2008-05-30

Acordo em desacordo



O problema

Uma discussão longa e acesa, esclarecedora e demagógica, divisória e nacionalista. O debate sobre o Acordo Ortográfico cresceu nos últimos meses de uma maneira inusitada, quando há já quinze anos está tudo planificado. Mas o "Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico" está a dar dura luta e a evidenciar diversos argumentos válidos e pertinentes. "É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras. Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão."

De facto (eu leio o "c") na sua essência enquanto reforma ortográfica, estou de acordo. É na sua especificidade que discordo. A redução da palavra escrita à condição fonética é uma simplificação prejudicial. Certo que imensas palavras "minguaram" ao longo de séculos, a evolução da língua ditou mudanças que podemos considerar naturais, mas outras podemos observar como estranhas ou injustificadas.

Incongruências diversas existem ora no modo como as grafias evoluíram, ora no modo como deixámos que as distâncias nos diferenciassem. Este acordo é tanto vantajosa, como falaciosa. Não vamos falar português com sotaque brazuca, nem vai facilitar o ensino da língua. Apenas torna una, o que outros idiomas globais sempre tiveram. As especificidades gráficas no inglês (color, colour) são mínimas comparadas com o português dos dois lados do Atlântico. A evolução da grafia lusa no Brasil mais se deve ao imenso caldeirão de culturas e gentes que, na sua oralidade, modificaram de tal modo o português que este se afirma mais diferente (e original) que o inglês falado nos EUA, na África do Sul ou na Austrália. Nunca houve uma base comum para o ensino da língua portuguesa, como Vasco Pulido Valente refere ao enunciar o exemplo do ensino do inglês com base na tradução da Bíblia de 1611, a King James Bible. O Império Britânico "muniu" o seu sistema de ensino com uma grafia-padrão, onde pequenas variantes que mais tardem surgiram, em nada originaram as curiosidades que observamos por cá.
É tudo muito confuso, mas paradoxalmente, claramente simples. Permitir que haja uma só grafia reconhecida e usada por todos os falantes de português é legítimo e necessário. Contudo, erros do passado não serão emendados, nem agora nem nunca. O distanciamento desde o início do século XX trouxe-nos diferenças que nos embaraçam, nos estranham, mas que também nos podem unir. Mais uma vez os paradoxos no uso da língua. As excepções continuarão, sendo algumas delas bastante confusas. Mais uma vez por causa do modo como falamos, e não tanto da maneira como as escrevemos. A pronunciação da palavra evidencia toda a diferença.

E temos também a beleza gráfica das palavras. A simplificação elimina o carácter estético que mesmo as palavras possuem. Quanta classe e sedução existe em "Victor" que em "Vitor" simplesmente não se vislumbra...

O modo mais simples, e mais "letal" para a afirmação de duas grafias passa por exemplo por práticas inconcebíveis como em cimeiras entre Portugal e Brasil, o texto comum ser distribuído em grafias diferentes. Porquê? Será que por isso o outro não entenderá? Será o orgulho da língua escrita mais valiosa que a compreensão do idioma falado? E aí voltamos de novo ao problema - por que não uma grafia comum?
As resistências à inevitável nova grafia existirão na nossa geração. As gerações seguintes não colocarão quaisquer entraves, e a língua fluirá normalmente. Então é uma derrota à partida a luta contra o acordo? Depende dos próximos anos de implementação.
O Manifesto não se ficará por aqui. Vasco Graça Moura continuará a apresentar as suas razões até que a voz lhe doa. E eu continuarei a escrever de facto o que acho mais correcto e óptimo.


As diferenças que nos unem
É a diversidade que embeleza o espírito humano. Compreendo a problemática do ensino do português por professores brasileiros. Ou melhor, não há. O modo diferente dos seus alunos conhecerem o português será mais pela oratória que pela escrita. A confusão (se houver, que duvido) pode vir daí. Mas está aqui, como no português falado em África que maravilha de forma original a oralidade da língua. Claro que deverão haver regras, mas as especificidades devem ser respeitadas e não eliminadas de forma expedita ou sem critério cientificamente válido.


Uma definição estratégica da língua portuguesa
Afirma-se que com o Acordo o Português pode passar a ser uma das línguas oficiais das Nações Unidas. Será isso que falta? A indecisão entre uma grafia e outra tem sido assim tão problemático que impediu até agora esta "valorização"? Custa-me a entender estas coisas. A riqueza e a beleza do português europeu não ofuscou nunca a do português brasileiro. Quando Guimarães Rosa ou Mia Couto inventam novas palavras é com alegria que todos nos devem sentir, pela capacidade criativa que um idioma consegue possuir. O futuro da língua portuguesa insere-se num contexto mais lato - na definição estratégica da Lusofonia. dentro da comunidade dos povos lusófonos e, para o mundo. A afirmação da nossa especificidade cultural e linguística é ponto de partida para um ideal novo, moderno e tradicional, humanista e de cidadania.

2008-05-15

And the winner is

2008-05-13

Vota Buraka Obama

2008-04-22

The Brand called Obama

2008-04-10

Surpresas inesperadas

2008-04-09

Medo, mucho



Se no fim da década passada, a técnica de câmara ao ombro passou a ser uma inovação dando uma visualização da narrativa de forma intensa, íntima e mais realista, o certo é que talvez se tenha exagerado na quantidade de séries de TV e filmes que a utilizam. No entanto, nos casos em que as histórias são boas, é um elemento técnico tão importante como os próprios actores. Levam-nos a sentir mais, a vivenciar quase ao lado das personagens a evolução dos acontecimentos. Permite-nos observar com uma experiência sensorial virtualmente in loco.
"Blair Witch Project" foi quase o percursor disto no que concerne ao factor medo. Uma suposta gravação com uma câmara amadora trazia-nos a sensação de realidade inquestionável misturada com ficção foi escola, ao que nos últimos meses vimos alguns "comebacks" deste género, e no qual a experiência mais íntima e desconcertante é o medo, imenso, (quase) real. Com "Cloverfield" vemos como um grupo de amigos enfrenta a destruição de Nova Iorque por um Godzilla terrífico, onde as analogias com os atentados de 9/11/2001 são por demais evidentes, sendo também parte de uma experiência de (re)viver o medo.

Agora temos uma produção espanhola, de nome "REC".
"Prémio de melhor filme no último Fantasporto, é a história de uma equipa de repórteres de televisão que decide documentar em directo uma patrulha de bombeiros em serviço durante a noite. O objectivo é registar todos os momentos destes profissionais, mesmo as situações mais arriscadas. A primeira missão da noite é resgatar uma idosa que se encontra fechada no seu apartamento por motivos desconhecidos. Mas algo durante a missão corre terrivelmente mal. O que parecia ser uma simples tarefa de rotina torna-se num inferno. Algo sinistro e maléfico anda à solta e ameaça a corporação de bombeiros e a equipa de televisão. E a câmara continuará sempre a filmar até ao último momento..."
in Público

Já considerado como um misto de "Blair Witch Project" com "28 days", o que esta película nos oferece de original é uma experiência de medo mais interactiva e próxima que qualquer outro filme. Embora já visto no site de "Cloverfield", através do site de "REC" podemos, horrendamente, atravessar quase todos os momentos e acontecimentos. Um filme de terror com zombies não é novidade, mas "REC" permite que a básicas sensações de terror e instinto de sobrevivência se exaltem quase tanto nos espectadores como nas personagens. O medo puro é tão estranhamente forte e ao mesmo tempo tão familiarmente intrínseco na mente humana.
Se querem sentir medo, muito medo, vão até ao site inglês http://www.recmovie.co.uk/



2008-04-04

Martin Luther King



Há quarenta anos neste dia, Dr King fez um último discurso profético, mas de uma intensidade impressionante. O seu assassinato, horas depois, foi um atentado também (mais um...) à integridade humana. Tal como o discurso "I have a dream", a emoção e a verdade, a razão e justiça, andam de mãos dadas nas palavras deste homem visionário e fantástico. É sempre com emoção e arrepio na espinha que ouço, e sinto, a mensagem de Martin Luther King, que muito me marcou. A inspiração e a liderança, a esperança e o desejo vivo e verdadeiro de mudança, que ele legou à humanidade é imenso.



Quando hoje, Obama de certa forma se afigura como um herdeiro legítimo da sua obra, é de facto tempo de renovar a esperança e acreditar. Acreditar que a liberdade e a igualdade podem ser utopias para alguns, mas são valores pelos quais vale a pena lutar. Acreditar que existem pessoas para a mudança, e que nós podemos fazer parte dessa mudança. Acreditar na possibilidade de mudar o mundo.

2008-03-19

The only lesson we ever learn is that we never learn



"Five years on, and still we have not learnt. With each anniversary, the steps crumble beneath our feet, the stones ever more cracked, the sand ever finer. Five years of catastrophe in Iraq and I think of Churchill, who in the end called Palestine a "hell-disaster".
Robert Fisk, The Independent


PÚBLICO | A Guerra do Iraque: Cinco anos de A a Z

2008-03-18

A more perfect Union

2008-03-17

Dance on a T-shirt

2008-03-06

The Newton virus



"In the beginning were harmless computer viruses. Viruses born out of the wit of early computer adopters, viruses whose sole purpose was to surprise and amuse. A non-destructive form of artificial life.
We wanted to revive this golden era, and went on to create our first computer virus. We chose to do it for mac as the platform is still a virgin territory. Spice up your colleagues’ day with our Newton Virus, the first virus to introduce gravity to your laptop, causing the desktop icons to fall down as if subject to the gravitational pull from the real world.
Newton Virus comes on a USB key for manual infection. Simply plug the key into a computer and the virus will automatically copy itself on the hard drive.
The virus will then hit at random, but only once. It will not replicate itself, mail itself to your friends or destroy any of your files, but instead provides you with moments of blissful surprise and magic."
Troika Art & Design Studio, London

Newton virus by Troika

2008-02-21

The Human Element



DOW - The Human Element
Um poderoso conceito - e magníficos filmes - para uma das maiores companhias da indústria química. Ir mais além na percepção da actividade, demonstrar que todos os elementos se interligam e, com isso, a promessa de sempre os defender.


4 jornais com melhor design


SND29: The 2007 World's Best-Designed Newspapers from Society for News Design on Vimeo.

SND anuncia os quatro jornais com melhor design do mundo (World's Best-Designed Newspaper):
The Guardian (UK), Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung (Alemanha), semanário russo Akzia e, o Expresso.

Welcome to Macintosh



Welcome to Macintosh é um documentário sobre o mundo Mac. A forma como a Apple se expandiu e mudou o mundo, o modo como os macusers sentem e vivem a marca. Com depoimentos de engenheiros, designers, coleccionadores e outros "adoradores" da maçã.

2008-02-20

Stop Blair

We, European citizens of all origins and of all political persuasions, wish to express our total opposition to the nomination of Tony Blair to the Presidency of the European Council.

Na "penumbra" o nome de Tony Blair vai ganhando força para o primeiro Presidente da UE. Mas é com frontalidade que a oposição à sua nomeação ganha cada vez mais notoriedade. Particularmente através de uma petição alojada no site Stop Blair, onde se enuncia as razões contra o ex-PM britânico.
Já aqui manifestei o ano passado a minha opinião sobre Tony Blair: "Tony Blair, prejudicou o seu enorme capital político — o maior defensor da reabilitação de África — pelo que o seu futuro até poderia passar, por exemplo, como um próximo Presidente da Comissão Europeia, porventura mais eficaz que a última presidência da UE pelo Reino Unido." Muito fez pelo seu país, até avançou muito pela Europa dentro ao contrário de governos anteriores, mas recuou em diversas e demasiadas decisões e opções chave para a construção europeia. E a grande mancha no seu currículo será sempre o Iraque. Qualquer cargo que possa almejar estará sempre condicionado a este passado.
Por tudo isto, por muito que simpatize e admire Blair (tal como pensa a Chanceler Angela Merkel) existem princípios e valores que deverão permanecer e falar mais alto que uma simples notoriedade. Escolher uma figura reconhecida pela maioria dos europeus não será fácil. Fossem mais novos e com alegria se aclamava Jacques Delors ou Helmut Kohl. Lionel Jospin teria capital político suficiente? Sarkozy foi quem publicamente avançou com Blair, defenderia ele este compatriota socialista? Felipe González talvez não tenha hipóteses por causa do igualmente "sulista" Presidente da Comissão Barroso.
Personalidades de indiscutível valia e dedicação à causa europeia existem, mas candidatos fortes - e seria importante que o primeiro presidente o fosse - serão poucos. Nos próximos meses, a luta nos bastidores intensificar-se-à.

2008-02-04

Obama



"Hope is what led me here today - with a father from Kenya; a mother from Kansas; and a story that could only happen in the United States of America. Hope is the bedrock of this nation; the belief that our destiny will not be written for us, but by us; by all those men and women who are not content to settle for the world as it is; who have the courage to remake the world as it should be."

Uma campanha imensa. Visual. Ideológica.
Barack Obama é uma esperança audaz para a mudança urgente.
Amanhã - Super Tuesday - é mais uma grande etapa para uma vitória histórica.





It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.
Yes we can.
It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.
Yes we can.
It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.
Yes we can.
It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land.
Yes we can to justice and equality.
Yes we can to opportunity and prosperity.
Yes we can heal this nation.
Yes we can repair this world.
Yes we can.
We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.
We have been told we cannot do this by a chorus of cynics...they will only grow louder and more dissonant ........... We've been asked to pause for a reality check. We've been warned against offering the people of this nation false hope.
But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope.
Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea --
Yes. We. Can.


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Teste para saber qual o candidato presidencial que mais se aproxima e do que mais se afasta
http://www.electoralcompass.com/

Paul Rand




Logos, Flags, and Escutcheons, by Paul Rand
Thoughts on Paul Rand, by John Maeda



Sparkle and Spin: A Book About Words
Ann & Paul Rand, 1957
http://www.nytimes.com/2006/11/12/books/review/Heller.t.html


Eames



Uma dupla criativa extraordinária. Inspiradora e fascinante.
Agora em sêlos.

Via DesignNotes