2010-10-29
The Independent: Obama Turning point
2010-10-27
Trintões, Filhos dos Anos 70
Uma na Bravo, Outra na Ditadura é um documentário exemplar (conteudo, montagem, conceito) da autoria de Andre Valentim Almeida onde, nós filhos trintões dos anos 1970, nos revemos em absoluto em cada depoimento.
"Retrato", JP Simões
A minha geração, já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu, ou então casou, ou então mudou
ou então morreu: já se acabou.
A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas e de autistas
estatelou-se docemente contra o céu.
A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso.
A minha geração, só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,
de reflexos da sua funda castração.
A minha geração é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso.
E um belo dia esqueceu tudo, fez-se à vida,
na cegueira do comércio
A minha geração é toda a minha solidão, é flor da ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão.
Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor do lixo e do descuido,
Deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
Que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro preconceito,
Que o teu único defeito é ter demasiadas qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente
Que és por demais inteligente, para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus.
De fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhor do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente, por tudo e por nada, com medo de ser inventada
O que é que te falta, agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração ou só te resta morrer desintegrada?
Mas minha geração,
Valeu a trapaça, até teve graça, tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo, e a comida estava óptima! O que vamos fazer?
2010-10-26
2010-10-22
2010-10-20
Just My Type


"Just My Type is a book of stories about fonts. It examines how Helvetica and Comic Sans took over the world. It explains why we are still influenced by type choices made more than 500 years ago, and why the T in the Beatles logo is longer than the other letters. It profiles the great originators of type, from Baskerville to Zapf, as well as people like Neville Brody who threw out the rulebook. The book is about that pivotal moment when fonts left the world of Letraset and were loaded onto computers, and typefaces became something we realized we all have an opinion about. And beyond all this, the book reveals what may be the very best and worst fonts in the world – and what your choice of font says about you."
2010-10-18
Africa United
"Africa United" é um fascinante (e muito esperado) road-movie através de África, pleno de aventura, companheirismo, alegria, e esperança. Três crianças e um adolescente com destino ao Campeonato do Mundo na África do Sul.
2010-10-14
Where good ideas come from
2010-10-12
2010-10-11
2010-10-10
LEGO Build Anything
Build Anything from Studiocanoe on Vimeo.
"This is a short advert I made for Lego. It uses pieces from the stash my brother and I used to play with when we were younger, so perhaps it looks a bit dated compared with modern day Lego. Dated, but still great."
Music and Film by Temujin Doran
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Axe Full Control, Hombres con un pequeño problema
2010-10-04
2010-09-30
Diálogo sobre a triste evidência
V: Incompetência de uns para pagarmos todos.
I: Podes crer. É tão fácil governar este país. Pode-se fazer tudo, se faltar dinheiro, aumenta-se os impostos e volta-se a aumentar os impostos. Não há maneira de criminalizar esta gente. Responsabilidade política não chega.
V: À responsabilidade política não é imputável responsabilidade judicial.
I: Pois o problema é esse.
V: A desresponsabilização dos actos leva a qualquer tipo de governação. Incompetência equivale a muita coisa - mas politicamente corresponde também a falta de seriedade.
I: Todos lesam o Estado em milhões que provocam pobreza e dificuldades. E a consequência? Talvez não seja reeleito. O problema reside na base: este sistema ou dá uma volta de 180 graus ou daqui a 4 ou 5 anos estamos pior e com medidas piores.
V: E toda a gente sabe disso há 10 anos. É certo que gerir um Estado não é como gerir uma empresa - a brutalidade de escala assim nos engole - mas os princípios de gestão são os mesmos, e sendo o dinheiro de todos, mais rigor se obriga a ter, com bom senso e sentido de Estado.
I: É verdade, a complexidade e dimensão do Estado relativiza análises simplistas. Mas pode-se fazer uma comparação básica: se na nossa casa começarmos a recorrer ao crédito para ir ao supermercado e para comprar roupa, ou mudamos de vida ou acabamos na miséria. O Estado neste momento está assim, já necessita de financiamento para pagar os ordenados da função pública. Isto não pode acabar bem, só quem é muito burro não consegue ver isto.
V: Como milhares de famílias estão hoje aflitas, desde os EUA até cá. Actos inconscientes provocaram ilusões inconsequentes.
I: É mesmo. Vivemos no mundo das ilusões e são os Estados a fomentar essa ilusão, E não são estas medidas que vão resolver nada. É muito mais profundo do que aumentar o IVA até aos 50%.
V: Existe muito mais despesa do Estado para cortar, como em tantos institutos que existem. É frase feita que "o poder corrompe", eu acrescento que "o poder alucina". Para o Governo tudo sempre esteve e estará bem.
I: Se lembro. E a culpa ao contrário do que querem fazer crer não é só deste governo. Vem de há 15 ou 20 anos a esta parte. Os princípios são os mesmos. Somos de facto um país mais moderno que há 20 anos, mas com o dinheiro dos outros.
V: Que não consegue reproduzir a sua própria riqueza em quantidade suficiente.
I: Andamos a comprar roupa de marca a crédito para estarmos na moda.
V: Eu não.
I: Andamos - este país.
V: Nunca tive cartão de crédito, e roupas de marca compro nos saldos. É esta sensação de incompreensão de "eu n contribui para isto, mas tenho de pagar!?"
I: Sentes tu e toda a gente séria que trabalha com afinco e paga os seus impostos. Quase tudo o que está feito é na base da aparência. O modo de vida dos portugueses vai ser pago mais à frente e não temos capacidade para o fazer.
V: Não se entende. É quase sangue, suor e lágrimas e cada ano que passa é pior que o anterior.
I: É verdade. Estão sempre a pedir sacrifícios e paciência e já ninguém consegue perceber com que objectivo.
V: Uma vez li que como forma de luta seria não pagar os impostos - mas isso seria tão trágico como anarquista.
I: Parece aquelas casas que entram em obras com os moradores lá dentro e que pensam: isto é uma chatice, ficamos com a vida ao contrário, mas quando a obra acabar esta vai ser a casa que sempre sonhámos ter. O problema é esta "obra" não ter fim.
V: Continuo a pensar que uma forma de protesto - para além de sair às ruas, veja-se o caso dos franceses - seria incentivar e tornar real a ficção de José Saramago em Ensaio sobre a Lucidez - o voto maciço em branco.
I: Sim há muitos anos que defendo isso. Aliás sempre o pratiquei. Mas esta gente é tão sem vergonha que acho que nem assim tirariam conclusões. A sério, estou mesmo desiludido com este país. Com as supostas elites que são medíocres e com a generalidade das pessoas que são uns acomodados.
V: Sempre votei em quem acreditava merecer um voto útil. A desilusão com este país é um dos grandes males auto-infligidos. Verdade comunitária, a indignação leva-nos à resignação pelo facto de as alterações não acontecerem. Acabamos por desistir por ser mais fácil, porque difícil o suficiente é resistir na nossa luta diária para nos sustentarmos.
I: Mas observa: em todas as grandes convulsões históricas em quase todas as sociedades havia alguém ou alguns que tinham um objectivo (discutível na sua génese, em grande parte dos casos) mas que lideravam. Nada disso existe nos dias de hoje. A miséria chegou até aí.
V: Se te recordas dos últimos textos que escrevi sobre esta "governação" e "este" país, em A insustentável situação do ser, A estratégia da anestesia e Dias de Abril procuro demonstrar tudo isso.
I: Eu sei, eu li.
V: É um cliché, mas absoluta verdade - estamos mergulhados numa crise de ideias e de valores.
I: Eu diria que estamos fechados num copo virado ao contrário.
V: Essa é uma metáfora extraordinária. Muito bom.
I: Não vejo como voltar a pôr o copo direito. Não vejo mesmo.
V: Apetece fugir, mas não é sempre uma opção viável.
I: Não, não é.
2010-09-28
30

On this day, thirty years ago, a flight marked my departure. A physical one at least. Despite growing up in different circumstances I could never forget those early years, and have tried ever since to keep some kind of connection.
I often think "what if I never left?". Who and how would I be? Other friends, other loves, other experiences for sure. Would I be better or the same? Would I become a designer anyway? And what about the lives of those I would never encounter if I had remained in London? I don't look back with a sense of nostalgia or loss. Ok, maybe I do. But without denying or despising my life today, I can't help wondering how everything would be so much different. Only a parallel universe could answer my questions.
Neste dia, há trinta anos atrás, um vôo marcou a minha partida de Londres. Física pelo menos. Apesar de crescer sob circunstâncias muito diferentes, nunca poderia esquecer aqueles primeiros anos, e tenho mantido desde então alguma forma de contacto, de conexão.
Por vezes pergunto-me "e se nunca tivesse ido embora?". Quem e como seria eu? Outros amigos, outros amores, outras experiências seguramente. Seria melhor ou igual? Tornar-me-ia designer à mesma? E aqueles que aqui se cruzaram comigo, como seriam as suas vidas? Não olho para trás com nostalgia ou sentimento de perca. Ok, talvez. Mas sem alguma vez negar ou desprezar a minha vida hoje, é inevitável imaginar como tudo seria tão diferente. Apenas um universo paralelo poderia responder às minhas questões.
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2010-09-24
Pink Nounou

"O fantástico não está fora do real,
mas no sítio do real que de tão visível não se vê"
Vergílio Ferreira
Pink Nounou é como uma floresta mágica. É um local fantástico onde o mundo dos sonhos toma o lugar que lhe cabe por direito. E está mesmo à nossa frente. Entramos para lá do caminho de tijolos amarelos e encontramos bonecos que nos encantam, fazendo-nos regressar à beleza da inocência, ao florir da felicidade, ao suave abraço das manhãs que antecedem o verão.
Pink Nounou é um maravilhoso universo criativo da designer Ana Fernandes, que muito me alegra ter como muito estimada amiga de longa data.
Entrem neste mundo novo, há muito mais para conhecer.

Pink Nounou is just like a magic forest. It's a fantastic land where the world of dreams takes its rightful place. And it stands right in front of us. We go beyond the yellow brick road and find these charming loving dolls that take us back to the beauty of innocence, to the blossom of happiness, into the gentle embrace of those mornings before summer.
Pink Nounou is a wonderful creative universe by designer Ana Fernandes, who I gladly have as a long dearing friend.
Walk into this new world, there's much more to come.
2010-09-20
2010-09-14
Rebranding Britain

upon UK's (new possible) brand.
A edição de Setembro da revista Monocle apresenta uma abordagem
interessante sobre um rebrand da marca Reino Unido.
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