2005-04-08

De Labore Solis



O título do post é o lema das profecias de São Malaquias referente a João Paulo II. O incansável lutador, a luz da esperança e do amor de Jesus Cristo para com a Humanidade. Vai hoje a enterrar um dos últimos grandes homens do séc.XX, aglutinador da vontade de (re)união de todos numa irmandade solidária, num sentido ecuménico como caminho de futuro, o combatente da liberdade contra toda a opressão, o homem que ama todos como seus irmãos, pais ou filhos. Para muitos, perdeu-se um pai, para outros um líder incontestavelmente único que ajudou a transformar o mundo das últimas décadas.
Tem sido extraordinário ver as reacções por todo o mundo desde a sua morte no passado sábado, sendo particularmente impressionante as multidões em Roma. O que prova a força e o testemunho da sua missão, dos mais diversos credos e mesmo de quem não acredita.


A 26 de Março de 2000, o Papa realizou um dos mais importantes gestos da História - com toda a intensidade política, religiosa e social - ao colocar no Muro das Lamentações, o pedido de perdão pelos pecados da Igreja contra os "irmãos" judeus:

“Deus dos nossos pais, que escolheste Abraão e os seus descendentes para trazer o Teu nome às nações: estamos profundamente tristes com o comportamento daqueles que, ao longo do curso da história, causaram sofrimento a estes teus filhos e, pedindo o teu perdão, manifestamos o desejo de nos comprometermos a uma irmandade genuína com o povo do convénio.”

2005-04-05

Design: publicações online


TYPO. Excelente publicação checa de e sobre design gráfico, comunicação e tipografia.
Vai no número 13 (downloadble issues).


ANOTHER MAGAZINE. London.

2005-04-04

Design: Livros



"The Brand Gap: How to Bridge the Distance between Business Strategy and Design"
Marty Neumeier

"Emotional Design"
D. Norman
Another great book about the various levels at which design can contribute to the purchasing decision as well as contributing to the building of the brand.

"Designing for People"
Henry Dreyfuss and Earl Powell
A new book looking at the role of design in not only a functional way, but also in a way that will enhance business and brand value.

"Creating the Perfect Design Brief"
Peter Phillips
A great new addition to the product development bookshelf. Simple and easy to follow.

2005-04-01

Literatura: José Luis Peixoto

"Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.(...)"

início de
"Nenhum Olhar", Temas e Debates, 2001



Vejam este site. Leiam este belíssimo autor.

Habitat: Free Spirit Spheres


2005-03-29

StarWars III: Revenge of the Sith



Maio, 19. Desde garoto que faz parte do meu imaginário e é um dos responsáveis do fascínio pela FC; aguardo com grande expectativa o Episódio III da saga. Espero que seja melhor que os anteriores I e II, e que não seja apenas a magnífica Natalie Portman a única actriz humana que se aproveite...

2005-03-28

Babel: Europa



Terá a "confusio linguarum" tomado já conta da Europa? Nas instituições da UE é um problema diário lidar com esta nova Torre de Babel do séc XXI.

A inovação da construção da UE, assente nas suas estruturas políticas, económicas e sociais, no seu ideal de unificação e desenvolvimento das nações europeias, assenta igualmente na riqueza da diversidade cultural e linguística. Acontece que num continente onde existem tantos países como línguas faladas, é um problema igualmente comum. Como lidar então com a comunicação numa estrutura supranacional de 25 países e 20 línguas oficiais (sem mencionar as segundas e terceiras línguas oficiais de alguns)? Sendo hoje, o inglês a língua franca, para franceses e alemães, com as suas importâncias, desejos, objectivos e influências no contexto europeu, os seus idiomas não são para menosprezar. Mas a estruturação de laços de vária ordem, em particular com os novos 10 membros - Letónia, Lituânia, Estónia, Polónia, Rep.Checa, Hungria, Eslováquia, Eslovénia, Malta e Chipre - tornam a língua uma "ponta-de-lança" decisiva. Sendo, no entanto o alemão, historicamente mais imediato nos países do centro-leste, o inglês toma clara vantagem nas ilhas mediterrânicas. Aliás o nível de conhecimento dos idiomas europeus está bem documentado no portal da UE.

Mas algo não deverá escapar a este novo alargamento: o reconhecimento e aprendizagem das línguas locais pode ser uma grande vantagem. Recordo que quando há 7 anos estive em Praga, foi dificílimo encontrar um jovem que falasse inglês, arranhavam o alemão, e era com satisfação para eles quando lhes cumprimentava ou agradecia em checo. Hoje o panorama deve ser outro decerto, mas a facilidade lusa de aprender línguas é um ponto de vantagem sobre vários colegas nossos da UE. No entanto, veja-se o exemplo do cidadão holandês: para além da sua, aprenderá inglês e alemão, e possivelmente francês, ou seja, dada a sua localização geoestratégica poderá ser fluente em 3/4 idiomas, obtendo daí uma infindável série de vantagens.

Contudo, os próximos alargamentos, de novo a leste, trarão ainda mais idiomas (servo-croata, romeno, búlgaro, turco e russo/ucraniano) traduzindo-se num problema maior o nível e a capacidade de entendimento entre os povos, que se pretende que seja uma das principais forças-motrizes da integração europeia. A vinda do russo e do turco representará uma vasta oportunidade nos mais diversos domínios. As importâncias geo-estratégica e histórico-políticas da adesão destes é por demais conhecida.

Sendo eu um europeísta convicto, consciente das metas e das dificuldades que o futuro nos reserva, onde o Tratado Constitucional é apenas a primeira etapa, importa realçar que a riqueza cultural-linguística que a Europa ostenta poderá ser uma barreira à real integração e interacção num território com cerca de 400 milhões de habitantes. A comunicação e o conhecimento são a chave. Nunca o isolamento.

2005-03-24

Design: Fontes

FONTLEECH.com.
Um guia para as melhores fontes grátis.
Actualizações diárias.
Recomendo vivamente.

extraordinário: Verne



Sempre fui fascinado por histórias fantásticas, em grande parte devido à obra deste autor extraordinário. A visão de um futuro alucinante, o mergulho em aventuras deslumbrantes, as descobertas científicas e mundos fantásticos.

"Tudo o que um homem é capaz de imaginar, um outro é capaz de o realizar".
Hoje, 100 anos após a morte de Jules Verne. E também no Público, nova colecção de livros à quarta-feira: Planeta Verne.

Estratégia: Europe's West Coast



A proposta de Pedro Bidarra - Europe's West Coast - pensada e divulgada há já algum tempo, mas não devidamente apreciada por quem de direito, re-posiciona Portugal, numa visão que vai muito para além do simples conceito de destino turístico. É audaz, visionário, num aspecto eventualmente polémico e, inteligentemente estruturante para modificar, com sucesso, o que Fernando Pessoa afirmou: "falta cumprir-se Portugal".

"(...) Será que um país à margem, longe de tudo e de todos, sem cosmopolitismo, sem mundo, parado, é o que os portugueses e o Governo querem? Será isto bom para o investimento e exportações, para os criadores e criações portuguesas e para a afirmação de Portugal no mundo? (...) Esta Ocidental Praia Lusitana é também uma Ocidental Praia Europeia. O que proponho então como "novo filtro" é o West e a solução comunicar Portugal como a Europe's West Coast. O que é que ganhamos com isto? Uma poderosíssima rede de associações que induzirá o estrangeiro a reavaliar o país. Uma reavaliação benéfica, muito para além do turismo embora este seja o primeiro a beneficiar com o reposicionamento (...)"




Recordo-me de ter lido o artigo quando no Público saiu, e há semanas atrás descobri a apresentação PDF. Nós apoiamos a 100%.

Lisboa: Carrilho

Quando, no ano passado, se começou, naquele jeito especulativo-truculento da política, a avançar com vários nomes no seio do PS para a Câmara de Lisboa, o de Ferro Rodrigues sempre me pareceu inconcebível. O senhor até pode ter competência e estofo para o ofício, mas os acontecimentos vários à volta da sua pessoa nunca o colocariam em posição de vantagem face a adversários do PSD. E também, desde a primeira hora, em que houve uma vontade não abertamente expressa, mas implicitamente notória, que apoio a potencial candidatura de Manuel Maria Carrilho. O único - verdadeiro - Ministro da Cultura que Portugal teve, é o melhor candidato para a Câmara de Lisboa: pelo trabalho desenvolvido enquanto ministro, pelas ideias e propostas de cidade e urbanidade, pelo cariz combativo e concretizador, até pelo carisma - mesmo que haja quem dele não goste, não negará o atrás descrito (quase como não gostamos da postura de José Mourinho, mas reconhecemos a excelência enquanto treinador de futebol).
Nunca entendi o apoio do BE a Ferro, sempre consideraria natural a tendência Carrilho, mas a abrangência na capital a uma eventual candidatura deste último é notória.

"(...) conseguiu, de maneira extraordinariamente competente, criar uma teia de cumplicidades e de apoios que condicionaram, e de que maneira, a opção de José Sócrates e Jorge Coelho. Sabendo que jamais seria uma escolha natural, utilizou o capital criado enquanto ministro da Cultura para lançar uma candidatura cuja força vem de fora do aparelho. Conseguiu, por exemplo, o apoio declarado de José Saramago e de António Lobo Antunes, o que é a concretização de uma verdadeira quadratura do círculo. (...) Manuel Maria Carrilho, se ganhar as eleições, poderá ser o melhor presidente da Câmara de Lisboa. Como foi, aliás, o melhor ministro da Cultura. A vontade de deixar uma marca, algo que perseguiu obsessivamente durante a sua experiência governativa, aliada à visão que tem do futuro da cidade, são mais- -valias evidentes. Tem opiniões firmes sobre urbanismo, sobre a identidade cultural de Lisboa, sobre a recuperação do rio como matéria estruturante do próprio pulsar da cidade, sobre a humanização da vida numa grande metrópole. (...)"

Editorial de Luis Osório, n'A Capital
Quinta 17 Março 2005

2005-03-22

Dila: exposição em breve




Em primeira mão, alguns pormenores.

De vez em quando é assim:



Jornais que ficam empilhadamente à espera de certas leituras mais atenciosas.
Público, Capital, DN, Independente.
Quando o tempo não chega, há-de sobrar tempo alguma vez.

2005-03-21

Chuva:

Foi com alívio e prazer que me senti nestes últimos dias.

dia: mundial da poesia

Um poema exemplar

Um poema exemplar: em linhas como:
«Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e existem praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes e não vejo
Nem o crescer do mar nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes»



Sophia de Melo Breyner Andresen
«Cidade», Livro Sexto



+ + + + + + + + + + + + + + + +


Eu adoro poesia. Cada momento que passa sinto mais a força e o doce sabor das palavras. Nelas me encontro, nelas me perco. Embalam e assaltam meus sentidos. Num tempo onde o tempo não tem tempo, e quando o tempo não satisfaz as agruras do nosso tempo, há um terrível esforço pelo tempo das palavras, pelo aconcheço e o amor das mesmas. Fartos estamos nós da violência dos dias onde as palavras se transformam em armas vis, ou mesmo quando a maldade não deixa sequer tempo para a palavra. A candura e a beleza, a firmeza e preserverança na palavra se podem encontrar. Não leiam mais isto. Leiam um poema. Um por dia.

2005-03-20

Pedrosas: Face





2005-03-17

blog: desígnio

Blog deveras interessante, possuindo textos e análises sobre o design, oriundos de diversas fontes.

Em destaque:
Design Management
Manifesto do Design Gráfico
Ética e Design?
Incompreensão do Design
Ensaio sobre o Medium do Design: para além do objecto

2005-03-15

Manual: do Bom Designer

O profissionalismo e qualidade que se pretende atingir vêm nestas atitudes e métodos de trabalho.

1
Ser curioso, inconformado, e bem informado
Pesquisa. Pesquisa. E mais pesquisa. Sempre alerta a tudo: design gráfico/industrial/moda, arquitectura, todas as artes visuais e dramáticas, música bem variada, programas/documentários TV culturais, políticos, científicos, imprensa. Em suma: boa cultura geral.

2
Ciente do mundo
Saber que tudo o que nos rodeia, as nossas experiências pessoais e profissionais, a nossa maneira de ser e de ver o mundo se reflectem no nosso trabalho.

3
Autocrítico
Ser crítico em relação ao trabalhos dos outros e mais ainda quanto ao nosso próprio trabalho.

4
Sempre profissional
Saber que num trabalho se pode sempre fazer melhor. Mas convém que sejas tu a fazê-lo primeiro. Com planeamento e criatividade, originalidade e coerência, qualidade e eficácia. Vestir a camisola. Competitivo e ambicioso. Saber que existe sempre alguém que pode ocupar o teu lugar.

5
A união faz a força
Saber trabalhar em equipa. Não se isolar do mundo. A melhor ideia pode surgir ao virar da esquina ou a ouvir o amigo ou colega do lado.

6
Tolerância (e realismo)
Reconhecer que nem todos têm a tua maneira de pensar. Principalmente os clientes! Por isso é importante saber apresentar, explicar e defender o trabalho para conseguires ser ouvido. Reconhecer também que ninguém nasce ensinado. Mesmo que a escolaridade e cultura nacionais sejam a mais baixa da UE, podendo trazer contratempos.

7
Gráfico ama Macs
Se és gráfico abandona o CorelDraw. Aplica-te no Freehand e Illustrator. Photoshop vem por acréscimo. Só tens a ganhar com isso.
Excomunga o PC, e abraça o maravilhoso mundo Apple Macintosh. Cada vez mais baratos e sempre, sempre fiáveis. A ferramenta dos profissionais.

8
Curso a sério
Cursinhos de design tirados em poucas semanas, não servem para nada. Uma boa formação, de preferência universitária é essencial para criar um bom profissional. Actualizar-se com cursos de formação profissional.

9
Fontes
Ignora Avant Garde, Times, Comic Sans e Arial. Existem milhares e milhares de boas fontes prontinhas para serem usadas.

10
Concorrência desleal
Um arquitecto não é um designer (nem vice-versa) e, enganem-se aqueles que pensam que lá por ser arquitecto, sabe mais que nós. Um informático que faça coisinhas em flash, não é designer. Um curioso que faça uns bonecos, não é designer.

11
Léxico
Excomungar as palavras "espectacular", "fixe", "jeitoso", "giro" e "bonecos".

12
Cidadania
Pensar que ser designer é contribuir. Não fumar. Reciclar no local de trabalho e em casa. Votar.

13
Conclusão
Um Bom Designer não precisa de um Manual.


[elaborado por Zarp, Spear e Fox]