos resultados, seja no bolso. Até a força expressiva de ser português peca na curta dedicação individual e colectiva, peca na desesperança pelo bem comum, peca na curta miragem de um sonho que já não existe. O país perdeu estima e respeito próprios, onde só o futebol é razão para patriotismo.

Portugal foi perdendo o seu caminho. Por uma monarquia de feudos, por um republicanismo confuso, por um nacionalismo retrógado, por uma utopia inconsequente, e finalmente por um capitalismo facilitista. Os últimos vinte anos conduziram a um laxismo por demais evidente, e que rapidamente se transformou em lixismo igualmente generalizado, significando que a única visão palpável de um futuro que já começou, se situa entre lixados (quase todos) e lixo (de diversa espécie).

Portugal vive ciclicamente de oportunidades perdidas. Por não saber organizar-se, por apenas queixar-se, por premiar a mediocricidade, por invejar e desvalorizar o mérito sem lhe seguir o bom exemplo. É tanto uma questão nacional como individual. De nada serve ambicionar ser como finlandeses ou espanhois. Eles são como são porque possuem as suas peculiares características nacionais de finlandeses e espanhois que todos sabemos como são. Mas nem eles próprios são perfeitos, o que nos obriga que a mudança de atitude e objectividade nacionais seja entendida como um factor de mudança de como ser português. Cai-se sempre na mitologia que "antes éramos os maiores do mundo" sem se entender isso como um alicerce para o futuro. Sonhamos com o passado embora presos num presente sem futuro. Soundbyte ou não, Portugal não consegue libertar o futuro. Porque para isso é preciso pensar, organizar, planear tudo o que seja necessário para construir um futuro sustentável - na educação, na justiça social, na mobilidade, na integridade territorial, na valorização do melhor que cá se produz, no regressar à agricultura. Tudo isto necessita de bom senso, seriedade, objectividade e planeamento. O que claramente tem faltado e que leva cada vez mais as pessoas a afastarem-se e a revoltarem-se contra a política. Mas, se o português num modo geral assim é, como poderia a classe dirigente não ser afinal um retrato do povo que o elege? Estamos condicionados a um sistema político-eleitoral de partidos que sobrevivem no seguidismo cerceadora na sua maioria da liberdade de pensamento e responsabilidade individuais dos seus deputados, que na essência não conhecemos, e que apesar da presente legislatura possuir poderes para alterar a Constituição, repetidamente se manifestam contra modificar para uma representatividade directa, proporcional e uninominal como no Reino Unido, em França e nos EUA.

3.
Estamos tão adormecidos ou perdidos nisto que nem o melhor instrumento para a introspecção e a revolta funciona. Um país que já nem consegue rir-se de si próprio é um país justamente amorfo na sua condição vazia. Onde está o pensamento crítico do humor? Que aconteceu ao humor político que tão bem funciona em momentos de crise? A subjectividade da análise crítica através do humor é uma poderosa arma para abrir olhos, forçar mudanças, reavivar combates. Parecem-me todos resignados a não tocar no desinteressante (que não deixa de ser verdade) mas que atinge a todos de uma forma ou de outra. Falta-nos os Contemporâneos, falta-nos um Jon Stewart português. Não fosse o "aburguesamento" dos Gato Fedorento e poderiam ser eles o porta-estandarte de uma nova condição crítica, de uma opinião pública que pressione, tão essencial para uma sociedade que se pretende moderna e participativa.

Uma coisa é nos revermos numa identidade nacional colectiva outra é projectar uma ideia de modificar a identidade nacional individual. Se não queremos ser como a maioria, cabe a cada um encetar a sua própria mudança. Se detestamos o José Sócrates, há que chutá-lo para fora. Se admiramos o José Mourinho, há que ser como ele.
A exigência deve começar em casa para se espalhar à comunidade. É um trabalho árduo e longo, que começa com a transmissão de ideias, valores e acções democráticas, justas e sérias aos nossos filhos. Quantos mais colaborarem neste objectivo melhor será a capacidade de renovar mentalidades, características, trabalhadores, dirigentes e elites.
Pois esta insustentável mediocridade actual, se não cair este Verão, manter-se-á por mais um ano, e será mais um ano perdido a somar a tantos e tantos outros.
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2009-11-07

Al Gore interview


'Civil disobedience has a role to play'

Al Gore was born to be the most powerful man on Earth, but fell just short of his political destiny. Can the former law-maker now win his place in history as the man who helped save the planet?

Oliver Burkeman interviews Al Gore for The Guardian

2009-11-02

Chimamanda Adichie: The danger of a single story


Our lives, our cultures, are composed of many overlapping stories. Novelist Chimamanda Adichie tells the story of how she found her authentic cultural voice -- and warns that if we hear only a single story about another person or country, we risk a critical misunderstanding.

Inspired by Nigerian history and tragedies all but forgotten by recent generations of westerners, Chimamanda Ngozi Adichie’s novels and stories are jewels in the crown of diasporan literature.


http://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

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2009-10-23

muito barulho para nada



Tudo é questionável. Dificilmente existem verdades absolutas, frequentemente elas se revelam absolutamente falsas. O que poderá existir sim são factos absolutos, tal como o dia se segue à noite, e a Lua orbita a Terra. Questionar não é denegrir, cair na agressão. Pode por-se em causa, argumentar e demonstrar com outra visão, outra leitura, outras provas. Foi assim que fez Richard Dawkins com a sua tese "The God Delusion", não isenta de polémica claro, porque tocar na religião é assunto delicado.


Eu gosto de José Saramago. Aprecio a escrita, louvo-lhe a frontalidade. "O Ensaio sobre a Cegueira" e "Ensaio sobre a Lucidez" são romances pertinentes e escrutinadoras das fraquezas, dissonâncias e direitos do ser humano numa sociedade estranhamente menos comunitária do que (pr)entende ser. Até hoje "O Evangelho de Jesus Cristo" se mantém como uma das obras que mais gostei de ler. Entrar numa outra realidade, confrontarmo-nos com outras possibilidades não nos comete contra isto ou aquilo, apenas nos potencia enquanto humanos ao direito e ao dever da dúvida e da busca do entendimento. É do conhecimento geral a condição de ateu de Saramago, que não advém necessariamente por ser comunista. Contudo, quando afirma "posso ser ateu, mas não sou tolo" ao justificar o conhecimento da Bíblia para escrever esta obra e o mais recente "Caim", a sua análise verbal nos últimos dias assenta sobre considerações polémicas desnecessárias e algumas delas falaciosas roçando uma visão tão anti-religiosamente fundamentalista quanto o religioso mais fundamentalista. Dizer que Deus desde o sétimo dia de descanso nada fez é uma ideia tão disruptiva como engraçada. "Isto tem algum sentido?" indicia que os crentes são idiotas. Com "a Bíblia é um "manual de maus costumes" e um "catálogo de crueldades" Saramago está a confundir a árvore com a floresta. Primeiro, o Deus castigador a que se refere pertence somente ao Antigo Testamento, e sim está repleto de regras e atitudes ignóbeis. Segundo, não é essa a leitura essencial dessa obra magnífica, e digo-o não por razão religiosa, mas pela imensa força cultural que teve e tem ao longo de milhares de anos e milhões de crentes em todo o mundo, sendo comum a cristanismo, judaísmo e islamismo. Mesmo que matar em nome de Deus tenha sido o maior erro da Humanidade.


José Saramago não foi intelectualmente sério, e ele sabe-o. A Bíblia é um conjunto de histórias diversas, algumas factuais, muitas delas simbólicas onde, como diz Carlos Fiolhais no Público "tão errado é levar a Bíblia à letra, aceitando o que lá está" como "recusando o que lá está". Cada um acredita no que quer, e entende como lhe aprouver. A nossa liberdade individual permite-nos isso. E questionar a fé não deverá sê-lo com palavras menos honrosas e desrespeitadoras. "Lê a Bíblia e perde a fé!" não é necessariamente ofensivo, mas demonstra novamente com laivos de intolerância que quem acredita está tão profundamente errado como dois mais dois serem igual a três.

As reacções mais loucas vêm de quem pode não merecer crédito, como Sousa Lara, o famoso "censor" que faria novamente o mesmo e com esta obra também, e que no fim Saramago terá o seu castigo adequado, e um eurodeputado do PSD que insta Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa. Quanto menos humorados e mais fechados na sua fé, mais a afronta sentida, o que não abona a favor dos próprios nem para a discussão.

No fundo andámos estes dias a discutir patetices, como na crónica de Vasco Pulido Valente que arrasa Saramago ("...tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara") - que discordo - e todos aqueles que se escandalizaram com um farsa ("extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória").


"O Homem inventou Deus e escravizou-se dele" não é novidade nem exclusivo de José Saramago mas, ao aparentar de tempos a tempos estar contra Deus no fundo está a aceitá-lo mais do que a negá-lo. Somos todos frutos de uma realidade social e cultural judaico-cristã, que o próprio autor não o nega, eu próprio com conhecimento sobre a matéria tenho muitas dúvidas. Mas quando 95% da população mundial se afirma crente, podem os restantes 5% bradar que a maioria está errada? Mais aceitável será o ser humano poder viver sem religião mas que não pode viver sem espiritualidade.


O livro não deverá ser tão polémico como as palavras proferidas pelo autor. Li o primeiro capítulo em pré-publicação e achei-o fresco, livre, engraçado e pertinente, ficando com muita vontade de ler o resto. E com a técnica "falem bem ou mal, desde que falem" a promoção extra do livro está garantida, e no fim ver-se-à que, nas palavras de Shakespeare, foi muito barulho para nada.

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2009-05-24

The end of innocence and a new beginning



The end of innocence and a new beginning

In life we hold some things for granted, some things as sacred, and others as trustworthy. We demand and expect from others the same values and principles that hold ourselves as individuals, coleagues, parents, citizens. A democracy, as imperfect as it may be, still is nevertheless the best political system that has ensured freedom, justice, development and peace. And those who dedicate their work, life and ideas to politics and public office, have even more responsability to uphold and ensure all these beliefs.
And for centuries, despite black sheep that may and have existed among us, the nobility of politics, the credibility of public service, has always kept its high standards. A formidable parliamentarian history such as ours is a question of honor and pride all over the country and the world. Britain's extraordinary virtues of democratic values and its political system have been regarded as an example.
When the recession came in hard as it did, the banks were a instituition we never hoped not to distrust. If you cannot trust the banks with our money, who can you then? Brick by brick, trust and disbelief came crumbling down.

And now, the upmost place we could call as our own house of principles and values, shows its true color. Descredit in politians has always been around, but in our collective innocence, we've hoped and voted for a better chance, a better way, a better change, a better democracy. All this MP expenses affair falls in to the ridiculous, the exaggeration, the abuse of priviliges, the disrespect of a supposed noble and credible and public position. It is a shame. How can anyone believe a word of an MP? How can some MPs have the nerve to say "we must not allow this to happen again"? How can the people from now on deliver its vote without wondering "when will I be fooled again?", or "they're just in it for the money"? This must not be the way to see and feel politics, nor the way some have indeed turned it into.

What we have seen is, as Gordon Brown so correctly said, Westminster, through this polite english manner has been a gentleman's club, that writes and manages its own rules and rights. This must end. All this scandal puts politics at stake and democracy at risk. Reform and change must come to the inside walls of the House. Reform and change must come to the inside walls of Whitehall (remember the email smears?). Reform and change must come to the inside walls of British politics.
There is no turning back. These past weeks and days, politicians are trying to make amends - some for the true sake of politics, others for their own.
Changes must be discussed. Changes must be done.

The good thing is that this new crisis brings the opportunity and the challenge to discuss the true meaning of politics and democracy. This is an amazing chance to rethink and gather many views. And into what we want as participants of the political process. Here lies a moment to write a new chapter for Britain's 21st century democracy.
Checks and balances must be truely concieved and put at order. Maybe it is time for a written Constitution.

And then a general election must be held as soon as possible. To evict the bad MPs, to sustain the good, to renew the Parliament, to restart a government.
To ensure and regain the ethics, values and the trust of politics and democracy as whole.



The Guardian has a special page here and a PDF supplement "A New Politics".





O fim da inocência e um novo começo


Na vida temos algumas coisas que consideramos garantidas, outras como sagradas, e outras como dignas de confiança. Exigimos e esperamos dos outros os mesmos valores e princípios que nós próprios enquanto indivíduos, colegas, pais, cidadãos nos regemos. A democracia, sendo imperfeita, é contudo o único e melhor sistema político que garante a justiça, o desenvolvimento e a paz. E aqueles que dedicam o seu trabalho, as suas ideias e a suas vidas ao serviço público, têm maior responsabilidade para defender e assegurar estas crenças.
Durante séculos, apesar de ovelhas ranhosas que vão surgindo, a nobreza da política e a credibilidade do serviço público, têm estado no Reino Unido sempre em elevados níveis. Uma história parlamentar formidável é uma questão de honra e de orgulho por todo o país e para o mundo. As extraordinárias virtudes e valores democráticos britânicos têm sido visto como um exemplo.
Quando a recessão caiu com toda a força, os bancos foram a instituição que não esperávamos desconfiar. Se não podemos confiar o nosso dinheiro aos bancos, a quem podemos? Pedra sobre pedra, a confiança e o descrédito foram caíndo.

E agora, o local que se podia chamar a Casa desses príncipios e valores demonstrou a sua verdadeira face. Sempre existiu descrédito nos políticos, mas creio que numa inocência colectiva, os britânicos, e aqueles que observam a realidade britânica, tinham no acto de votar a crença para melhores oportunidades, melhores modos, melhores mudanças, melhor democracia. Todo este escândalo à volta das despesas dos deputados cai tanto no exagero, no abuso dos seus poderes, como no ridículo e no desrespeito que um cargo público credibiliza. É uma vergonha. Como pode alguém acreditar agora na palavra de um deputado? Como podem alguns deputados ter o desplante de dizer "não podemos permitir que isto volte a acontecer"? Como poderá o eleitor a partir de agora impedir no seu pensamento que "vão enganar-me de novo", ou "eles só estão nisto pelo dinheiro"? Não deve ser este o modo como ver e sentir a política, ou tão pouco como alguns de facto o têm tornado.

O que vimos, como o primeiro-ministro Gordon Brown tão bem disse, que neste jeito inglês educado, Westminster tem sido um Clube de Cavalheiros que faz as suas próprias regras. Isto tem de acabar. Todo este escândalo coloca a política em risco e a democracia em causa. Reforma e mudança têm de chegar dentro das paredes de Westminster. Reforma e mudança têm de entrar dentro das paredes de Whitehall, a sede do governo (recordam-se dos emails de falsas acusações?). Reforma e mudança têm de estar dentro das paredes da política britânica.
Não há como voltar atrás. Nas últimas semanas e nestes dias mais recentes, os políticos têm feito esforços para corrigir as coisas - uns pelo bem da política, outros para seu próprio bem.
As mudanças devem ser debatidas. As mudanças devem ser implementadas.

O lado bom desta crise tornou-se numa oportunidade e num desafio para discutir o verdadeiro significado da política e da democracia. É uma óptima possiblidade para repensar e reunir muitas ideias e atrair cada vez mais participantes para o processo político. É um momento para todos poderem escrever um novo capítulo para a democracia do séc. XXI.
Freios e contrapesos (no inglês, checks and balances) devem ser concebidos e colocados em prática. Talvez seja o momento para uma Constituição escrita.

E depois, o mais breve possível, eleições gerais devem ter lugar. Para expulsar os maus deputados, premiar os bons, renovar o Parlamento, reiniciar o Governo.
Para assegurar e fazer regressar a ética, os valores e a confiança na política e na democracia como um todo.



The Guardian tem uma página especial e um PDF chamado "A New Politics".
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2009-05-18

Fé ou idolatria?


Foto: José Pedro Tomaz | www.ionline.pt

Este fim-de-semana Lisboa assistiu a dois eventos religiosos. A imagem de Nossa Senhora de Fátima desceu à capital. E a comemoração dos 50 anos da estátua do Cristo-Rei. Milhares de pessoas em devoção num e noutro, e depois em conjunto.

Mas entre a fé e a idolatria, com a emoção exposta pela visão de objectos,
não pareceu haver uma fronteira demasiado ténue? E não falo enquanto ateu ou tão pouco por desprezo quanto à religião. Tive uma educação religiosa bastante prolongada, e tenho interesse e gosto pelo conhecimento do acto religioso e das várias ideologias teológicas. Hoje afirmo-me como agnóstico, sem contudo negar o fascínio, pela figura de Jesus.
Uma emissão televisiva em directo de quase todos os canais de sinal aberto, transmitiu um retrato curioso de um país mergulhado numa
veneração de contornos entre o kitsch e um quase "salazarismo".
Certo que a fé move montanhas, mas teria de mobilizar tantas estações de TV? Entendo que o catolicismo é imensa maioria em Portugal, mas a presença do Presidente da República justifica-se? O aniversário de um ícone religioso implica uma celebração tamanha? Alguém vai festejar os 135 da estátua de D.Afonso Henriques, em Guimarães?

Como profissional de comunicação entendo bem o poder dos símbolos e a relevância pública destas. Mas fiquei perplexo com estas manifestações, em que algumas pessoas se emocionavam pela experiência desta visão, e quase de menos por uma vivência continuada e ética da fé.
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2009-02-27

2009-02-24

Desafiar



"A Origem do Mundo", 1866
Pintado por Gustave Courbet

A liberdade de expressão é uma das pedras basilares da democracia. O entendimento de que a liberdade do indivíduo termina quando começa a do outro, dentro dos valores do respeito e do bom senso, da aceitação da diferença e no confronto civilizado da discussão das ideias, parece que têm nos últimos tempos sido esquecidos, mal interpretados, a raiar demasiadamente próximo de comportamentos entre a censura e a intolerância.

A imagem ostentada na capa do livro "Pornocracia" de Catherine Breillat (editado em Portugal pela Teorema) e a sátira ao computador Magalhães no Carnaval de Torres Vedras demonstram que ainda existem preconceitos e maus conceitos, seja sobre sexo, seja sobre o que é a sua discussão e livre pensamento, seja o que é sátira e diversão.
O controlo sobre o pensamento, a sua divulgação e a prática verbal e visual de opiniões diferenciadas é uma tendência para o autoritarismo, o medo e a inépcia intelectual. Pode o dogmatismo, a presunção, a demagogia, a ignorância sobrepôr-se ao consagrado pela Constituição da República Portuguesa, pela Declaração Universal dos Direitos Humanos? Claramente os recentes acontecimentos pecaram por exagero e incompreensão por parte das autoridades judiciais e policiais. A sátira e a ironia são formas inteligentes e criativas da expressão de ideias e crítica. Chocantes, atentados, pornográficos? Todos os dias os vemos nas TVs (nas notícias, nas séries) e nos filmes - já ninguém se importa com o morticínio e outras desgraças de carácter pornográfico em guerras ou calamidades. Tornou-se banal.

O declínio das democracias acentua-se também por actos deste género. Quando não respeitamos e exigimos de outros um comportamento padrão, estamos a cercear a sua liberdade. O controlo sobre essa liberdade apenas surge quando é lesiva para terceiros e para a comunidade. E para isso a lei tem os mecanismos para actuar em conformidade.


Eis o que diz a Constituição da República Portuguesa:

Artigo 37.º
Liberdade de expressão e informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.

4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

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2009-01-01

2009

O nosso bom futuro constroi-se em relações assentes na confiança, na inclusão global e na forte crença de que cada um de nós é parte de um bem comum, o planeta Terra. O intercâmbio entre povos e nações deve ser obtido pelo bem, pela honra, pelo respeito, pela paz. Cada um tem o inequívoco direito à felicidade e, juntos, principalmente com aqueles que detém o poder e os meios, devemos avançar e actuar para fazer a diferença, para fazer as coisas funcionarem, para fazer a mudança.

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2008-05-30

Acordo em desacordo



O problema

Uma discussão longa e acesa, esclarecedora e demagógica, divisória e nacionalista. O debate sobre o Acordo Ortográfico cresceu nos últimos meses de uma maneira inusitada, quando há já quinze anos está tudo planificado. Mas o "Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico" está a dar dura luta e a evidenciar diversos argumentos válidos e pertinentes. "É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras. Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão."

De facto (eu leio o "c") na sua essência enquanto reforma ortográfica, estou de acordo. É na sua especificidade que discordo. A redução da palavra escrita à condição fonética é uma simplificação prejudicial. Certo que imensas palavras "minguaram" ao longo de séculos, a evolução da língua ditou mudanças que podemos considerar naturais, mas outras podemos observar como estranhas ou injustificadas.

Incongruências diversas existem ora no modo como as grafias evoluíram, ora no modo como deixámos que as distâncias nos diferenciassem. Este acordo é tanto vantajosa, como falaciosa. Não vamos falar português com sotaque brazuca, nem vai facilitar o ensino da língua. Apenas torna una, o que outros idiomas globais sempre tiveram. As especificidades gráficas no inglês (color, colour) são mínimas comparadas com o português dos dois lados do Atlântico. A evolução da grafia lusa no Brasil mais se deve ao imenso caldeirão de culturas e gentes que, na sua oralidade, modificaram de tal modo o português que este se afirma mais diferente (e original) que o inglês falado nos EUA, na África do Sul ou na Austrália. Nunca houve uma base comum para o ensino da língua portuguesa, como Vasco Pulido Valente refere ao enunciar o exemplo do ensino do inglês com base na tradução da Bíblia de 1611, a King James Bible. O Império Britânico "muniu" o seu sistema de ensino com uma grafia-padrão, onde pequenas variantes que mais tardem surgiram, em nada originaram as curiosidades que observamos por cá.
É tudo muito confuso, mas paradoxalmente, claramente simples. Permitir que haja uma só grafia reconhecida e usada por todos os falantes de português é legítimo e necessário. Contudo, erros do passado não serão emendados, nem agora nem nunca. O distanciamento desde o início do século XX trouxe-nos diferenças que nos embaraçam, nos estranham, mas que também nos podem unir. Mais uma vez os paradoxos no uso da língua. As excepções continuarão, sendo algumas delas bastante confusas. Mais uma vez por causa do modo como falamos, e não tanto da maneira como as escrevemos. A pronunciação da palavra evidencia toda a diferença.

E temos também a beleza gráfica das palavras. A simplificação elimina o carácter estético que mesmo as palavras possuem. Quanta classe e sedução existe em "Victor" que em "Vitor" simplesmente não se vislumbra...

O modo mais simples, e mais "letal" para a afirmação de duas grafias passa por exemplo por práticas inconcebíveis como em cimeiras entre Portugal e Brasil, o texto comum ser distribuído em grafias diferentes. Porquê? Será que por isso o outro não entenderá? Será o orgulho da língua escrita mais valiosa que a compreensão do idioma falado? E aí voltamos de novo ao problema - por que não uma grafia comum?
As resistências à inevitável nova grafia existirão na nossa geração. As gerações seguintes não colocarão quaisquer entraves, e a língua fluirá normalmente. Então é uma derrota à partida a luta contra o acordo? Depende dos próximos anos de implementação.
O Manifesto não se ficará por aqui. Vasco Graça Moura continuará a apresentar as suas razões até que a voz lhe doa. E eu continuarei a escrever de facto o que acho mais correcto e óptimo.


As diferenças que nos unem
É a diversidade que embeleza o espírito humano. Compreendo a problemática do ensino do português por professores brasileiros. Ou melhor, não há. O modo diferente dos seus alunos conhecerem o português será mais pela oratória que pela escrita. A confusão (se houver, que duvido) pode vir daí. Mas está aqui, como no português falado em África que maravilha de forma original a oralidade da língua. Claro que deverão haver regras, mas as especificidades devem ser respeitadas e não eliminadas de forma expedita ou sem critério cientificamente válido.


Uma definição estratégica da língua portuguesa
Afirma-se que com o Acordo o Português pode passar a ser uma das línguas oficiais das Nações Unidas. Será isso que falta? A indecisão entre uma grafia e outra tem sido assim tão problemático que impediu até agora esta "valorização"? Custa-me a entender estas coisas. A riqueza e a beleza do português europeu não ofuscou nunca a do português brasileiro. Quando Guimarães Rosa ou Mia Couto inventam novas palavras é com alegria que todos nos devem sentir, pela capacidade criativa que um idioma consegue possuir. O futuro da língua portuguesa insere-se num contexto mais lato - na definição estratégica da Lusofonia. dentro da comunidade dos povos lusófonos e, para o mundo. A afirmação da nossa especificidade cultural e linguística é ponto de partida para um ideal novo, moderno e tradicional, humanista e de cidadania.

2007-08-02

Africa as an investment

2007-07-28