2008-07-03

iPhone 3G

2008-06-30

Justos Campeones



A força da técnica venceu contra a técnica da força, e felizmente desta vez num jogo fantástico chamado futebol onde 11 jogam contra 11, no fim não ganhou a Alemanha. Tivémos um campeonato da Europa bem colorido, muito emocionante, surpreendente com habituais e inesperadas desilusões. No fim, a vitória justa da Espanha jogando futebol com garra e técnica, jogando bonito, inteligente e aberto, com um fantástico espírito de equipa e de entrega, onde todos, todos os jogadores foram estrelas. Foi o melhor final depois da afronta grega de 2004, e mesmo da entediante final à "la italiana" de 2006. É isto que queremos ver. É futebol assim intenso, apaixonante, que quem ama futebol quer sentir de verdade. O Euro 2008 prova que é possível o retorno a este tipo de jogo, bonito e criativo, matando com várias estocadas o jogo feio, fechado e sem estima que por acaso inexplicável do destino, em particular, nos tirou a imensa alegria da vitória há quatro anos.



Mas prova também que para se ganhar, seja um campeonato, seja mesmo um jogo, há que haver uma entrega proporcional à fantástica oportunidade de uma vida que uma fase final oferece. Ou seja, uma entrega a 100%. Foi isso que permitiu a fabulosa fase de grupos da Holanda e da Espanha. Foi essa entrega que nos deliciou a Rússia frente à Holanda (magníficos Arshavin e Pavlyuchenko) e a Turquia frente à Croácia. Foi essa imensa dedicação que vimos na final espanhola face à Alemanha.



Foi o que sentimos nas vitórias de Portugal frente à Turquia e à República Checa. Foi o que não vimos na estúpida derrota com a Suíça e no exagero (mesmo à portuga) do "oito dias de descanso" que permitiu que houvesse perda de ritmo e desleixo face ao melhor jogo que a Alemanha fez neste campeonato. A superior inteligência alemã ditou uma derrota lusa que, com uma outra postura que vimos no Inglaterra-2 Portugal-3 no Euro'2000, poderia ter sido outra. Falta o meu querido Luis Figo à Selecção? Claro, mas ele não dura para sempre. Com o lote fantástico de jogadores, reconhecido por toda a Europa, onde foi que Portugal falhou? Na determinação, na entrega, no excesso de "dias de descanso". Quando se encara um jogo a feijões e se vai para o campo com uma equipa C, a vitória da Suíça não deixa de ser paradoxalmente natural e escandalosa. Perfeitamente evitável. É fácil atribuir culpas. Mas todos reconhecem as excelentes vitórias nos dois primeiros jogos. Porque não se foi para o terceiro de novo para ganhar? A Suécia levou o castigo justo da eliminação pois quem joga para o empate perde sempre. A imagem de Scolari no banco, desesperado com a mão na testa como que desmaiando revela bem a impotência da equipa e da falta de estratégia da selecção. A derrota nos quartos-de-final afirmou-se justa mesmo assim. Considero as derrotas sempre boas lições. Porque demonstra as fragilidades e os erros que devemos corrigir. Que todos sabemos quais são, mesmo sendo meros treinadores de bancada. Infelizmente neste Euro uma derrota não foi suficiente.

Nesta entrega a 100% que foi bem visível, vimos claramente como o factor psicológico é tão importante como o físico. Mente sã e corpo são são os vectores para a competitividade total. A Turquia acreditou sempre, na sua capacidade, na sua mais-valia, na vitória. Apenas tombou face ao azar, a erros grosseiros de Rustu (iguais aos de Ricardo) face a cirúrgicos ataques da alta tecnologia germânica. No jogo de quartos-de-final, quando todos já pensavam na vitória da Croácia, o costumeiro volte-face turco ditou a derrota croata. Foi no golo do empate no minuto 119 que a Croácia perdeu; não foi nos penáltis, foi logo ali. É terrivelmente visível nos rostos dos jogadores croatas o peso da derrota e da desacreditação no momento das penalidades. A Turquia passou, porque nunca baixou os braços.
A fantástica vitória russa à toda-favorita Holanda foi um hino. Mas as debilidades de uma equipa jovem vieram ao de cima com a lição muito bem estudada pela Espanha, na meia-final.

Honra e justiça seja feita às equipas que mais emocionaram neste Europeu: à Holanda, Turquia, Rússia e à Espanha, justa Campeã da Europa 2008.

2008-06-20

Summer soundtrack

Como as férias vêm a caminho, é tempo de escolher umas boas músicas que convidam para a preguiça na esplanada e os dias longos na praia até ao anoitecer.

Seguem umas recomendações de boa música, com algum ritmo "más caliente" que se encaixam perfeitamente no espírito de verão.


"Sunshine Today"
Mo' Horizons
O último registo dos Mo' Horizons segue o trilho dos albuns anteriores. Batidas latinas num estilo lounge bem conseguido. Se gostarem, não deixem de apreciar os restantes albuns, que se ouvem bem em sequência.
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"Batucada 3"
Minus 8
Esta compilação de Minus 8 tem um nome que não deixa grandes margens para dúvida. Muitas influências da música brasileira (mas não limitada a ela) para puxar à dança nas noites quentes e longas de verão.
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"Koop Islands"
Koop
Lançado em Outubro do ano passado (fora de época, portanto), viu-se logo que este album se encaixava perfeitamente na banda sonora do versão. Sons jazzisticos num album muito elegante.
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"Exotica"
Sven Van Hees
Este album não podia ser mais apropriado para uma tarde bem passada na esplanada.
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"Adelante"
Audio Lotion
Eu sei que não é recente, mas foi recentemente reeditado, e ainda bem, pela editora "Mole". Um album sexy para acompanhar uma bebida bem fresca.

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A Flor Máis Grande do Mundo

2008-06-03

Regresso à agricultura



Não há outra alternativa. Somos cada vez mais. É razão suficiente. Mas é razão imperativamente primordial para que todos possam alimentar-se. O simples regresso à agricultura poderá salvar a Humanidade. É mais que tempo de desenvolver esforços e tecnologias para modernizar e optimizar a agricultura. Não é a internet ou as viagens espaciais que nos farão existir para o futuro. É a comida. E não havendo pode ser o começo do fim. Se se antevê guerras por causa da água, não será de todo inconcebível a ideia da luta pela comida. E o mais óbvio é que podemos fazer isto. Há muito que defendo esta ideia.
A proposta do Secretário-Geral da ONU de aumentar a produção de alimentos em 50% é uma meta que urge cumprir. África tem o potencial enorme para voltar a ser a base do mundo. Claro que a boa governança, correctos métodos de distribuição e, acima de tudo, evitar aproveitamentos económicos egoístas são desafios tão grandes como alimentar milhões. Todos precisamos de comer, é crucial. Logo, precisamos de produzir. Mais e melhor.

2008-05-31

2008-05-30

Acordo em desacordo



O problema

Uma discussão longa e acesa, esclarecedora e demagógica, divisória e nacionalista. O debate sobre o Acordo Ortográfico cresceu nos últimos meses de uma maneira inusitada, quando há já quinze anos está tudo planificado. Mas o "Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico" está a dar dura luta e a evidenciar diversos argumentos válidos e pertinentes. "É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras. Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão."

De facto (eu leio o "c") na sua essência enquanto reforma ortográfica, estou de acordo. É na sua especificidade que discordo. A redução da palavra escrita à condição fonética é uma simplificação prejudicial. Certo que imensas palavras "minguaram" ao longo de séculos, a evolução da língua ditou mudanças que podemos considerar naturais, mas outras podemos observar como estranhas ou injustificadas.

Incongruências diversas existem ora no modo como as grafias evoluíram, ora no modo como deixámos que as distâncias nos diferenciassem. Este acordo é tanto vantajosa, como falaciosa. Não vamos falar português com sotaque brazuca, nem vai facilitar o ensino da língua. Apenas torna una, o que outros idiomas globais sempre tiveram. As especificidades gráficas no inglês (color, colour) são mínimas comparadas com o português dos dois lados do Atlântico. A evolução da grafia lusa no Brasil mais se deve ao imenso caldeirão de culturas e gentes que, na sua oralidade, modificaram de tal modo o português que este se afirma mais diferente (e original) que o inglês falado nos EUA, na África do Sul ou na Austrália. Nunca houve uma base comum para o ensino da língua portuguesa, como Vasco Pulido Valente refere ao enunciar o exemplo do ensino do inglês com base na tradução da Bíblia de 1611, a King James Bible. O Império Britânico "muniu" o seu sistema de ensino com uma grafia-padrão, onde pequenas variantes que mais tardem surgiram, em nada originaram as curiosidades que observamos por cá.
É tudo muito confuso, mas paradoxalmente, claramente simples. Permitir que haja uma só grafia reconhecida e usada por todos os falantes de português é legítimo e necessário. Contudo, erros do passado não serão emendados, nem agora nem nunca. O distanciamento desde o início do século XX trouxe-nos diferenças que nos embaraçam, nos estranham, mas que também nos podem unir. Mais uma vez os paradoxos no uso da língua. As excepções continuarão, sendo algumas delas bastante confusas. Mais uma vez por causa do modo como falamos, e não tanto da maneira como as escrevemos. A pronunciação da palavra evidencia toda a diferença.

E temos também a beleza gráfica das palavras. A simplificação elimina o carácter estético que mesmo as palavras possuem. Quanta classe e sedução existe em "Victor" que em "Vitor" simplesmente não se vislumbra...

O modo mais simples, e mais "letal" para a afirmação de duas grafias passa por exemplo por práticas inconcebíveis como em cimeiras entre Portugal e Brasil, o texto comum ser distribuído em grafias diferentes. Porquê? Será que por isso o outro não entenderá? Será o orgulho da língua escrita mais valiosa que a compreensão do idioma falado? E aí voltamos de novo ao problema - por que não uma grafia comum?
As resistências à inevitável nova grafia existirão na nossa geração. As gerações seguintes não colocarão quaisquer entraves, e a língua fluirá normalmente. Então é uma derrota à partida a luta contra o acordo? Depende dos próximos anos de implementação.
O Manifesto não se ficará por aqui. Vasco Graça Moura continuará a apresentar as suas razões até que a voz lhe doa. E eu continuarei a escrever de facto o que acho mais correcto e óptimo.


As diferenças que nos unem
É a diversidade que embeleza o espírito humano. Compreendo a problemática do ensino do português por professores brasileiros. Ou melhor, não há. O modo diferente dos seus alunos conhecerem o português será mais pela oratória que pela escrita. A confusão (se houver, que duvido) pode vir daí. Mas está aqui, como no português falado em África que maravilha de forma original a oralidade da língua. Claro que deverão haver regras, mas as especificidades devem ser respeitadas e não eliminadas de forma expedita ou sem critério cientificamente válido.


Uma definição estratégica da língua portuguesa
Afirma-se que com o Acordo o Português pode passar a ser uma das línguas oficiais das Nações Unidas. Será isso que falta? A indecisão entre uma grafia e outra tem sido assim tão problemático que impediu até agora esta "valorização"? Custa-me a entender estas coisas. A riqueza e a beleza do português europeu não ofuscou nunca a do português brasileiro. Quando Guimarães Rosa ou Mia Couto inventam novas palavras é com alegria que todos nos devem sentir, pela capacidade criativa que um idioma consegue possuir. O futuro da língua portuguesa insere-se num contexto mais lato - na definição estratégica da Lusofonia. dentro da comunidade dos povos lusófonos e, para o mundo. A afirmação da nossa especificidade cultural e linguística é ponto de partida para um ideal novo, moderno e tradicional, humanista e de cidadania.

2008-05-15

And the winner is

2008-05-13

Vota Buraka Obama

2008-04-22

The Brand called Obama

2008-04-10

Surpresas inesperadas

2008-04-09

Medo, mucho



Se no fim da década passada, a técnica de câmara ao ombro passou a ser uma inovação dando uma visualização da narrativa de forma intensa, íntima e mais realista, o certo é que talvez se tenha exagerado na quantidade de séries de TV e filmes que a utilizam. No entanto, nos casos em que as histórias são boas, é um elemento técnico tão importante como os próprios actores. Levam-nos a sentir mais, a vivenciar quase ao lado das personagens a evolução dos acontecimentos. Permite-nos observar com uma experiência sensorial virtualmente in loco.
"Blair Witch Project" foi quase o percursor disto no que concerne ao factor medo. Uma suposta gravação com uma câmara amadora trazia-nos a sensação de realidade inquestionável misturada com ficção foi escola, ao que nos últimos meses vimos alguns "comebacks" deste género, e no qual a experiência mais íntima e desconcertante é o medo, imenso, (quase) real. Com "Cloverfield" vemos como um grupo de amigos enfrenta a destruição de Nova Iorque por um Godzilla terrífico, onde as analogias com os atentados de 9/11/2001 são por demais evidentes, sendo também parte de uma experiência de (re)viver o medo.

Agora temos uma produção espanhola, de nome "REC".
"Prémio de melhor filme no último Fantasporto, é a história de uma equipa de repórteres de televisão que decide documentar em directo uma patrulha de bombeiros em serviço durante a noite. O objectivo é registar todos os momentos destes profissionais, mesmo as situações mais arriscadas. A primeira missão da noite é resgatar uma idosa que se encontra fechada no seu apartamento por motivos desconhecidos. Mas algo durante a missão corre terrivelmente mal. O que parecia ser uma simples tarefa de rotina torna-se num inferno. Algo sinistro e maléfico anda à solta e ameaça a corporação de bombeiros e a equipa de televisão. E a câmara continuará sempre a filmar até ao último momento..."
in Público

Já considerado como um misto de "Blair Witch Project" com "28 days", o que esta película nos oferece de original é uma experiência de medo mais interactiva e próxima que qualquer outro filme. Embora já visto no site de "Cloverfield", através do site de "REC" podemos, horrendamente, atravessar quase todos os momentos e acontecimentos. Um filme de terror com zombies não é novidade, mas "REC" permite que a básicas sensações de terror e instinto de sobrevivência se exaltem quase tanto nos espectadores como nas personagens. O medo puro é tão estranhamente forte e ao mesmo tempo tão familiarmente intrínseco na mente humana.
Se querem sentir medo, muito medo, vão até ao site inglês http://www.recmovie.co.uk/



2008-04-04

Martin Luther King



Há quarenta anos neste dia, Dr King fez um último discurso profético, mas de uma intensidade impressionante. O seu assassinato, horas depois, foi um atentado também (mais um...) à integridade humana. Tal como o discurso "I have a dream", a emoção e a verdade, a razão e justiça, andam de mãos dadas nas palavras deste homem visionário e fantástico. É sempre com emoção e arrepio na espinha que ouço, e sinto, a mensagem de Martin Luther King, que muito me marcou. A inspiração e a liderança, a esperança e o desejo vivo e verdadeiro de mudança, que ele legou à humanidade é imenso.



Quando hoje, Obama de certa forma se afigura como um herdeiro legítimo da sua obra, é de facto tempo de renovar a esperança e acreditar. Acreditar que a liberdade e a igualdade podem ser utopias para alguns, mas são valores pelos quais vale a pena lutar. Acreditar que existem pessoas para a mudança, e que nós podemos fazer parte dessa mudança. Acreditar na possibilidade de mudar o mundo.

2008-03-19

The only lesson we ever learn is that we never learn



"Five years on, and still we have not learnt. With each anniversary, the steps crumble beneath our feet, the stones ever more cracked, the sand ever finer. Five years of catastrophe in Iraq and I think of Churchill, who in the end called Palestine a "hell-disaster".
Robert Fisk, The Independent


PÚBLICO | A Guerra do Iraque: Cinco anos de A a Z

2008-03-18

A more perfect Union

2008-03-17

Dance on a T-shirt

2008-03-06

The Newton virus



"In the beginning were harmless computer viruses. Viruses born out of the wit of early computer adopters, viruses whose sole purpose was to surprise and amuse. A non-destructive form of artificial life.
We wanted to revive this golden era, and went on to create our first computer virus. We chose to do it for mac as the platform is still a virgin territory. Spice up your colleagues’ day with our Newton Virus, the first virus to introduce gravity to your laptop, causing the desktop icons to fall down as if subject to the gravitational pull from the real world.
Newton Virus comes on a USB key for manual infection. Simply plug the key into a computer and the virus will automatically copy itself on the hard drive.
The virus will then hit at random, but only once. It will not replicate itself, mail itself to your friends or destroy any of your files, but instead provides you with moments of blissful surprise and magic."
Troika Art & Design Studio, London

Newton virus by Troika

2008-02-21

The Human Element



DOW - The Human Element
Um poderoso conceito - e magníficos filmes - para uma das maiores companhias da indústria química. Ir mais além na percepção da actividade, demonstrar que todos os elementos se interligam e, com isso, a promessa de sempre os defender.