2009-03-17

A mais bela Rainha do Mundo / The most beautiful Queen of the World



Porque a fascinante beleza exterior de Rania da Jordânia é batida pela simplicidade e empenho firme demonstrado no seu importante trabalho, quer no contexto regional e cultural, quer no seu contributo para melhorar o mundo.
Que pode ser visto aqui e aqui.
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Because the fascinating outer beauty of Rania of Jordan is beaten by the simplicity and strong commitment demonstrated in her most important work, in the regional and cultural environment that is the Middle East, and her contribution to a better world.
That can be seen here and here.
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2009-03-16

Paris XXI


The proposals by Richard Rogers' group aims to unite Paris's disparate communities.
Photograph: Rogers Stirk Harbour + Partners


França possui uma larga tradição de obras de regime. O Palais de Versailles, l'Arche de Triumphe, Centre Georges Pompidou, a Pirâmide do Louvre, l'Arche de La Defense, o Musée du quai Branly. Edificadas por ordem de reis, imperadores e presidentes, todos eles personificam a grandeza da nação na imortalização do seu autor moral. Chegou a vez de Nicholas Sarkozy "instituir" a sua obra de regime. Contudo ele consegue ir mais longe promovendo uma revolução urbana para Paris quase a jeito do Plano Hausmann do século XIX. Foram consultados arquitectos franceses e internacionais para elaborarem ideias para a Grand Paris do séc XXI - projectando-a moderna, sustentável e mais humana. Existe uma magnífica oportunidade para arquitectos e urbanistas, sem esquecer outros intervenientes (especialistas sociais, associações, habitantes) num enorme desafio, em pensar e redesenhar uma cidade - tão somente a cidade mais visitada do mundo - de acordo com os novos conceitos urbanos, habitacionais, vivenciais, sociais e ambientais.

Se tudo é design, tudo também é política. O modo como a sociedade e o poder político interagem define como ambos constroem a sua identidade individual e colectiva, os seus propósitos e objectivos. As obras de regime, por mais transversais que sejam no seu uso e importância pública, são evidentemente armas políticas sem contestação.
A sede de querer ficar na história por se ter feito isto ou aquilo e, seguramente mais do que nunca a frase "à grande e à francesa" estará tão bem aplicada, revelam a importância que sucessivas presidências francesas têm (tal como os regimes anteriores) em deixar marcas físicas, especialmente na capital, é deveras curioso. Mudar leis, elaborar outras, não é marcante o suficiente. O ímpeto de deixar um qualquer sólido na urbe (as esculturas não contam para este campeonato), não é exclusivo de franceses. A necessidade de afirmação, o avolumar do ego ("eu fiz isto"), o desejo de imortalidade, são aspectos que definem o carácter humano, sendo exponenciado quando se detém "o" poder. Assim, estas construções arquitectónicas são demonstrações de Poder, tal como as Pirâmides o foram. E Nicholas Sarkozy terá o seu nome associado à renovação de Paris, marcando indelevelmente a cidade bem para lá do séc. XXI.


Parisian architect Roland Castro's vision for a greener Paris in La Courneuve.
Photograph: Castro Denisoff/AFP/Getty Images

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Comentário de Silvino Silva

É pertinente pensar que, apesar das mudanças de regime (ainda por cima desde, pelo menos, o tempo dos faraós), a Humanidade tenha aprendido tão pouco e continuemos a dar valor a um mar de parasitas narcisistas de dimensões impressionantes. Aquilo que eu gosto de designar por "vermes da história".
Pois, em vez de se valorizar o povo, a "arraia miúda" nas palavras do grande Fernão Lopes (na sua dimensão educacional e cultural, técnica e científica), verdadeiro interlocutor histórico, de forma a que este aprenda a conhecer o mundo (nas suas dimensões espacial e temporal-histórica) e, portanto, a conhecer-se a ele mesmo, e poder valorizar ambos, continua-se a deixar estes homens vulgares (porque realmente praticamente todos, com muito poucas excepções, almejam ficar na história, ser grandes e poderosos, famosos, e deixar uma marca imortal) desperdiçarem recursos absolutamente preciosos, na maior parte das vezes em autênticas inutilidades, por mais bonitas que estas possam ser.
Cidades "modernas, sustentáveis e humanas" são tudo palavras bonitas que servirão de pretexto para que, na prática, em Paris (e noutras cidades acontecerá o mesmo) vão-se traduzir em especulação imobiliária, acumulação de riqueza em cada vez menos gente, promoção de monopólios numa mão cheia de empresas dominadas pela mesma gente.
Vão surgir edifícios cada vez maiores e mais altos, que são tudo menos sustentáveis, pois tudo tem de vir do exterior e os gastos são enormes.
A questão da mobilidade em mega-urbes (excesso de trânsito) e a excessiva concentração de gente, com todos os problemas sociais que isso acarreta, a poluição, serão sempre problemas tremendos, com manifestas consequências nocivas para o planeta e a própria Humanidade. Ou será que vai haver a coragem de fechar Paris ao trânsito inútil, limitando-o ao mínimo indispensável e, em contrapartida, fornecer uma rede de transportes gratuita para todos, em que as únicas limitações deverão ser questões ligadas à higiene pessoal e apresentação, para manter padrões elevados de salubridade.
Será que o rio Sena vai deixar de ser aquela massa de "água" verde e pastosa, nojenta? Duvido!
Além disso, se realmente é para mudar Paris, então, primeiro que tudo, a cidade precisa dum curso global de Relações Públicas, pois o parisiense é, duma forma geral, pela minha experiência de contactos enquanto guia com outros povos (com portugueses, britânicos, italianos, espanhóis, brasileiros, alemães, suecos, finlandeses, japoneses, malaios, sul-africanos, canadianos, norte-americanos, angolanos, moçambicanos, cabo-verdeanos, russos, ucranianos, moldavos, romenos, checos, austríacos, húngaros, eslovenos, eslovacos, chineses, e até marroquinos, senegaleses... certamente esqueci-me de alguma nacionalidade de grupos que tenha feito), o "animal mais chauvinista à face da Terra, duma arrogância geral transcendental e insuportável, que tem a mania que a sua cidade é o centro do mundo, a melhor de todas, que tem tudo de melhor".
Paris tem edifícios espectaculares, mas está longe de ser uma cidade muito bonita, muito menos, "cidade-luz"; jamais trocaria a nossa Lisboa por Paris (e mais nunca fui um grande fã de Lisboa).

QUEM FAZ AS CIDADES SÃO AS PESSOAS, tudo o resto não passa de poeira para os olhos de ignorantes. E neste ranking o francês (e sobretudo o parisiense) está no fundo da tabela. É necessário reduzir o tamanho das cidades, torná-las mais humanas através da redução da sua escala, e não mais esmagadoras, símbolos pérpetuos da inveja humana, que quer ter uma urbe maior que a do vizinho só para se sentir maior e, portanto, supostamente melhor. É um fenómeno próprio do consumismo que se vê, por exemplo, na ideia generalizada de que possuir um "carrão" (grande, espaçoso e potente) é melhor do que ter um Mini, o que, dependendo das circunstâncias de cada um, não é necessariamente assim, até porque um carro grande consome mais e, por isso, mais dependente do exterior. O mesmo acontece com as mega-urbes.
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Meu caro amigo

De novo nos presenteias com um óptimo comentário. Contudo, compreendendo as tuas preocupações e, dando valor às tuas observações sempre pertinentes, devo acrescentar que dos projectos em causa existem propostas válidas, audaciosas e de facto objectivamente diferenciadoras para construir uma cidade nova.
Cada projecto criativo é, obviamente, sempre uma oportunidade de ouro para fazer algo novo. O desafio que se coloca neste caso - gigantesco é certo - foi considerado por muitos dos ateliers convidados como o projecto mais dificil e entusiasmante, inovador e percursor do seu trabalho. Porque o que podemos imaginar daqui é algo com muito mais importância e factor transformador que a edificação de Brasília. A capital do Brasil é toda ela monumental, expandindo-se sobre até aspectos principais da sua centralidade que pecam por defeito - as relações entre o ser humano, o espaço físico e o espaço natural. O projecto Brasília, mesmo que moderno e futurista, foi fruto das teorias urbanas e utopias sociais de 1950s. Os conceitos de cidade e urbanidade mudaram e melhoraram substancialmente nos últimos 60 anos, e só agora se vislumbra a possibilidade de serem aplicados com o apoio social e político. Se se observar alguns dos projectos, veremos que combinam em coerência a construção, natureza e habitante. Se o Homem faz parte de um todo, esse todo terá de fazer parte de si.

Mais do que nunca, pensar a cidade e apresentar soluções para nele vivermos é essencial. O modo como no futuro habitarmos neste planeta é definido hoje. Transformar as cidades pode ser uma tarefa hercúlea, mas é uma estratégia de habitabilidade que não podemos descartar. Com certeza que quem faz as cidades são as pessoas que nela habitam - mas é evidente que a arquitectura e o urbanismo molda o modo como essas pessoas se comportam e interagem. Renovar uma urbe não é um destruir-velho-construir-novo, é justamente por causa das pessoas, dos cidadãos, os habitantes das cidades, que pelos seus ideais, desejos, dificuldades, debilidades, e os valores de comunidade, trabalho, história que se pretende edificar um espaço digno para todos e o planeta em si.
Todos os factores negativos que rodeiam a construção serão forçosamente inevitáveis?

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2009-03-10

Pensa em Ti Campanha BES Poupança


BBDO Portugal
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2009-02-27

2009-02-25

A New Bus for London



O Mayor de Londres Boris Johnson e a Transport of London, lançaram em 2008 um concurso de ideias para renovar a frota dos icónicos Routemaster buses, os famosos autocarros vermelhos de dois pisos introduzidos em 1954.
Este mês foram anunciados dois finalistas que, ao longo dos próximos meses deverão apresentar protótipo real e planificação de produção.

The Mayor of London Boris Johnson and the Transport of London, issued in 2008 a competition to renew the iconic fleet of Routemaster buses, the famous two-deck red buses introduced in 1954.
The two finalists were known this month, and through the following months they are to present a real size prototype and a detailed production plan.



Este tipo de transporte, para além de todo o simbolismo da sociedade e cultura britânicas é obviamente um excelente veículo para a cidade. Se se constroi em altura dada a escassez de espaço, a optimização do transporte de passageiros de forma vertical torna-se benéfica para a menor ocupação horizontal do espaço rodoviário. E sendo uma ideia com várias décadas, a reformulação do conceito para a Londres do século XXI (onde também cabe a intenção de "matar" os buses articulados introduzidos pelo anterior mayor Ken Livingstone) contribui para definir soluções de design e sustentabilidade melhor elaboradas para o transporte de passageiros.

Estão em exibição no London Transport Museum (Covent Garden, de 14 Fev - 29 Março) todas as propostas apresentadas.




Aston Martin and Foster + Partners



Capoco Design


Outras propostas

2009-02-24

Desafiar



"A Origem do Mundo", 1866
Pintado por Gustave Courbet

A liberdade de expressão é uma das pedras basilares da democracia. O entendimento de que a liberdade do indivíduo termina quando começa a do outro, dentro dos valores do respeito e do bom senso, da aceitação da diferença e no confronto civilizado da discussão das ideias, parece que têm nos últimos tempos sido esquecidos, mal interpretados, a raiar demasiadamente próximo de comportamentos entre a censura e a intolerância.

A imagem ostentada na capa do livro "Pornocracia" de Catherine Breillat (editado em Portugal pela Teorema) e a sátira ao computador Magalhães no Carnaval de Torres Vedras demonstram que ainda existem preconceitos e maus conceitos, seja sobre sexo, seja sobre o que é a sua discussão e livre pensamento, seja o que é sátira e diversão.
O controlo sobre o pensamento, a sua divulgação e a prática verbal e visual de opiniões diferenciadas é uma tendência para o autoritarismo, o medo e a inépcia intelectual. Pode o dogmatismo, a presunção, a demagogia, a ignorância sobrepôr-se ao consagrado pela Constituição da República Portuguesa, pela Declaração Universal dos Direitos Humanos? Claramente os recentes acontecimentos pecaram por exagero e incompreensão por parte das autoridades judiciais e policiais. A sátira e a ironia são formas inteligentes e criativas da expressão de ideias e crítica. Chocantes, atentados, pornográficos? Todos os dias os vemos nas TVs (nas notícias, nas séries) e nos filmes - já ninguém se importa com o morticínio e outras desgraças de carácter pornográfico em guerras ou calamidades. Tornou-se banal.

O declínio das democracias acentua-se também por actos deste género. Quando não respeitamos e exigimos de outros um comportamento padrão, estamos a cercear a sua liberdade. O controlo sobre essa liberdade apenas surge quando é lesiva para terceiros e para a comunidade. E para isso a lei tem os mecanismos para actuar em conformidade.


Eis o que diz a Constituição da República Portuguesa:

Artigo 37.º
Liberdade de expressão e informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.

4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

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Icon-maker Shepard Fairey



Bigger video image here

2009-02-15

British Design Classics stamps










2009-02-11

2009-02-05

Netanyahu não é Obama


www.netanyahu.org.il


Este é um assunto híbrido. Design e política cruzam-se num contexto que pode definir os tempos mais próximos.

Todo o conceito ideológico - se assim podemos designar - e de design presente na campanha presidencial de Barack Obama (ver renovado site da Casa Branca) tem sido replicado de uma forma ou de outra, pelo espírito da ideia e pela dimensão estratégica (comercial, diga-se) da esperança desde as eleições em Novembro passado.
Agora chegou o "aproveitamento" político. Em Israel haverá eleições daqui a cinco dias (terça, 10 de Fevereiro), e três partidos degladiam-se para ganhar. O Kadima (centro, actualmente no poder), o Labour (trabalhista, coligado com o Kadima) e o Likud (direita). Benyamin Netanyahu, líder do partido de direita Likud, apresenta um site em tudo semelhante ao da campanha de Obama. Tem o seu nome (aqui em inglês), o grafismo é idêntico, a estrutura e os suportes web 2.0 idem. Quanto à mensagem, Netanyahu transmite valores próprios da direita conservadora, alicerçada nos eternos dogmas conservadores de um Israel forte e seguro - "Strong Leadership for Israel's Security and Economy" -, duro contra os seus inimigos que, nas suas acções terroristas beneficiam exponencialmente a candidatura do Likud.
Foi assim em 1996 nas eleições convocadas após o assassinato de Yitzhak Rabin em Novembro de 1995 - nas semanas entre estes dois eventos, o movimento Hezbollah perpretou diversos atentados que levou Shimon Peres a perder para... Benyamin Netanyahu. Os extremos tocam-se, e os interesses de dois lados tão antagónicos podem facilmente conciliar-se para uma vitória conservadora.

A forma da mensagem pega num conceito inovador, apelativo e, mais importante, vencedor. Contudo, Netanyahu não é Obama. O que ele é em nada beneficia a política israelita, sendo mesmo um retrocesso. Pela agressividade das suas políticas e palavras, pela constância da sua intolerância, pela intransigência contra planos para a paz. Israel vive desde que nasceu em permanente estado de emergência, seja pela ameaça de Estados ou organizações que desejam a sua aniquilação. A premissa da defesa territorial e sua população é um direito que assiste a Israel, mas as acções punitivas não trarão a paz, a reconciliação e o equilíbrio para a região. A possível vitória do Likud de Netanyahu, observando o exemplo de há 13 anos não augura um futuro melhor. Mas, sendo o único país democrático do Médio Oriente, Israel tem assisstido a alternância. No entanto sucumbe a uma luta de poder onde quer o Kadima (à procura da legitimidade como verdadeiro partido alternativo, com Tipzi Livni como líder), quer o fragilizado líder do Labour Ehud Barak (Primeiro-Ministro que retirou do sul do Líbano e de Gaza, mas que agora foi o Ministro da Defesa responsável pela intervenção de Dezembro) ficarão sempre dependentes - se não mesmo reféns - dos pequenos partidos, alguns deles de alas extremistas. Como é habitual na política hebraica.

Então qual a mensagem de esperança exposta na programa político de Netanyahu? Nenhuma.


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Comentário de Silvino Silva:

Gostei do artigo sobre Israel mas, efectivamente, o que se está a passar não é novidade nenhuma para mim, que acompanho e sempre acompanhei e li sobre o assunto.
E é sempre assim, a existência dum extremo só se justifica pela presença de outro; é essa a energia motora da direita israelita, assim como das forças extremistas muçulmanas. Se um dos extremismos desaparecesse, rapidamente o outro se evaporaria, por ficar esvaziado o sentido da sua existência.
"Então qual a mensagem de esperança exposta na programa político de Netanyahu? Nenhuma."
Mas a mesma pergunta se pode fazer para os programas políticos muçulmanos... Onde está a esperança duma conciliação? Se não passar pela destruição de Israel então não serve nos meios políticos islamitas - porque não dará votos.
Não deixa de ser curioso que são, precisamente, ambos povos semitas, e que inclusivamente as duas línguas (hebraico e árabe) têm fonemas bastante parecidos, guturais, ainda que o tipo de escrita seja muito diferente. Pode-se dizer que, do ponto de vista histórico, são quase "irmãos desavindos", que nunca se entenderam bem. O irmão mais velho - o povo hebreu, que por isso mesmo reclama os seus direitos - e o irmão mais novo, surgido apenas de forma expressa nos séculos VI e VII, quando do início da Islamização fulminante e notável de grande parte do mundo.

A esperança talvez esteja numa nova política norte-americana, capaz de arrastar atrás outros líderes mundiais, embora eu não acredite muito nisso. E talvez pressões de líderes da América Latina (nomeadamente do Brasil, pois as comunidades muçulmana e judaica são numerosas por aqui), da Europa (quando ela se apresentar com a unidade interna suficientemente forte para tomar uma decisão a uma só voz), dos países muçulmanos (nomeadamente os mais radicais), e talvez da Índia e da China, porque não chamá-los a participar na resolução dos problemas desta "aldeia global".
Eu acredito que o conflito só tem uma solução possível, a criação dum país capaz de albergar judeus e árabes todos juntos, sob a égide das Nações Unidas, em que o mundo os obrigue a entenderem-se numa mesma "casa", e onde o acesso às cidades simbólicas e historicamente importantes para ambas as religiões possa ser possível de forma livre e segura, além do acesso aos recursos hídricos, tão importantes na região pela sua escassez. Além disso, tem naturalmente de passar pela desmilitarização de ambas as sociedades, e o fim das interferências externas, com a salvaguarda da manutenção dum parlamento que tenha 50% de judeus e 50% de muçulmanos (claro que esta ideia é muita mais difícil de aceitar pelos árabes, dado que o seu número é muito maior). Será possível? Não me parece que venha a acontecer enquanto eu for vivo.
O que é certo é que, na Terra Santa, historicamente a ténue paz só foi possível sempre que houve uma força poderosa estranha capaz de ter mão nos dois lados (e ainda assim sujeita a numerosas revoltas); assim se passou nos impérios pré-clássicos (assírio, babilónio, ...), no Império Romano e no Império Otomano, e foi possível haver prosperidade nessas épocas, sobretudo pela localização geográfico-estratégica da região.

Enquanto não surgir essa força quase paternal capaz de pôr os "putos" (o povo judaico e as comunidades muçulmanas) na ordem continuaremos a assistir a ciclos conflituais e períodos de acalmia pouco significativos. E, sobretudo, violência e morte.


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2009-02-04

Discutir Design



O assunto não é fácil. Ou melhor, fácil sempre é dizer mal. O cerne da questão é o que interessa, e a forma tem interpretação digna de crítica.
Discutir design e as ideias sobre esta temática com conteúdo pertinente, acessível e credível pode ser encontrado (ou reencontrado) nestes blogs nacionais The Ressabiator (com Grandes Armazéns do Design), Reactor (agora também com novo espaço chamado Ensaio) e Desígnio.

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Her Morning Elegance / Oren Lavie



Oren Lavie. Uma deliciosa surpresa.
http://www.orenlavie.com/

2009-01-20

Esperança na audácia


CHRISTOPHER MORRIS / VII FOR TIME

Hoje começa uma nova etapa. A renovação do espírito e dos valores da democracia. A responsabilização e a entrega à causa pública. A força do optimismo para um novo começo. Um dia após os oitenta anos do nascimento de Martin Luther King um grandioso e histórico dia de mudança, uma concretização de parte do seu sonho toma lugar. A sua repetida ideia-de-força "A feroz urgência de agora" regressa para nos fazer lembrar que mais do que nunca este é o momento. Barack Obama é a personificação destas ideias e destes ideais. O Presidente Obama é o novo líder de um caminho novo, pronto para liderar e moldar o século XXI com soluções globais de justiça e de esperança.

O poder e a luz da esperança espalharam-se por todo o mundo com a histórica eleição do filho de um queniano e uma americana. É urgente pensar o mundo por outro prisma. Agir pelo bem comum, construir pontes de diálogo e cooperação, resolver diferendos e edificar a paz, proteger os povos e o planeta. Nunca como agora existiu um sentimento comum a tanta gente por todo o globo. A emoção e a felicidade fazem-nos acreditar que é possível fazer a mudança, em cada um, com todos, para todos.
Ao longo de 2008 criou-se à volta de Obama uma veneração invulgar. Mas a partir de hoje, 20 de Janeiro de 2009, há que encarar a realidade e entender que o caminho que está à sua e à nossa frente será difícil, mas possível de vencer. A luta diária pode, e deve, ser encarada com uma nova atitude transformadora onde cada indivíduo poderá contribuir para um mundo diferentemente melhor. A ilusão de um "amanhã que canta" pode até tornar-se real, apesar das dificuldades, apesar das incertezas. Uma das frases mais vanguardistas que compõem as inovadoras leis americanas pode ser lida na Declaração de Independência dos EUA de 1776, onde reza que todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. São estes desejos que se renovam hoje por todo o mundo. A estrada será estreita e longa, mas pelo menos agora podemos percorrê-la com a força das nossas convicções, com a certeza de objectivos claros e justos, prontos para mudar, sem esperar que alguém o faça por nós. É nos momentos difíceis que devemos encontrar as forças para ultrapassar os contratempos que a vida nos reserva. Com audácia devemos erguer um futuro com esperança.

As tarefas da Administração Obama são hercúleas. Liderar com prudência, determinação, responsabilidade e abertura, agir com audácia e inovação, com propósitos sociais e equitativos são essenciais. Quer nos EUA, quer no estrangeiro. Retomar as investigações científicas em prol do melhoramento da saúde humana. Os Estados Unidos precisam de regressar aos princípios do Protocolo de Quioto, indo mais além na implementação de políticas energéticas limpas e inovadoras. Encetar novas formas diplomáticas no estrangeiro, constituir novos e criativos modelos de relação com o mundo. Terminar o erro da intervenção no Iraque e encarar com responsabilidade o enorme desafio chamado Afeganistão, mesmo que historicamente nenhum exército estrangeiro tenha conseguido vencer naquelas terras. Fechar Guantánamo e encerrar o capítulo vergonhoso das práticas contra os direitos humanos. Determinar soluções concretas para o Médio Oriente, onde o apoio a Israel terá de ser reequacionado em prol da paz e da coexistência com o mundo árabe, que por sua vez deve assumir o seu papel de real promotor desses mesmos princípios. Encarar a luta contra o terrorismo e a Al-Qaeda sob outro prisma, mas sempre acreditando na vitória dos princípios da liberdade e da razão. Acredito que os EUA deverão olhar para Cuba com melhores intenções, não esperar que Fidel Castro sucumba por fim (depois de quase 700 tentativas de assassinato por parte dos serviços secretos americanos), retirar da base de Guantánamo como acto de boa fé e reconciliação. Assumir posições mais persuasivas, concretas e eficazes sobre o Sudão e o Darfur, contra o despotismo de Robert Mugabe e outros abomináveis líderes africanos. Reiniciar relações de confiança com a Europa, e assumir connosco parcerias essenciais para projectos globais. Encarar com realismo a Rússia e a China. Promover por fim a alterações no Conselho de Segurança das Nações Unidas, baseadas na realidade geo-política do século XXI. Estes são alguns dos caminhos que podem fazer mudar o mundo. Os próximos meses e anos nos revelarão se serão concretizados.

Obama não é um Messias. Ele é a imagem de uma esperança que transcende fronteiras, é um símbolo de energia positiva. Não vai resolver todos os problemas, mas podemos acreditar que fará os possíveis para melhorar grande parte dos que existem. A abrangência da sua mensagem de optimismo acaba por exigir também de nós essa capacidade e a mobilização para transformar. Basta acreditar.


Pledge of service


Enfim duma escolha faz-se um desafio

enfrenta-se a vida de fio a pavio

navega-se sem mar, sem vela ou navio

bebe-se a coragem até dum copo vazio

e vem-nos à memória uma frase batida

hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


O primeiro dia, Sérgio Godinho

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2009-01-17

a guerra é uma merda


Jeremy Nell, The Times, South Africa

O direito à defesa é inegável. O dever de lutar pelos ideais de liberdade e justiça também. Ambas se interligam, mas também se confrontam. A culpabilidade e o valor dos mortos tornam-se insignificantes ou inaudivelmente atrozes. Mais um embate israelo-palestiniano termina daqui a pouco, tempo suficiente antes da tomada de Obama como presidente dos EUA. A hipocrisia do cessar-fogo é tanto jogo político como o próprio início desta operação. Os diversos interesses estratégicos na mesa nada mais são que manobras eternas de falsos moralismos conjugadas com verdades irresolúveis. A solução não passa pela guerra, mesmo que o Hamas seja abominável, mas as respostas israelitas, mesmo que justas quanto à defesa da sua existência, ultrapassam sempre o razoável, atingindo muitas vezes também o inaceitável.
Os ganhos concretos de mais esta intervenção veremos a partir de terça-feira, e nas eleições para o Knesset em fevereiro. Mas até lá, os perdedores são sempre os inocentes no meio disto tudo.

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2009-01-01

2009

O nosso bom futuro constroi-se em relações assentes na confiança, na inclusão global e na forte crença de que cada um de nós é parte de um bem comum, o planeta Terra. O intercâmbio entre povos e nações deve ser obtido pelo bem, pela honra, pelo respeito, pela paz. Cada um tem o inequívoco direito à felicidade e, juntos, principalmente com aqueles que detém o poder e os meios, devemos avançar e actuar para fazer a diferença, para fazer as coisas funcionarem, para fazer a mudança.

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2008-12-30

música de bolso

Ao pesquisar videos de Mayra Andrade no YouTube encontrei-me com duas pérolas produzidas pela brasileira Música de Bolso. E é um encadeamento de preciosidades o arquivo que possui no site. Com simplicidade, espontaneidade e intimidade, basta juntar um músico, uma câmara e um qualquer local público.

"Tunuka" por Mayra Andrade e Mariana Aydar
numa rua de São Paulo