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2011-02-04

O princípio do fim



O fim da tranquilidade, do império, da paz. Há cinquenta anos atrás, Portugal entrava numa etapa crucial da sua existência. Pode ter sido uma acção fracassada, mas aquela madrugada de 4 de Fevereiro de 1961 foi o primeiro sinal de mudança.
Munidos de catanas e paus, centenas de angolanos, com o intuito de libertarem presos políticos das cadeias de Luanda, iniciaram a luta armada pela independência de Angola. A partir daqui, e com os horríveis massacres de Março, todo o império colonial tremeu.
Formaram-se três frentes de guerra que, como qualquer guerra, mostrou o melhor e o pior do ser humano


2010-10-18

Africa United


"Africa United" tells the extraordinary story of three Rwandan children and their bid to achieve their ultimate dream - to take part in the opening ceremony of the 2010 Football World Cup in Johannesburg.

"Africa United" é um fascinante (e muito esperado) road-movie através de África, pleno de aventura, companheirismo, alegria, e esperança. Três crianças e um adolescente com destino ao Campeonato do Mundo na África do Sul.
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2010-07-19

Rest in fantasy


Fantasy coffins from Ghana, West Africa

Caixões fantasiosos do Gana, costa ocidental africana
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2009-11-02

Chimamanda Adichie: The danger of a single story


Our lives, our cultures, are composed of many overlapping stories. Novelist Chimamanda Adichie tells the story of how she found her authentic cultural voice -- and warns that if we hear only a single story about another person or country, we risk a critical misunderstanding.

Inspired by Nigerian history and tragedies all but forgotten by recent generations of westerners, Chimamanda Ngozi Adichie’s novels and stories are jewels in the crown of diasporan literature.


http://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

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2007-12-07

oportunidade x oportunismo


Foto tirada no Lubango, Agosto 2006

E assim foi. Mugabe está cá, Gordon Brown recusou-se a vir. Se Mugabe não fosse convidado, vários países africanos fariam boicote. Um símbolo pode ser considerado como tal quando é tão óbvia a sua demência?
Sete anos após a primeira cimeira UE-África, a segunda edição esteve por um fio. Mas a questão que fica, ainda antes do encontro se iniciar - para que serve? Quais as verdadeiras razões? Valerá a pena? É minha convicção que esta reunião é importantíssima. A Europa necessita de encetar, como um todo, um diálogo com África, afirmar-se para si e para o mundo como um bloco económico com uma consciência social efectiva enquanto política exterior. Então é só para encher o ego, perguntar-se-á. Sim e não. Neste fim-de-semana reforçam-se os alicerces da Europa unida e humanista, farol da democracia e blá, blá, blá. Tudo em que acredito, não desdenho, mas de facto importante e que desejo que seja o menos visível desta cimeira. O que está em causa aqui estão outras duas razões: a China e África. Desde a cimeira do Cairo em 2001, o "Império do Meio" já teve uma mão cheia de encontros com África, e temos visto bem os dividendos que os chineses têm retirado do continente negro. Mas existe um problema: a China quando investe ganha muito mais do que aquilo que retribui - é a tecnologia, o dinheiro, a mão-de-obra inteiramente chineses que, quando acaba o trabalho regressa tudo a casa. Qual é o legado que a China deixa em África? O máximo são as estradas - que eu bem vim em Angola o ano passado - que passados meses está em más condições de circulação. A China retira petróleo, gás e outras matérias-primas. A China "impõe" a sua influência, dá dinheiro fácil para administrações corruptas, "impede" um verdadeiro crescimento e desenvolvimento sustentado de África.

A Europa pode e deve ser o oposto. Mas deve abandonar de vez os tiques colonialistas. Assim como África tem de erradicar a vitimização anti-colonial. Esta cimeira pode ser o inicio de uma nova oportunidade. Contudo seria preciso uma cimeira para isso? A diplomacia funciona tanto ou mais nos bastidores, mas aqui existirão diversas conversas intercalares. É é urgente mostrar a todos os intervenientes e ao mundo como a aposta em África pode ser uma conquista para um futuro melhor. A interdependência dos povos no mundo globalizado necessita de políticas e relações de cooperação eficazes por forma a combater a pobreza, a guerra e as alterações climáticas, por forma a melhorar a governação e o respeito pelos povos e os direitos humanos. São estas as áreas-chave que estão sobre a mesa. Durante demasiadas décadas se olhou para África como um continente perdido. Chegou a hora de mudar isso, pelas pessoas, pelo continente, pelo planeta. Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio da ONU têm de ser aplicados.

E quanto às "persona non-grata"? A ausência do PM britânico tornar-se-á menos sentida que a presença do senil Mugabe. Durante semanas que se tenta evitar a ideia que seja, somente, uma cimeira UE-Mugabe. É necessário não empolar demasiado a sua presença, mas chamar à atenção de todos sobre as atrocidades que são cometidos em África todos os dias. De início o que parecia uma posição nobre e de força, parece-me agora uma atitude individual e com menos resultados práticos que o desejado.
De 53 países, apenas meia-dúzia se pode apresentar como verdadeiramente democrático ou livre. Segundo escrevem David Miliband e Doulgas Alexander do Foreign Office "o primeiro-minstro britânico não estará presente - devido à nossa preocupação com a tragédia que se está a desenvolver no Zimbabwe, que afecta pessoas de todas as raças e que acreditamos ser culpa de Robert Mugabe". Então e no Congo, no Sudão, nos Camarões, no Chade, na Etiópia, na Somália, onde a guerra, a miséria e o despotismo são tão ou mais graves que no Zimbabwe? Há meses que se tenta na ONU uma solução para o Darfur - há mais de quatro anos que milhares de pessoas sofrem e são mortas naquele território, no que há muito se considera um genocídio. Fez-se finca-pé à presença do presidente do Sudão em Lisboa?
Nos meandros diplomáticos há que falar com todos, mesmo com aqueles que possamos detestar. É a nossa força e superioridade ética e democrática contra a sobranceria e o despotismo. A conversar é que a gente se entende, não é? A UE perde aqui uma oportunidade de falar a uma só voz...

A nova relação com África deverá ser de parceria, estratégica e humanista. O humanitarismo não deve terminar, mas é uma visão que não deverá ser considerada como a única. É com cooperação aberta, laços fraternos, políticas de desenvolvimento e atitudes nobres que devemos construir uma África do futuro, com futuro, para o futuro. O continente africano é uma das maiores riquezas do planeta com os seus imensos recursos naturais, a extraordinária biodiversidade, e sua magnífica multiculturalidade. A nossa esperança enquanto verdadeiros cidadãos e civilização democrática e livre pode também residir em África.

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Comentário de Silvino Silva

Dizes bem quando olhas para África e, realmente, apontas que déspotas é coisa que lá não falta, até aí em absoluto acordo. Mas também se pode dizer que, desde o fim do colonialismo, é a interferência externa e em grande medida ao bajular da escumalha política do Ocidente que, em busca da delapidação sistemática dos recursos locais africanos, mantém elites ditatoriais no poder.

Prender o senhor Robert Mugabe do Zimbabwe, o senhor José Eduardo dos Santos de Angola, e levá-los para serem julgado no T.P.I. de Haia, com os restantes tiranos, é acima de tudo um dever moral da Europa e de todos os países, ocidentais ou não, que se auto-intitulem, como democráticos.

"Não é a falar que nos entendemos", chega de "falinhas mansas", mas antes é com acções concretas que demonstrem efectivamente que os valores que os governantes ocidentais dizem defender não passam de palavras vãs.

A juntar aos tiranos, africanos ou de outras origens, está na altura de começar a levantar a voz contra gente tão hipócrita como Durão Barroso e José Sócrates, entre outros governantes europeus, que vão sendo coniventes com situações anti-democráticas.

Deixem-me recordar o recente "namoro" Sócrates-Hugo Chavez, da Venezuela, o pseudo-democrata que limita cada vez mais a liberdade dos venezuelanos... Viva o petróleo, já que as pessoas não contam.

Deixem-me recordar também o célebre caso das O.G.M.A., em que o senhor Durão Barroso (então Ministro dos Negíocios Estrangeiros), achou bem que Portugal interferisse a favor dum dos lados da guerra civil angolana, aniquilando até hoje qualquer possibilidade de vir a haver verdadeiramente uma democracia naquele país, tão caro aos Portugueses.
A Angola do século XXI tem no seu presidente um dos homens mais ricos do mundo, no entanto o povo vive miseravelmente. Doenças que estavam praticamente erradicadas no tempo do colonialismo português (como a tuberculose e a doença do sono), já para não falar da malária que então tinha um quadro bastante mais favorável, constuituem hoje autênticas pandemias.

Mugabe on Zimbabwe

2007-11-02

Darfur Now



A story of hope in the midst of one of humanity’s darkest hours - a call to action for people everywhere to end the catastrophe unfolding in Darfur, Sudan. In this documentary, the struggles and achievements of six different individuals from inside Darfur and around the world bring to light the tragedy in Sudan and show how the actions of one person can make a difference to millions.

Darfur Now: trailer e site

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Mia Farrow backs new appeal for Darfur

SKYnews | 02.12.2007

2007-08-02

Africa as an investment

2007-07-26

Lusofonia a (R)evolução



Está online uma short-version do excelente documentário Lusofonia a (R)evolução produzido pela Red Bull Music Academy em colaboração com a RTP (transmitido na RTP1 num sábado do mês passado), e com a usual óptima pós-produção e montagem da Subfilmes. Grande parte do conceito que defendo está aqui, numa linguagem única e de potencialidade imensa.

Para ler mais em:
http://www.myspace.com/lusofoniaarevolucao
http://www.danceplanet.com/modules/noticias/noticia.php?id=842


Sinopse
Está a afirmar-se em Lisboa uma geração de músicos, produtores e DJs que, atenta às mutações estéticas e tecnológicas na música, não deixa de pugnar por um traço distintivo herdado pela cultura de que fazem parte: a Lusófona. É esta que favorece a singularidade dos nossos artistas num contexto histórico em que a uniformização na criação ofusca a singularidade. Lusofonia, a (R)Evolução é um cartão de visita sobre a identidade musical Lusófona.

O movimento de músicos de Lisboa – de Sara Tavares, Lura, Chullage, Buraka Som Sistema ou Sam The Kid – emana características únicas: sejam ritmos, melodias, vocábulos que sintetizam através dos sons cinco séculos de história conjunta entre os territórios que hoje partilham o idioma Português.“Lusofonia, A (R)Evolução” está dividido em várias partes:

1. As Raízes da Fusão
A música funcionou como um meio de integração social desde o séc.XV - início da exploração marítima de Portugal. As trocas sociais e culturais fomentaram o aparecimento de géneros musicais tendo como base um entreposto de escravos, Cabo Verde. O saudoso Raul Indipwo revela uma visão atenta e credível sobre as ligações entre, por exemplo, Fado e Morna, numa óptica em tudo idêntica à de José Ramos Tinhorão, publicada no livro “Os Negros Em Portugal: Uma Presença Silenciosa” - que serviu de base bibliográfica a este segmento do documentário.

2. A canção é uma Arma
A música também desempenhou um papel preponderante nos países lusófonos, quando estes viviam sob regimes ditatoriais (em Portugal e Brasil) e coloniais (em África). O movimento brasileiro Tropicália nasceu neste contexto e artistas nacionais e dos PALOP usavam a música como um meio de consciencialização social.

3. O Boom dos Anos 80
Não apenas nasceu uma indústria discográfica no decénio 1980-1990, como também começaram a chegar músicos africanos a Lisboa iniciando-se um processo de intercâmbio – que daria poucos frutos nesta década.

4. A Nova Mestiçagem
Foi nos anos 90 que a ideia de lusofonia ganha uma nova vida graças a uma geração de música urbana, influenciada pelo hip hop. Filhos de imigrantes despontaram através da compilação “Rapública”; bandas como os Cool Hipnoise davam uma nova abordagem aos ritmos brasileiros; os Kussundolola promoviam um Reggae angolanizado e editoras como a Nylon pugnavam por um produto português feito por executantes lusófonos. Os anos 90 foram uma época de transformação mas uma fusão musical lusófona decorre no segundo milénio. “Talvez um dia quando falarem em Lusofonia não vão estar a falar só do Português, mas também de tudo o que isso derivou...”Chullage (Músico), in “Lusofonia, A (R)Evolução”

5. Sons em (R)Evolução
Depois de 2000 os fenómenos de cruzamento lusófono tornam-se por demais evidentes. Marcelo D2, no Brasil, cruza Samba com Hip Hop; Nigga Poison e Chullage dão ao crioulo uma nova roupagem; os Buraka Som Sistema pegam no Kuduro para criarem uma nova música de dança, lisboeta; Lura e Sara Tavares, ambas naturais de Lisboa, operam na world music, seja seguindo a tradição de Cabo Verde, no caso da primeira, seja amalgamando elementos, no caso da segunda.

2007-07-17

Vanity Fair Africa

The 21 people who put their famous faces to work for this issue say it all. Annie Leibovitz paired them up on 20 different covers—shout-outs for the challenge, the promise, and the future of Africa.

A Vanity Fair lançou uma edição especial sobre África, tendo Bono, como no The Independent, sido o Guest-Editor. Colocar o assunto em 20 capas diferentes foi pôr na imprensa - principalmente a americana - um projecto editorial de grande envergadura, pela emergência da situação, pela necessidade de intervenção, por uma nova atitude política.

Fotos de Annie Leibovitz a 21 personalidades empenhadas (Bush também?) em salvar África, como Barack Obama, Don Cheadle, Oprah, Desmond Tutu e a Rainha Rania da Jordânia.





2007-06-26

Mayra Andrade



Somos construídos por culturas mas também construtores de cruzamentos. A mestiçagem é o acto mais belo para a diversidade, raiz para a criação livre e pura da natureza humana.
A minha mais recente descoberta musical chama-se Mayra Andrade, cidadã do mundo o suficiente para me apaixonar. O seu albúm de estreia a solo - Navega - é contagiante: sentimos a magia crioula, a intensidade africana, a contemporaneidade dos sons afro-brasileiros, a síntese do jazz, a paixão do ritmo, a urbanidade da mestiçagem, o encanto de Cabo Verde.
Mayra vem este fim-de-semana ao AfricaFestival.

As canções podem ser ouvidas e lidas no site, também no MySpace
e vistas no YouTube



Entrevista

E aqui Parte 2, Parte 3 e Parte 4

África Festival

2006-11-27

Sara Tavares na BBC2


Sexta passada, "Later with Jools Holland" da BBC2, no melhor e mais mediático programa de música da TV britânica.

2006-08-21

Diários do Lubango

De regresso após umas inusitadas férias: uma quinzena em Angola e uma semana em Portugal com chuva e sem praia.

Quanto à nossa estadia por terras africanas, de tantas fotos, histórias e sucedidos optei ainda lá, por registar num blog à parte. Designado como Diários do Lubango, inicio hoje o relato de 16 dias de muita paisagem bela, (re)encontro com familiares de extraordinário afecto e confiança, calor humano e frio nocturno, viagens longas e fascinantes, ambiente africano/hemisfério sul, paludismo para os dois, e muita saudade do filhote.

Ao longo das próximas semanas poderão acompanhar textos e deslumbrar-se com as imagens (cerca de 1500 fotos, ainda por tratar) neste blog.

2006-07-25

Angola



Um ano depois do meu regresso à terra-mãe, agora é a vez da minha mulher. Passados 31 anos. Pois é, de forma supreendente fomos convidados a visitar Angola. Após 3 vacinas mais medicação preventiva (febre amarela, malária, hepatite A e tétano) partimos quinta às 22h para um vôo de oito penosas horas até Luanda e depois cerca de duas em ligação regional até Lubango, 1220 km para sul, local onde toda a família agora se encontra.

Lubango (ex-Sá da Bandeira), capital da província da Huíla, é a cidade do sul com maior desenvolvimento, que conseguiu ao máximo fugir à guerra civil, distando 200 da costa (cidade costeira directa é Namibe). É curiosamente onde mais brancos existem - afinal foi fundada por uma colónia de madeirenses em 1885. A família é originária do Huambo (e da cidade modernista que era Nova Lisboa), província vizinha a norte e fustigadíssima pelo conflito UNITA-MPLA ao longo de 30 anos, e particularmente em 1992, na chamada Guerra das Cidades ocorrida após as únicas eleições. Encontrarei edifícios de linha modernista internacional, abundantemente produzida nas ex-colónias, avenidas largas e desenhos urbanísticos planificados, construções de estilo colonial, mas igualmente as precárias e as tenebrosas. Cidades e vilas perdidas pela miséria e o infortúnio. E com a ideia que falta fazer muito por lá, e uma vez terminada a guerra, Angola tornou-se na "terra da oportunidade" (para os empresários, claro).
Neste momento é inverno, logo não vou para a brasa, nem tão pouco para a praia (200 km).

Desde sempre com interesse pelo continente, em particular pela África Negra, o fascínio foi aumentando ao longo do conhecimento, e exponenciado pela minha mulher - minha mulatinha cabrita - e pela estada em Cabo Verde. Existe agora a oportunidade de, absolutamente fora do cliché branco-ocidental, ou do esteriótipo colonialista, entre 10 a 15 dias, sentir, respirar e ver terra africana, abraçarmos a imensidão desta terra mítica, a beleza da sua natureza, as suas deslumbrantes paisagens. Mas vou consciente das dificuldades que irei encontrar, das assimetrias sociais e económicas (não tão gritantes como em Luanda), da precaridade das infraestrutruras. Estou preparado para as ocasionais falhas de energia, para as estradas ruins e longas. Ficarei bem mais perto que das parcas notícias que chegam à Europa. Vamos ver um outro mundo, outra cultura, calmo e imenso, simples e desfalcado, belo e intolerável.

[Na imagem: planalto e Tundavala]

2006-05-20

Sara Tavares



Extraordinário, belo, emotivo, positivo, mestiço.

2006-03-23

Minhas tardes africanas



Via RDP Àfrica (online). Das 14 às 17. Às segundas "Oceano Índigo". Terça a sexta "Música sem Espinhas".
Pela diferença, pelo ecletismo, pela curiosidade, pela paixão.

2005-11-25

A vez do tropicalismo mestiço



"Mesmo que se tente tapar os olhos, já está tudo aí.
Somos portugueses mais africanos e africanos mais portugueses" Melo D

"Criar algo mais luso que a própria saudade" Kalaf

"... somos uma nova cultura urbana (...) Eu e o Kalaf gostamos muito de falar sobre o tropicalismo, sobre Fela Kuti, e o movimento afro. Uns estão ligados aos outros" Sara Tavares

"Não é preciso ir muito longe. Hoje uma das maiores cantoras de fado é africana: Mariza" Paulo Magalhães


Hoje no suplemento Y, do PÚBLICO

2005-07-05

Morabeza



Cabo Verde celebra hoje trinta anos de independência
. Território majestoso pela beleza das suas ilhas e das suas gentes, o arquipélago tem revelado um percurso invulgar e exemplar na realidade africana. Dentro das dificuldades inerentes à geografia e à lacuna de
diversas condições devido à falta de investimento enquanto colónia, este país-irmão, tentando a sua sorte na diáspora e lutando diariamente nas suas terras, em paz e estabilidade tem evoluído a sua condição com a prosperidade possível. Quando visitei a ilha de São Vicente há poucos anos atrás, estava consciente do que iria encontrar, vi a pobreza e as dificuldades, mas também vi diginidade e sorrisos.

Morabeza europeia. Todas as circunstâncias do estado actual do país levou a que se iniciasse um processo de negociação com a União Europeia, com vista ao estatuto de país-associado, ou mesmo Estado-membro. Insólito? As ilhas de Cabo Verde são dos territórios africanos mais "europeizados", a cultura local é uma súmula única de negro com branco ao longo de séculos. A relação com a Europa mantém-se, nos aspectos económicos e sociais - Portugal e a Holanda são os destinos principais da emigração cabo-verdiana. Por que não então ser o mais ultra-periférico dos territórios da UE? Madeira e Canárias são em África. Seria uma ponte entre três lados do Atlântico - Europa, África e América do Sul (via Brasil). Este conceito desafia os contornos actuais do que definimos como UE, e arriscaria a que até Timor ou a Guatemala pedissem a adesão. Longe de transformar Cabo Verde na estância africana de férias dos europeus, o feliz desenvolvimento do território pode muito bem passar por um estatuto mais estreito com a Europa.

2005-07-04

The last chance?



The following five formal objectives for the Comission for Africa were agreed at the first meeting in May 2004:
1. To generate new ideas and action for a strong and prosperous Africa, using the 2005 British presidencies of the G8 and the European Union as a platform;
2. To support the best of existing work on Africa, in particular the New Partnership for Africa's Development (NEPAD) and the African Union, and help ensure this work achieves its goals;
3. To help deliver implementation of existing international commitments towards Africa;
4. To offer a fresh and positive perspective for Africa and its diverse culture in the 21st century, which challenges unfair perceptions and helps deliver changes; and
5. To understand and help fulfil African aspirations for the future by listening to Africans





"…Africa is a wonderful, diverse continent with an extraordinary, energetic and resilient people. But it is also plagued with problems so serious that no continent could tackle them on its own (...)"
(....) Climate change is a global problem that needs addressing now for the sake of future generations. The science is well established and the dangers clear (…)”

UK Prime Minister Tony Blair

The Guardian: Q&A
The Independent: Gleneagles agenda