Há momentos na História que não queremos perder. Há acontecimentos únicos dos quais gostaríamos de fazer parte. Mesmo à distância de um oceano, a proximidade de uma ideia, de uma força, de uma esperança, de um movimento ímpar, de uma mudança urgente tem levado a mim (e a muita gente) a seguir, e a desejar, que Barack Obama seja eleito o novo Presidente dos EUA. É quase palavra corrente que o mundo também deveria votar para as eleições americanas. A dimensão económica, política e cultural dos EUA exponenciou o conceito de globalização e o sentimento de que também nós poderíamos ter algo a dizer nos destinos que aquele país projecta para todo o planeta.
Ao longo de 2008 criou-se à volta de Obama uma veneração invulgar, particularmente entre nós europeus, acérrimos defensores da sua eleição. Mas este desejo de vitória não advém só de oito anos de mau governo e más decisões da Administração Bush, com opções marcadamente lesivas para a paz e equilíbrio mundiais. A natural mudança de líder, de objectivos, não são factores únicos para a alternativa democrática. Reside no fascínio que este senador projecta. Barack Obama é a personificação de vários sonhos, mitos e ideias. A vontade e a capacidade de conseguir atingir os objectivos propostos. A força de acreditar no bem comum e na igualdade e a personificação da esperança e da mudança. A simplicidade da forma e da acção com claros propósitos para criar um mundo diferentemente melhor. A concretização do sonho de Martin Luther King assente na também sua "fierce urgency of now" que 2008 carrega. Tudo isto é o programa político de Obama, mas nunca como agora se pode tornar possível a sua concretização.
Para além do programa político e económico (com as quais concordo) que a futura Administração Obama implemente nos EUA - todo ele um projecto social e equitativo - as alterações na política externa (retirada do Iraque, apostar no Afeganistão, fecho de Guantánamo) e a aposta decisiva e incisiva em formas limpas de produção energética, que irão ocorrer, espera-se que o novo presidente seja aquilo que de melhor desejamos em alguém - uma pessoa com firmeza de carácter, honesta e de bom julgamento; atenta às necessidades dos outros; com ideias de melhorar e transformar as coisas; capaz de dialogar e promover a paz e a concórdia; um líder.
Há analistas que advogam que ele será uma desilusão assim que ocupar o cargo. Mas é preciso não esquecer que ele será só presidente dos EUA, e não da Europa. Tudo o que fará será no interesse do seu país. Contudo, não deverá descurar uma maior relação com a Europa. Que não deverá sucumbir às armadilhas Iraque e Afeganistão. Que deverá empenhar-se de facto e em concreto para auxiliar a resolução do conflito israelo-palestiniano, por muito que grande parte da solução parta deles próprios. Que seja mais assertivo na aplicação das energias renováveis.
Tentamos fugir ao messianismo, mas existe uma força que leva a acreditar num homem como Barack Obama. O homem certo no lugar certo na hora certa. Barack significa em swahili "abençoado", contudo há quem diga que não existem homens providenciais, ou que um só não muda o mundo. Creio que estão enganados os que assim afirmam, pois a nossa história está cheia de exemplos deste tipo. É não julgar possível que o ser humano tem algo mais para fazer do que meramente habitar este planeta. Obama tem nas suas mãos a possibilidade de mudar o mundo. Ele é a promessa de um futuro melhor. Mas a sua mensagem não contempla apenas isto, engloba toda a gente. Como ele próprio afirma, as verdadeiras mudanças nunca ocorrem de cima para baixo, mas sim de baixo para cima. Cabe a cada um de nós implementar a mudança e acreditar nessa capacidade intrínseca, justa e verdadeira. É esta mensagem de envolvimento global que tem cativado tanta e tanta gente. "Yes We Can" pode ser utopia para uns, mas ao ser humano ninguém pode tirar a felicidade de sonhar, a capacidade de transformar, a oportunidade de tornar a nossa proximidade e o nosso mundo mais igualitário, mais fraterno, mais livre - "the pursuit of hapiness" como está escrito na Constituição. Os ideais da Revolução Americana estão todos presentes na mensagem política de Barack Obama, e nunca deverão ser torpedeados na sua essência, como tão bem demonstra Al Gore no seu livro "O Ataque à Razão" (Esfera do Caos, 2007). O "ex-próximo Presidente" qualifica a Administração Bush como a mais incompetente e perigosa para o futuro da democracia americana e da sua inovadora Constituição. Há que regressar e resgatar os princípios éticos da política, da razão e da verdade.
A candidatura do filho de um queniano negro e de uma norte-americana branca é o sinal certo para a mudança certa. E é também por isso que reside tanta da sua força enquanto candidato. A "inovação" é que ele não é branco. Ele não é negro. Oprah Winfrey diz que não vota nele por ser negro, mas sim por ser brilhante. Obama é um mulato. Um cruzamento de culturas, de identidades, de comunhão. Ele tenta ser o melhor de dois mundos. É também por isso que desejo a vitória. É igualmente por aqui que o caminho novo pode e vai ser trilhado. Até ao topo da montanha. Quem não deseja ver a Terra Prometida?
Hoje, dia das eleições para a presidência dos EUA é mais um dia histórico em 2008. Depois da auto-proclamada independência do Kosovo. Depois do conflito na Geórgia. Depois dos Jogos Olímpicos de Pequim. Depois do início da derrocada financeira. Hoje é 4 de Novembro e eu "voto" Barack Obama.
Brand Obama or Brand McCain On November 4th wich brand will the American people buy to navigate them through the next four years? By Patt Cottingham
The sum total of images, words, style, body language, tone of voice, gestures, strengths, and weaknesses will be what people will buy, or not, when deciding on the Obama and McCain brand for the White House.
Toda a comunicação visual da campanha Obama é de uma singela beleza. Simples, aberta, focada, equilibrada. O papel do design gráfico tem nesta candidatura demonstrado uma qualidade e uma eficácia a toda a prova. Como habitualmente, as candidaturas apresentam-se com uma identidade gráfica própria. Contudo, a de Barack Obama vai mais longe que todos os outros - com um brand concept, muito para além do logotipo.
Idealizado pela agência de Chicago Sender, o conceito do logotipo centra-se no valor simbólico do círculo (inclusivo, unidade, força, perfeição, indivisível), na igualdade de forma com a letra 'O' de Obama, e assente nos valores patrióticos americanos das cores e da bandeira, mas também da terra (de liberdade) e do sol (para todos) - do sol que amanhece num novo dia de esperança para o futuro americano.
No site oficial da candidatura, o "heavenly blue" sustenta a mensagem, cuidada e concisa, numa aparência elegante e de ícones Mac-style. Cada elemento respira calmamente num ambiente tranquilo, encorajador, positivo e mobilizador. No fundo, quase tudo o que a campanha presidencial representa. Mas não se ficou por aqui. Nos EUA o eleitor está "catalogado" segundo a sua condição social, laboral, religiosa, étnica, etc. E para cada grupo criou-se uma identidade com base no logotipo Obama. Temos Asian Americans, African Americans, Americans with Disabilities, Environmentalists, Kids, Labor, LGBT, Veterans, etc, muitos deles bem conseguidos. Mais uma vez um sentido de inclusão na campanha, no processo político, no projecto.
Há poucos meses atrás, já após as Primárias, foi lançado um site Fight the Smears (qualquer coisa como "combate as mentiras" lançadas pela candidatura republicana) onde o layout se apresenta com uma postura quase presidencial, particularmente no uso da águia sob o 'O' de Obama.
Recentemente surgiram outros dois sites, neste caso como arma contra o adversário - johnmccainrecord.com e keatingeconomics.com. Em ambos se apontam os aspectos negativos da candidatura McCain através de um nada inocente fundo negro e letterings fortes e incisivos.
No périplo pela Europa durante o mês de Julho, Barack Obama fez um discurso histórico em Berlim perante 200.000o pessoas. Este "pequeno" comício teve direito a um cartaz onde o lettering e a forma busca os famosos cartazes Bauhaus. Produziu-se uma peça única e original para um evento igualmente único para um mero candidato à presidência dos EUA.
VICTOR BARREIRAS FILIPE 'SPEAR' DINIS Designers e utópicos / and utopians - - - - - - - - - - - - - Comentários para Comments sent to victorzarp@gmail.com - - - - - - - - - - - - - Receba actualizações do blog no seu email