2010-05-20
2010-05-14
A estratégia da anestesia

O Demónio não soube o que fez quando criou o homem político;
enganou-se, por isso, a si próprio"
William Shakespeare
Diz-se que coincidências não existem. Mas quando surgem são uma oportunidade a não desperdiçar. A combinação de elementos num dado momento podem ser minuciosamente trabalhados para empolar argumentos, ou dissimular eventos.
Interessante é verificar a evolução da comunicação e na forma como a Política, criada segundo Aristóteles com o objectivo de "criar a amizade entre membros da cidade" se assume claramente "não como ciência exacta, mas uma arte" (Otto Bismarck, 1815-1898, unificador da Alemanha). Pois a Política, na sua essência, é a arte de seduzir, de comunicar, do encontrar o compromisso, até mesmo de enganar. E o problema surge claramente quando se emancipa em forma de arte do engano, da dissimulação, do esconder a verdade, roçando a mediocridade. O político grego Demóstenes (384-322 a.C) dizia que "é necessário que os princípios de uma política sejam justos e verdadeiros", mas continuadamente observamos e nos indignamos com falsas promessas, erradas ideias, enganos matemáticos, escolhas infundadas, decisões comprometedoras, despesismos de umbigo.
As dificuldades atravessadas surgem num ciclo habitual e infeliz, mergulhando tantos num atavismo mórbido, onde certa estratégia política se alimenta num quadro geral de anestesia para prosseguir por caminhos que de novo afectam mais os que menos têm e incapacitam muitos de ultrapassar as adversidades.
É claro como água que as decisões governamentais para enfrentar o défice foram estrategicamente anunciadas entre o Benfica campeão e a visita papal. Enebriados pela vitória benfiquista (são 6 milhões de adeptos), tolerâncias de ponto (para se perderem entre 34 e 70 milhões de euros) para a concentração religiosa (não se passa mesmo outra coisa neste país?), a dura realidade esconde-se entre ambos na expectativa de lá permanecer, pois a seguir temos o Mundial de Futebol e depois as férias do Verão. Ou seja, pelo menos até Setembro.
Diz-se que coincidências não existem. Mas quando surgem são uma oportunidade a não desperdiçar. A combinação de elementos num dado momento podem ser minuciosamente trabalhados para empolar argumentos, ou dissimular eventos.
Interessante é verificar a evolução da comunicação e na forma como a Política, criada segundo Aristóteles com o objectivo de "criar a amizade entre membros da cidade" se assume claramente "não como ciência exacta, mas uma arte" (Otto Bismarck, 1815-1898, unificador da Alemanha). Pois a Política, na sua essência, é a arte de seduzir, de comunicar, do encontrar o compromisso, até mesmo de enganar. E o problema surge claramente quando se emancipa em forma de arte do engano, da dissimulação, do esconder a verdade, roçando a mediocridade. O político grego Demóstenes (384-322 a.C) dizia que "é necessário que os princípios de uma política sejam justos e verdadeiros", mas continuadamente observamos e nos indignamos com falsas promessas, erradas ideias, enganos matemáticos, escolhas infundadas, decisões comprometedoras, despesismos de umbigo.
As dificuldades atravessadas surgem num ciclo habitual e infeliz, mergulhando tantos num atavismo mórbido, onde certa estratégia política se alimenta num quadro geral de anestesia para prosseguir por caminhos que de novo afectam mais os que menos têm e incapacitam muitos de ultrapassar as adversidades.
É claro como água que as decisões governamentais para enfrentar o défice foram estrategicamente anunciadas entre o Benfica campeão e a visita papal. Enebriados pela vitória benfiquista (são 6 milhões de adeptos), tolerâncias de ponto (para se perderem entre 34 e 70 milhões de euros) para a concentração religiosa (não se passa mesmo outra coisa neste país?), a dura realidade esconde-se entre ambos na expectativa de lá permanecer, pois a seguir temos o Mundial de Futebol e depois as férias do Verão. Ou seja, pelo menos até Setembro.
Na verdade, voltámos à velha tríade Fátima-Fado-Futebol. Mergulhados neste agri-doce engano, os portugueses e o Governo tentam - de novo - a todo o custo sobreviver de mansinho ("manso é tua tia, pá"), lutando ao máximo que as soluções apresentadas magoem ao mínimo.
O que não será de todo verdade ou possível. A gravidade da situação de Portugal, mesmo que estas medidas sejam eficazes, continuarão a não esconder (ou solucionar) a dura realidade da falta de competitividade, da baixa produtividade, presentes no país desde sempre. Apesar do esforço individual e colectivo.
O nosso fado tem revelado sistematicamente a incapacidade do país em proteger-se adequadamente e pela inépcia em desenvolver-se com sustentabilidade. Os erros sistémicos repetem-se década após década, governo após governo. A incapacidade de aprender com os erros revela também que reside entre políticos a persistência enunciada de forma muito verdadeira pelo escritor Robert L. Stevenson - "A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação".
Benjamin Disraeli (1804-1881) Primeiro-Ministro britânico do século XIX numa arrepiante lucidez para o nosso caso afirmou o seguinte: "Nenhum governo pode ser sólido por muito tempo se não tiver uma oposição temível". Parte do problema, em especial dos últimos anos passou igualmente por aqui. Com inglória notoriedade o PSD nunca conseguiu afirmar-se credível, tal como o PS falhou em crescendo na sua governação.
A nossa indignação cai por vezes num conflito de como entender qual a solução correcta. Governo confia por um caminho, oposição ataca pelo contrário, analistas e economistas catastrofisam.
O que nos parece a todos é que o caminho não é por aqui, mas as soluções parecem vagas e oportunistas, urgentes e de curto prazo, inconsequentes ou insuficientes, e andamos nisto numa clara e constante rota sem estratégia.
Mas entretanto lá nos vão/vamos distraindo com o futebol e com a visita do Papa. Talvez mesmo sem a maioria querer acordar da anestesia.
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O que não será de todo verdade ou possível. A gravidade da situação de Portugal, mesmo que estas medidas sejam eficazes, continuarão a não esconder (ou solucionar) a dura realidade da falta de competitividade, da baixa produtividade, presentes no país desde sempre. Apesar do esforço individual e colectivo.
O nosso fado tem revelado sistematicamente a incapacidade do país em proteger-se adequadamente e pela inépcia em desenvolver-se com sustentabilidade. Os erros sistémicos repetem-se década após década, governo após governo. A incapacidade de aprender com os erros revela também que reside entre políticos a persistência enunciada de forma muito verdadeira pelo escritor Robert L. Stevenson - "A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação".
Benjamin Disraeli (1804-1881) Primeiro-Ministro britânico do século XIX numa arrepiante lucidez para o nosso caso afirmou o seguinte: "Nenhum governo pode ser sólido por muito tempo se não tiver uma oposição temível". Parte do problema, em especial dos últimos anos passou igualmente por aqui. Com inglória notoriedade o PSD nunca conseguiu afirmar-se credível, tal como o PS falhou em crescendo na sua governação.
A nossa indignação cai por vezes num conflito de como entender qual a solução correcta. Governo confia por um caminho, oposição ataca pelo contrário, analistas e economistas catastrofisam.
O que nos parece a todos é que o caminho não é por aqui, mas as soluções parecem vagas e oportunistas, urgentes e de curto prazo, inconsequentes ou insuficientes, e andamos nisto numa clara e constante rota sem estratégia.
Mas entretanto lá nos vão/vamos distraindo com o futebol e com a visita do Papa. Talvez mesmo sem a maioria querer acordar da anestesia.
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Victor Barreiras
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Portugal
2010-05-13
2010-05-12
A new kind of Government
To be quite honest and direct, the outcome of a coalition government held by the Conservative Party and the Liberal Democratic Party seems, not necessarily the best, but as the only way forward. The past days showed us much of the pros and cons of all hipothesis. Changing the electoral and political system has become even more urgent.
As I always believed, Labour had already sentenced is fate and had no other way out than to stay out. Gordon Brown left Number 10 with dignity. If David Miliband presents his much desired candidacy for leadership, it might seem too late, but it's an obvious outcome of inner political strategy.
The LibDem result was a frustrating surprise. But my support for Nick Clegg continues, as I believe in his political views and his honesty, a leader who will do his best to carry out the changes needed to build a fairer future for the United Kingdom, trying to avoid too many right-wing policies that float around the Tories minds.
Politics is an art of compromise, and pulling out the best of ideas in a diverse and plural project is in fact a new cornerstone for a new kind of government. And - lets hope - must be achieved by this team lead by David Cameron and Nick Clegg.
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2010-05-11
2010-05-10
Espondilite Anquilosante
Espondilite Anquilosante é uma doença reumática inflamatória crónica.
De origem genética e, degenerativa a nível ósseo e articular, redunda em diversos graus de incapacidade considerável sendo controlável com muita medicação e dedicação, afecta entre 50 mil a 80 mil portugueses.
Tem infelizmente um periodo de diagnóstico até dez anos após os primeiros sintomas, o que significa que até se saber o porquê das dores muito se sofre, devido à ignorância ou relativização dos sintomas por parte dos doentes e dos médicos.
Mais info em ANEA e Portal das Doenças Reumáticas
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Victor Barreiras
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Espondilite Anquilosante,
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2010-05-09
2010-05-08
2010-05-07
2010-05-06
Voyeur
TAPUME - Marisa Lingerie from Lojas Marisa on Vimeo.
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Victor Barreiras
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2010-05-04
A fresh start
Where we stand today
It is time for something different. Not a cliché that almost every party shouts out, but truely a belief that difference can be possible this time. These last years have brought too many reasons for effective change to happen, the absolute need to turn things around in order to clean up politics and ensure a better future.
Entering the second decade of the 21st Century gave us an insight that the world changes ever more faster and the present methods aren't powerfull enough to make things better.
No more Gordon
No more Gordon
Labour with its current leadership hasn't anything more to offer, because 10+3 years is enough. Blair and Brown gave Britain a new stand in Europe and the world, an exciting appeal, a brand new vision opposite of the Thatcher years, redistributive tax credits, doubled spending on the NHS, the minimum wage. But the fall of Labour became clear with the illegal Iraq war from then on, despite the recognised effort of Gordon Brown towards the world economic and financial breakdown.
Looking back we can see that Gordon failed as Prime-Minister. Indeed it started with high expectations but along these three years he gave too much evidence of weakness at home opposed to world leadership. But in the end, what matters is the job at Downing Street and what the Number 10 occupier can, and must, do for the country, for everyone living in the UK. And it is obvious that what lies ahead cannot be faced by the Labour party because they have no solutions and working projects for the future. Labour lost its chance by not being able to refresh its leadership.
Looking back we can see that Gordon failed as Prime-Minister. Indeed it started with high expectations but along these three years he gave too much evidence of weakness at home opposed to world leadership. But in the end, what matters is the job at Downing Street and what the Number 10 occupier can, and must, do for the country, for everyone living in the UK. And it is obvious that what lies ahead cannot be faced by the Labour party because they have no solutions and working projects for the future. Labour lost its chance by not being able to refresh its leadership.
A Tory illusion of change
And that it is also why neither the Conservatives have what it takes to improve the UK. David Cameron wants to brake Broken Britain by braking it another way. Big Society might seem a nice idea, but it feels a demagocic talk with no true consequence in every day life. They might look green but they have among them anti-climate change members. Their anti-Europe claims have been charmed by the Euro/Greece crisis, but it only represents a wrong position of the importance of the EU for the UK because they both need eachother in this new Europe. And what the expenses scandal brought last year doesn't seem enough for them to change the functionality of british politics, with no reform of the way the country should work better.
Cameron seems a nice chap, made his way up in five years of opposition but, as we can see in every poll, he hasn't done enough to make people trust him. The Conservative Party has old thinking with modern looks. They say they are change, with them in power change would come but not in the way to give a real choice of better change. They are selling an illusion of change.
A fresh start
Cameron seems a nice chap, made his way up in five years of opposition but, as we can see in every poll, he hasn't done enough to make people trust him. The Conservative Party has old thinking with modern looks. They say they are change, with them in power change would come but not in the way to give a real choice of better change. They are selling an illusion of change.
A fresh start
The "change" label is only reliable with a different way of politics and project, attitude and ideas, hope and fairness. Only a strategic vision can be a solution for the future. By acknowledging the flaws of yesterday and understanding the realities of today, building a new way of thinking and working can achieve the chances for a better tommorow.
It is no utopian talk, things can be made different with a new set of ideas and challenges that only the Liberal Democrats present.
The LibDems feel with accuracy that this election is a huge opportunity to reform the electoral system, to bring transparent and fair tools into politics, reflecting on how the country should and must work upon. The LibDems always had green policies, even before other parties. They believe in education as a true value. They are for a new nuclear-weapon tactical policy. The LibDems are European.
Nick Clegg is a new and fresh hope to ensure political reform, fair taxes, social mobility, sustainable economic growth. A good future for the United Kingdom can only be shaped with 21st Century policies and only the Liberal Democrats have the transformative ideas, trust and the will to make it happen.
It is no utopian talk, things can be made different with a new set of ideas and challenges that only the Liberal Democrats present.
The LibDems feel with accuracy that this election is a huge opportunity to reform the electoral system, to bring transparent and fair tools into politics, reflecting on how the country should and must work upon. The LibDems always had green policies, even before other parties. They believe in education as a true value. They are for a new nuclear-weapon tactical policy. The LibDems are European.
Nick Clegg is a new and fresh hope to ensure political reform, fair taxes, social mobility, sustainable economic growth. A good future for the United Kingdom can only be shaped with 21st Century policies and only the Liberal Democrats have the transformative ideas, trust and the will to make it happen.
On 6 May vote Liberal Democrats
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2010-05-03
2010-04-30
Dias de Abril
Durante 48 anos Portugal foi sobrevivendo dogmatizado na Ditadura. Uma madrugada de Abril desbloqueou o país para implentar uma visão disruptiva e no regresso "ao fórum das nações livres e amantes da paz" tomando como deslumbrante lema "Democratizar, Descolonizar, Desenvolver". Entrou depois num processo que quase provocou o descalabro, mas os desafios que enfrentou permitiram devolver esperança e dinamismo para um futuro decente.
De muitas denominações iniciadas por D se pode caracterizar Portugal.
Ao longo de 36 anos vimos crescer um país novo, assumindo-se moderno e europeu, com capacidades e competitividades diversas. Mas pouco a pouco descobrimos (o que quisémos esconder) um país que se sustentou no engano da sua real dimensão, na demagogia da sua doutrina, no desencontro do seu desígnio. Sem um qualquer deus Atlas para suportar o peso da desigualdade sócio-económica e o volume da sua desarticulação territorial desde a Revolução Industrial (estações ferroviárias fora dos centros das cidades como exemplo maior), Portugal é tão claramente um país desestruturado e desequilibrado não muito diferente do retratado por Eça, Bordalo ou Antero - que mais de cem anos depois até arrepia.
Portugal sofre cíclicos episódios de demência e depressão.
Portugal é bipolar.
O descrédito político que não cessa. Dou como exemplo a condição da deputada Inês de Medeiros. Será ética e moralmente justo que cada deputado tenha direito a outras remunerações quando já auferem um salário de €3815,17, constituído a partir de dinheiro de todos os contribuintes? Se nivelássemos todos os salários por este princípio onde iriam as empresas encontrar dinheiro extra tendo em conta as condições reais do mercado?
A delirante decisão no caso Domingos Névoa - Sá Fernandes, que delapida o pouco que restava da confiança na justiça ao limpar o corruptor e criminalizar o corrumpido.
O desastre diário que se tornaram as contas públicas e o perturbante drama que descodifica na essência o desacerto de um sistema global que ameaça despedaçar mais vidas e países à (má) fé de depreciativas e desprezíveis movimentações que nos escapam ao entendimento e controlo.
E agora a decisão de prosseguir com o TGV e o novo aeroporto mesmo nesta fase revela a manutenção de um caminho irresponsável por parte de um Governo errado e erróneo, com dificuldade em discernir soluções alteradoras para um país à beira de um ataque de nervos colectivo que poderá (e talvez deveria) suceder para forçar à mudança para acções concretas e decisivas.
Delegamos em pessoas (supostamente) habilitadas o ofício de gerir bens e Estados, e o que vemos são desbundas crescentes de políticas de casino e interesses individuais de curto prazo com tal distorção da verdade e justeza que assusta. O cidadão comum que honra o seu trabalho e o seu esforço, que se sacrifica, não consegue entender toda esta confusão e não encontra razões para sofrer por decisões infundadas, mal calculadas, interesseiras, narcísicas, diletantes e dolosas.
Não entendo nada de contas. Mas eu não contribuí para esta situação. Tenho um só crédito (habitação), temos o mínimo de gastos extraordinários; suportamos despesas para equilibrar doença crónica; eu muito gostaria de ter um iPhone, eu bem necessitaria ter um computador novo. Mas sei demasiadas vezes como é o salário definhar antes do meio do mês. O risco é diário e dificuldades destas muitos portugueses enfrentam.
A gravidade da actual situação é desconcertante e muitos só agora estão a sair da fase de negação. Mas igualmente mau são aqueles que na fase de aceitação se conformam e não avançam para a etapa seguinte. Pior entre estes são os muitos que se vêem impedidos de sair, sem meios. Sobrevivem um mês de cada vez, uma semana de cada vez, um dia de cada vez. A questão é que não chegámos ainda à fase determinante, ou seja, enfrentar, agir, reagir. Resta-nos esperar que a Lei de Murphy não se aplique e nos mergulhe de novo na incredulidade e desespero.
Estes dias de Abril trouxeram definitivamente novos "D" - são o desnorte, a descrença, a dívida, o desemprego, a desilusão. Enquanto não se definir um novo rumo, construir novos paradigmas, permaneceremos aprisionados a uma diálise inútil sem qualquer vislumbre de melhorar.
Assaltam-nos dúvidas quanto ao presente e ao futuro, quanto à decência que escasseia, quanto ao desmaio dos ideais que deveriam reger o mundo.
Vivemos um momento invulgar, atravessamos um periodo de crise gritante, não só económica e social, mas acima de tudo de crenças e valores. O caminho que todo o planeta toma de seguida ditará a sua transformação, seja ela qual for.
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De muitas denominações iniciadas por D se pode caracterizar Portugal.
Ao longo de 36 anos vimos crescer um país novo, assumindo-se moderno e europeu, com capacidades e competitividades diversas. Mas pouco a pouco descobrimos (o que quisémos esconder) um país que se sustentou no engano da sua real dimensão, na demagogia da sua doutrina, no desencontro do seu desígnio. Sem um qualquer deus Atlas para suportar o peso da desigualdade sócio-económica e o volume da sua desarticulação territorial desde a Revolução Industrial (estações ferroviárias fora dos centros das cidades como exemplo maior), Portugal é tão claramente um país desestruturado e desequilibrado não muito diferente do retratado por Eça, Bordalo ou Antero - que mais de cem anos depois até arrepia.
Portugal sofre cíclicos episódios de demência e depressão.
Portugal é bipolar.
O descrédito político que não cessa. Dou como exemplo a condição da deputada Inês de Medeiros. Será ética e moralmente justo que cada deputado tenha direito a outras remunerações quando já auferem um salário de €3815,17, constituído a partir de dinheiro de todos os contribuintes? Se nivelássemos todos os salários por este princípio onde iriam as empresas encontrar dinheiro extra tendo em conta as condições reais do mercado?
A delirante decisão no caso Domingos Névoa - Sá Fernandes, que delapida o pouco que restava da confiança na justiça ao limpar o corruptor e criminalizar o corrumpido.
O desastre diário que se tornaram as contas públicas e o perturbante drama que descodifica na essência o desacerto de um sistema global que ameaça despedaçar mais vidas e países à (má) fé de depreciativas e desprezíveis movimentações que nos escapam ao entendimento e controlo.
E agora a decisão de prosseguir com o TGV e o novo aeroporto mesmo nesta fase revela a manutenção de um caminho irresponsável por parte de um Governo errado e erróneo, com dificuldade em discernir soluções alteradoras para um país à beira de um ataque de nervos colectivo que poderá (e talvez deveria) suceder para forçar à mudança para acções concretas e decisivas.
Delegamos em pessoas (supostamente) habilitadas o ofício de gerir bens e Estados, e o que vemos são desbundas crescentes de políticas de casino e interesses individuais de curto prazo com tal distorção da verdade e justeza que assusta. O cidadão comum que honra o seu trabalho e o seu esforço, que se sacrifica, não consegue entender toda esta confusão e não encontra razões para sofrer por decisões infundadas, mal calculadas, interesseiras, narcísicas, diletantes e dolosas.
Não entendo nada de contas. Mas eu não contribuí para esta situação. Tenho um só crédito (habitação), temos o mínimo de gastos extraordinários; suportamos despesas para equilibrar doença crónica; eu muito gostaria de ter um iPhone, eu bem necessitaria ter um computador novo. Mas sei demasiadas vezes como é o salário definhar antes do meio do mês. O risco é diário e dificuldades destas muitos portugueses enfrentam.
A gravidade da actual situação é desconcertante e muitos só agora estão a sair da fase de negação. Mas igualmente mau são aqueles que na fase de aceitação se conformam e não avançam para a etapa seguinte. Pior entre estes são os muitos que se vêem impedidos de sair, sem meios. Sobrevivem um mês de cada vez, uma semana de cada vez, um dia de cada vez. A questão é que não chegámos ainda à fase determinante, ou seja, enfrentar, agir, reagir. Resta-nos esperar que a Lei de Murphy não se aplique e nos mergulhe de novo na incredulidade e desespero.
Estes dias de Abril trouxeram definitivamente novos "D" - são o desnorte, a descrença, a dívida, o desemprego, a desilusão. Enquanto não se definir um novo rumo, construir novos paradigmas, permaneceremos aprisionados a uma diálise inútil sem qualquer vislumbre de melhorar.
Assaltam-nos dúvidas quanto ao presente e ao futuro, quanto à decência que escasseia, quanto ao desmaio dos ideais que deveriam reger o mundo.
Vivemos um momento invulgar, atravessamos um periodo de crise gritante, não só económica e social, mas acima de tudo de crenças e valores. O caminho que todo o planeta toma de seguida ditará a sua transformação, seja ela qual for.
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2010-04-29
2010-04-25
2010-04-24
book covers







Adoro livros. Adoro design de capas.











A colecção do Público "Livros que Mudaram o Mundo" tem contudo más capas. Assim, fiz algumas capas do que considero mais adequado (e atraente) ao título de cada livro. E com uma estrutura de colecção entre o clássico e o moderno, recorrendo à fonte Helvética, a formas e imagens, defini cores para cada temática: cyan-Ciências, púrpura-Política, verde-Religião, laranja-Ficção, vermelho-Social.
Uma vez impressas cada livro tem em minha casa uma sobrecapa que valoriza muito mais os conteudos.
Uma vez impressas cada livro tem em minha casa uma sobrecapa que valoriza muito mais os conteudos.
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I love books. I love book cover designs.
The collection from Público newspaper "Books that Changed the World" that I've been buying has, however, bad covers. So, I made some new ones more accurate and appealing. And with a structure between classic and modern, supported on Helvetica, shapes and images, I defined colours to each subject: cyan for Science, purple for Politics, green for Religion, orange for Fiction and red for Social issues.
Once printed each book I own on my bookshelf gains an over-cover with much more personality and value.











By
Victor Barreiras
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Design,
Portfolio-Design
2010-04-23
Saint George's Day

Every year this discussion comes around. What is England? What is englishness and how do english perceive their country? How does History and Modernity join to build a nation?
It's the eternal question of "who am I, where do I come from, where do I go".
What are the definitions of ourselves when it comes to the place where you were born? Do we feel some kind of energy that keeps us attached no matter what? Should the sense of belonging to a land be more symbolic or more patriotic? How close must one feel to a place?
Today is the day of Saint George. And the death of William Shakespeare.
Today is the day of Saint George. And the death of William Shakespeare.
And therefore, the Day of England.
Sharing the name with this religious-mythological-symbolic character has always brought me closer to a land that has left in me a strange feeling of presence despite being distant. I try to keep my link everyday, knowing that this orphan sense of relationship is built on the need that everyone has to know where they come from. There must be some kind of completion that helps to shape a character, a personality, ingredients that mould inner beliefs, a stronghold ground of truth that brings meaning for existance.
England gave me my background values with its sense of fair play, the eagerness to know, the grandeur of History and Culture, the difference of being, the audacity of humour. And these I will always cherish in my heart and mind.
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