2005-03-11

cartazes: japoneses



DNP Gallery

11: M

Foi há um ano que as trevas de nosso novo inimigo se lançou. Sobre a inocência ceifada pela pura maldade, combatemos os dias futuros, incertos e inseguros, mas firmes e audazes pois a tolerância e a democracia está no sangue que flui como a vida que amamos.

2005-03-10

poesia: Alexandre O'Neill

Ao rosto vulgar dos dias

Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.

Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.




E de novo, Lisboa...

E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.

Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.

Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?





Alexandre O´Neill
Poesias Completas
1951/1981
Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional Casa da Moeda

uma: cor

Uma maioria, um governo, um presidente. Começando hoje (inauguração da AR nesta nova legislatura) e finalmente oficializada sábado com a tomada de posse do novo executivo. Afinal foi o PS e a esquerda que obtiveram o desejo (longíquo) de Sá Carneiro.

Estratégias: nacionais

Nos ultimos dias assistimos à enumeração de desígnios nacionais e à renovação de outros. De novo. A falta de actuação e a inexistência de políticas funcionais sobre diversas matérias essenciais ao país continua. O que falta fazer pode tornar Portugal um país digno do conceito europeu: moderno, eficaz, funcional, justo. É absolutamente necessário elaborar e, acima de tudo, pôr em prática, estratégias de médio e longo prazo que visem a renovação política, económica e social, dos recursos e da adminstração e ordenamento territorial português. Todos os políticos e governos o falam, mas onde estão os resultados concretos das suas intervenções? Pensar tais planos e estratégias não deve cingir-se aos gabinetes ministeriais, deve aglomerar técnicos e responsáveis qualificados, das universidades, de institutos, da sociedade; em conjunto elaborar com eficácia e rigor - e temos agora uma nova oportunidade, que se revela quase derradeira, se queremos atingir os patamares dos nossos parceiros europeus no espaço mínimo de dez anos; senão mais longe e difícil o caminho se tornará.

Água
Poupar e redistribuir correctamente. Evitar a tranformação de quase metade do país num deserto (afinal, petróleo não existe por cá). Água é vida, e no futuro será motivo de guerras em certas regiões do mundo.

Energias alternativas
Apostar definitivamente na energia solar, continuar mais a éolica, desenvolver a das marés. Diminuindo a dependência e custo financeiro do petróleo. Modernizando e autonomizando tecnológica e energeticamente.

Educação e Tecnologia
Criar um currículo estável e abrangente (fim das reformas com cada novo ministro da educação), um regime de estudos básicos e profissionalizantes, interligação efectiva universidades-institutos-mundo laboral, promovendo a investigação e integração no trabalho. O conhecimento técnico e teórico é primordial para a modernização do país, nos mais diversos factores (económico, social, cultural, tecnológico). Promover o ensino das artes, do desporto e de línguas estrangeiras desde o ensino básico. Fundamental a renovação do ensino do Português e da Matemática.

Ordenamento das florestas
Organização e limpeza, em coordenação com autarquias, bombeiros, exército, e programas de laboração especial para presos como trabalho para a comunidade.

Combate aos incêndios
Planear atempadamente. Dotar os bombeiros de meios adequados, suficientes e modernos, abandonando a "técnica" dos alugueres, e reforçando a autonomia e a profissionalização.

Ordenamento do território
Regionalização: deliberação de poderes e competências; cinco regiões contra 20 e tal divisões actuais. Natureza: melhor organização, melhor defesa, melhor fiscalização.

Reforma do Estado
Embora a revisão da Constituição seja apenas em 2009, defendo a redução do número de deputados, a limitação do tempo de todos os mandatos políticos, códigos de conduta.

Ligações ferroviárias
Planificação de uma rede extensiva e eficaz (integrada na nova rede europeia de transportes) e incentivador do transporte de mercadorias e pessoas através de comboio, reduzindo a dependência automóvel e custos de combustível. Na Europa este tipo de transporte representa apenas 12% contra 48% nos EUA.


Tudo isto custa dinheiro. Muito dinheiro. Mas pensar e criar prazos e vontade de cumprir estas metas é essencial. Se não, num futuro que se avizinha sombrio climaticamente e, política e economicamente instável em certas regiões do globo que a todos afecta, ultrapassar as dificuldades nas actuais condições pode ser muito, muito complicado.

2005-03-07

better: by design



No matter where you are in the world, design is increasingly the X-factor that takes a business from "also ran" to "market star"

Pensar, discutir e melhorar o design na conferência Better by design, mesmo sendo nos antípodas da Nova Zelândia, não é razão para ignorar. A construção de melhores abordagens e métodos mais eficazes para o design enquanto diferenciadora e com sucesso é vital para a nossa actividade no século XXI.

“If we are to compete with the rest of the world, design is critical. And that’s design in the holistic sense – product, brand, messages, supporting tools – everything we use to offer product to customers. Design is not just sketching drawings – it’s about businesses coming up with solutions to problems that they might not even know they have.”
Rick Wells
[member of the Furniture Association of New Zealand and has been involved with the New Zealand Furniture Exporters Group]

Design: + links

IDEO
iteration1
hicksdesign
intentionallies
transporter
Weightshift
Enterprise IG/

Red Dot
Better by design
Design Management Institute

a luta: continua

Problema:
Como se convence um cliente de que o nosso trabalho se baseia em conhecimentos aprendidos e experiência adquirida? Qual o método de aliciamento para a compreensão da utilidade e da função estratégica do design? Como ultrapassar a mesquinhez e a visão curta de pessoas com instrução insuficiente? E quando nos deparamos com aqueles, que com cursos superiores argumentam de forma inacreditável para alguem com tal qualificação? Como ultrapassar o "provincianismo cultural" que tanta mossa faz sobre as actividades económicas?

Solução:
Demonstrar atitude, firmeza, seriedade. Expôr uma imagem de profissionalismo, de carácter, de ajuda, de parceiro. Evidenciar o mais possível, e de forma mais clara e concisa possível, as vantagens do Design. Negar facilitismos, afastar regateios. Evitar arrogância e esconder dissabores. Ter paciência. Muita.

Conclusão:
Difícil: por vezes a ponto de desistir. Sorte: há sempre alguém que nos ouve, outros que nos compreende. Batalhar sempre. O caminho do design em trilhos ainda se constroi neste país-fora-da-capital.

2005-03-01

Design: Audi RSQ



Concept-car RSQ da Audi.
Para o filme I, Robot.

Tanto: frio

Longo inverno gelado que nos entranha desde Novembro. O dia (e noite) mais frio em Portugal registou em Leiria, o não tão estranho -5ºC; afinal é costume o ar frio das serras aqui chegar. Tempo demais para um tempo demais. Brrrrr.....

Palavras: do tempo que existe

Do Velho ao Novo Milénio: Humanidade e Divindade

Que sentido tem a vida neste final de milénio? Ou melhor, qual o sentido das crenças, dos valores, das ideias, das vontades? Como em qualquer fim de tempo, todas estas questões são levantadas, mas creio que nunca tanto como agora.
Todo o conhecimento adquirido nos últimos cem anos tornou o planeta num local onde tudo, ou quase tudo, é explicável, entendível e fascinantemente interessante. A evolução de todas as formas de tecnologia até agora realizadas — nas suas imensas aplicações, da arte à energia, da informação à investigação — possibilitou o mundo aproximar-se e conhecer-se. O desenvolvimento da política e, a expansão, por fim, dos valores e instituições democráticas, nos últimos 25 anos numa forma cada vez mais generalizada, trouxeram a liberdade, a paz e o progresso. A nova identidade e a sua vontade de implementação do conceito de União e Cidadania Europeias, num olhar muito próximo — e parcial, diga-se — é um ideal de profunda beleza democrática cultural.
Contudo, obviamente há pontos negativos a retirar de todas estas benesses, e que todos sabem identificar, criticar, dissertar, divagar, melhorar. A questão é que, num mundo vasto de saber, alegria, emoção, realização, há em simultâneo um outro de pobreza, tristeza, miséria, tormento, destruição. Tudo isto é feito pelos Homens deste planeta, que buscam já em concreto num sonho lindo o Cosmos. Apenas o Homem cria, apenas o Homem destroi. E é aqui que outros valores e crenças há muito enraizadas na Humanidade — desde que ela própria surgiu — são discutidos e colocados em causa: qual o papel de Deus, porquê Deus e, existe Deus?
O Final do Milénio, época de transformações meteóricas, seja por intervenção e profetização divina, seja pela natural evolução do pensamento e comportamento humano e da Natureza, existe de facto. O limiar do Terceiro Milénio tem em si ao mesmo tempo uma esperança de renovação e idealização que este trará, contido na maioria dos habitantes do planeta azul, seja por devoção religiosa, seja por acreditar no espírito humano.
É o espírito humano o mais espantoso de todos, independentemente daquilo em que se acredita. E isto leva-me a ponderar a posição de Deus no meio de nós. Qual o seu nível de intervenção? Se criou o mundo e os homens, porquê chegarmos às tragédias mais abomináveis, que ainda hoje ocorrem? Se as explicações científicas da evolução da vida e do universo se justificam cada vez mais, afinal, quem é Deus?

escrito em Dezembro 1998

2005-02-28

Arquitectura: MVRDV



Borneo Houses, Amesterdam
Gabinete de arquitectura holandesa MVRDV, sediada em Roterdão.

2005-02-25

Textos: vários

Comentários em blogs vistados:

http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/2005/02/complicar-preciso.html
O ser português tem pormenores estranhos, auto-induzidos, auto-flageladores. Por muita força de vontade que haja um caminho de qualidade e exigência é atributo apenas de alguns. Nunca o suficiente para que o país avançe e saia do marasmo dos dias simples. Subscrevo tudo, embora, compreendendo as dificuldades e a realidade, tento não ser pessimista. Desistirei se esta derradeira oportunidade, escrutinada domingo passado, não der os resultados concretos necessários e exigidos. Até mesmo na mudança de atitude do povo.

http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/2005/02/agenda-adiada.html
Cidade e urbanismo são dois aspectos cada vez mais fundamentais do modo de vida civilizacional que se aprofundará no séc.XXI. Pensar um e outro é um dos grandes desafios que importa com urgência iniciar a sério. Aliciante por envolver profissionais de diversas áreas, emocionante porque é definir como queremos que a sociedade viva bem consigo própria e com o ambiente onde se insere. Quando era puto dizia que queria ser arquitecto, mas tornei-me designer sem nunca perder a paixão pela arquitectura, e cada vez mais pelos aspectos do urbansimo e seus novos conceitos.

2005-02-23

Champions: per sempre


As minhas duas equipas defrontam-se hoje. Não é por causa do Mourinho, mas contibuiu - eu cresci em Chelsea. E o Barça tem uma mística que desde sempre me cativou, reforçado quando Figo lá jogou e das vezes que visitei esta cidade-maravilhosa.
Vai ser um jogão. Duas formas de futebol lindo, que por cá nunca se verá.
In the end... there can be only one.

Barcelona x Chelsea
UEFA Liga dos Campeões
oitavos-de-final, 1ª mã
o
19:45
Camp Nou
SportTV

Eleições: consequências

PSD
1. Pisga-te
Tal como previ, na sua ingenuidade e falta de sentido da realidade, foi preciso que após duas reuniões de partido e 48 horas depois Pedro Santana Lopes se decida, pasme-se, não se recandidatar. Atenção: não se demitiu. O Congresso Extraordinário marcado para Abril - só? - demonstra que ainda vamos ter de o gramar por mais tempo na condição de líder do PPD-PSL. E que, mesmo que fique caladinho (será mesmo possível?), até às Presidenciais o galo ainda cantará... O que fazer? Ignorá-lo. Para sempre.
2. Salvador
Marques Mendes. Sem dúvida.

CDS-PP
Ninguém quer o lugar. No fundo, todos querem que Paulo Portas continue. Também não estou a ver mais ninguém...

PS+Executivo

Fulano será, beltrano também, sicrano afinal não. A especulação de quem será ministro sempre me intrigou. Não parece quase conversa de vizinhas mal-dizentes?

BE
A rotação de deputados agora com 8 mandatos, não se justifica. Vai parecer que estão a colocar pessoal apenas para sacar benesses pró-reforma de deputado. Conquistaram gente suficiente para transmitir a mensagem.

Pequenos partidos

Todos subiram. Mesmo o PCTP-MRPP e o PNR: os maiores perigos para a democracia portuguesa.

2005-02-22

Chuva:


De novo, finalmente!

2005-02-21

Mudança: absoluta(?)

Esquerda absoluta
Um protesto tornado castigo absoluto. Uma vitória exigida com responsabilidade absoluta. A derrota estrondosa da direita revela bem onde estava a "raiz do mal". A subida esmagadora da esquerda é sinónimo do desejo de outra política para Portugal. No entanto, dentro destes resultados, BE e CDU acabam por não condicionar nada. Embora "genericamente" contente com os resultados, a maioria absoluta, inédita, do PS garante a estes total liberdade de actuação - haverá assim necessidade de "entendimentos de esquerda"?

Direita reduzida
A oposição de direita fica restrita a uma presença mínima, igualmente inédita. Quanto a mim, demasiado pequena. Pelo pluralismo e pela democraticidade importa que haja um contra-poder no Parlamento, não enquanto força de bloqueio, mas como garante fiscalizador das actividades do executivo.

Vê lá se desapareces, pá!
Quando, com ombriedade vimos Paulo Portas demitir-se, esperava-se o mesmo de Pedro Santana Lopes. Num discurso que tinha tanto de enfadonho como de inteligentemente salvando a pele afinal, o tipo apenas convoca um congresso. Não sabe o que fazer, e de novo pede conselho? Quer recandidatar-se ? Um gesto absurdo para quem implicou uma derrota eleitoral humilhante e merecida. Como escreve Pacheco Pereira no Abrupto: "Guerra civil é o que Santana Lopes deseja e para a qual se vai preparar com o gosto pela politiquice interna que o caracteriza." De facto, a única coisa que não mudou foi PSL. Esta melga não nos larga. Afinal, quando é o dia da execução?

Agora é trabalhar
O novo ciclo/projecto político que agora se inicia é de vital importância para o país. A mudança anunciada deve forçosamente ocorrer, eu quero acreditar que sim. José Sócrates não tem tempo a perder, nem espaço para atitudes que não sejam a de liderar um executivo e um programa que coloque Portugal no rumo que ele anuncia. Para isso é necessário empenho igualmente absoluto. O caminho é árduo e só com trabalho lá se chega. Estaremos todos de olho aberto, não haverá margem para erros ou desvios. A exigência vem tanto da esquerda como da direita.

O povo saíu à rua
Estas eleições eram cruciais, isso todos sabemos. Mas a forma como a mobilização do eleitorado ocorreu foi uma alegre surpresa. Eu próprio quando fui votar, escolhendo a hora do almoço, por achar que haveria menos gente, fiquei surpreendido por ver tanta gente aquela hora. Muito bom.

Branco nulo?
Mas, e a abstenção dos votos em branco? Das emissões da RTP e SIC, do que vi, ninguem falou sobre isto e o movimento. Afinal será inconsequente? No entanto o número de votos em branco duplicaram. Nas eleições de 2002 foram 54.999, Ontem contabilizaram-se 103.555 votos em branco. Ou seja, mais de cem mil pessoas protestaram democraticamente, é muita gente. Acima fica o resultado do BE (364.296), abaixo, muito longe (47.745) o PCTP-MRPP. É um sinal a não desprezar..

2005-02-18

Domingo: voto

O resultado de domingo afigura-se como as sondagens indicam. No entanto, essa noite e o dia seguinte têm ainda o seu quê de incógnita. Até pode ser que face a estas mesmas sondagens, alguma tendência de voto se modifique.

Eu voto, e apelo ao voto. Dentro da lei (o último dia de campanha) assim o faço. Eu voto BE, não por seguidismo, ou sequer por acreditar em tudo o que dizem (às vezes há radicalização a mais), ou pela simples irreverência. Acredito numa atitude e num modo diferente de fazer política, desejando uma maioria de Esquerda no Parlamento. Ainda não sei se acredito em maiorias absolutas. Concordo e aceito governos de coligação - tradição com resultados em tantos Estados europeus. Mas, acima de tudo desejo um executivo PS que cumpra o seu projecto com atitude firme e estabilizadora. E também quero a derrota do PPD-PSL e Santana fora da política.

A importância da participação de todos neste acto eleitoral (como em todos aliás, mas particularmente este) revela-se como um momento clarificador daquilo que pretendemos do novo executivo e da nova composição da AR. Resta esperar que sejamos correspondidos na proporção exacta das nossas expectativas e nas necessidades do país. Precisamos de uma estratégia de desenvolvimento, de um projecto eficaz e mobilizador com progresso e modernidade. O primeiro passo é nosso, com o voto no Domingo.


Nota importante
Este é o derradeiro momento para Portugal. Se, como diz o economista Medina Carreira "estão a ser eleitos com base em programas irrealistas que obviamente não vão cumprir", se verificar, é a úlitma vez que serei enganado. A partir desse momento, outras atitudes deverão ser tomadas.